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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

QUERELAS LITERÁRIAS DE ANTIGAMENTE VII.

   ERROS E QUEDAS


Este foi o último artigo do sr. Werdeval Pitanga na briga com o sr. Aluizio Resende, no jornal "A Flor" de 1921. Como dissemos na última etapa da série, só temos o artigo inicial de Aluizio, ele passou a escrever pelo  jornal "O Prelio". Finalizando a série "Querelas de Antigamente", teremos o artigo final do sr. José Ribeiro Falcão, um dos atingidos pelo Aluizio. Aguardem brevemente..


Resgatando a simples promessa por mim contrahida em o numero anterior d' “A Flor”, eís-me aqui, ante a incomparável gentileza do povo da Feira de Sant’Anna, novamente, esclarecendo a razão, apregoando a verdade e deffendendo os meus lhanos rabiscos dos projécteis intoleráveis lançados pelo morteiro carcomido da embustice do sr. Aíuizio.
Destituído sempre da pretenção de mestre, ainda affirmo não ser o novo sábio sr. Aíuizio o mentor que ambiciono ou o preceptor das minhas guratujas tão humildes como o seu autor, posto que os seus erros attingem a um numero elevadíssimo.
E como na edição anterior deste sympathico jornalzinho não houvesse espaço para a citação das suas dezenas de incorreções (IMPERDOAVEIS PARA UM CRITICO) o faço hoje, embora de, má vontade, pois o sr. Áluízío é indigno da menor attenção de quem quer que seja; e dahi, presumo a verdade do antigo adagio: “quem com porcos se mistura...”
Emfim, não volvo-me a elle e sim ao pu­blico feirense.
Depois de folhear as minhas pequenas producções anteriores, o sr. Aluizio, faiscando os raios da sua elucidativa sabedoria, ampliando muito mal o seu pouco talento, conseguiu aquilatar oito erros apenas, dos quaes somente dois elle puderá provar, porque os outros, foi guiado por mestres de valor, que os escrevi.
Começando pelo “O Prélio”, ainda encon­trei nas suas mal elaboradas colunnas mais de VINTE erros, entre os quaes salientam-se os seguintes:
«Cataclísrna – desconpustura – enemitavel - as nuvens tem cabelos – l’ast - Fradi que Men­des - bana-es – auxilio – escelente – otrocatintas - escripto-ha – Atmeida - diser — prefessor – quanda – illustre – desmeunte – Garret - escrevi – catitú - resio—outren - etc.
Estaria certo se o presumido sábio tivesse graphado:  ,
Cataclismo – descompostura – inimitável - as nuvens TEEM (ou têm) cabellos - L’ART - Fradique Mendes – banaes – auxilio – excelentes - o trocatíntas – escrito – Almeida – dizer - preofessor – quando – ilustre – desmente – Garrett – escreve – caititú - resto - outrem – deste - etc etc.
Que vergonha ! VINTE E TREZ erros em tão poucas linhas!
Franqueza: julgava que as orelhas do ethe-romaníaco aluizio fossem um pouquinho me­nores...
Depois, censurou-me elle por haver escripto eu: “de um passado feliz que já se foi”.
Então, segundo o seu desvairado pensa­mento, o grande Guerra Junqueiro errou quan­do escreveu “triste como a tristeza oceanica do mar”.
Se o celebre Aíuizio lêr Ruy Barboza - o ex­traordinário mestre - o emendará em “fran­queza franca”, “verdade verdadeira” e tantas outras phrases idênticas a estas, que estão claras nas suas deliciosas obras literárias.
Ora !... bolas para o sr. Aluizio! Conven­ça-se elle do seu nada em literatura e vá ver­gar a farda para obter, no minimo, disciplina e educação.
Admiítindo a phonetica, muito inconscientetemente, tem elle contribuído para uma enor­me e confusa miscelânea nas suas producções.
Em o primeiro numero d' “A Flor”, teve o aíuizio a immensa felicidade de rabiscar o ar­tigo redaccional, embora o coroasse com os louros de 19 erros.
Eíl-os:
Intellectual, vemos-la, hediondo, nesessario, ajudarnos, auriolar, occuparmos, bossalidade, assando e assunptos, interessar-mos, cinema-tographicos, litteraria, ellas, etc.: em vez de intelectual, vemo-la, edíondo, necessário, ajudar-nos, aureolar, ocuparmos, boçalidade, as­sunto, interessarmos, cinematográficos, literá­ria, elas, etc.
No fim do segundo periodo está “os miasmas que rescendem”. Rescender é exalar cheiro agradavel; logo, miasmas não rescendem.
Analise-se agora o periodo “dedicar-nos-emos puramente a litteratura e a todos as demais questões que a ela se prendem”! É de mestre!
Agora, vejamos as suas Cartas de Pariz, assignadas com o pseudonymo Paulo Mário, também vasadas em estylo phonetico.
Lendo-se do principio ao fim acha-se facilmen­te as seguintes incorrecções: “edeficio, experi­mentado, escelente, constantimente, madmoiselle, sentmdo-me ját escelente (outra vez), esportarem, stasiados, e no meio este irrisorio trecho: “onde se encontram os melhores e mais opulentos téatros que se podem imaginar, os quaes, são visitados pelos elencos artísticos mais celebres do mundo, que neles se exibirem com grande e estrondoso êxito.”
Numa ligeira borradéla que fizera elle sobre Lady Priscilla Dean, nota-se ainda - cizento, enanto, seside, Priscila, ella, daquelle, collo, aquelle, recibi, escelente, esplicações, ctc.
Diz também: “Palestramos muito, muito, com se já nos houvemmos conhecido de longas datas.”
Classifica a Priscila de ingénua e depois, no “Eles e elas” de debochada!
Só de um aluizio...
Estão ahi mencionados, portanto,


notados por mim, QUE NADA SEI, em quatro artiguetes do sr. Aluizio.
Annotando, pois, tão elevado numero de erros, viso-os apenas como o documento bási­co da minha insubmissão ao sr. Aluizio, visto que um mestre não pode errar tanto.
Sei que erro, erro muito mesmo, e é porisso que desejo um mestre que erre pouco .
E para terminar, digo apenas que se o cas­murro aluizio tornar com as suas imprudências gratuitas, brevemente eu apresentarei ao povo feirense, como despedida desta simples pole­mica literaria, um breve artiguete aonde reve­larei o passado, o presente e o futuro do tão Opulento mestre.
Werdeval Pitanga
Feira, 28 de Setembro de 1921

Este texto é um Facsimile do jornal "A FLÔR" edção nº24 de 2 de outubro de 1921. pag. 2,3


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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

QUERELAS LITERÁRIAS DE ANTIGAMENTE VI.



Martiniano Carneiro entra nas "QUERELAS" com o artigo abaixo.

CONTENDAS E CONTEDORES

Na verdade não podia eu encontrar uma ocasião que me fosse maís propicia mais favoravel, para então mais facilmente expor o meu vão e humilde juiso que faço sobre as contendas e os seus contendores.
Embora com muito pouco saber, sem a me­nor intuição das cousas, muito intrusamente procurei ás cegas bispar alguns pontos que me fossem permitidos dizer relativamente às po­lemicas.
E quasi que a proposito disto surgio agora uma contenda entre os dois Jovens, Aluizio e Werdeval; e realmente é para me fazer pensar que foi a proposito mesmo, tal coincidência.
As contendas que não passam de ideias oppostas entre duas ou mais pessoas, como sempre, quasi que são intermináveis; e mui­to principalmente quando nos espíritos dos contendores reina a preterição de não serem vencidos ou derribados.
Bem poucas vezes, casoalmente, entre os muitos contendores se encontra um só, que então, deante da verdade, da justiça, ou da ra­zão, se emmudeça e se convença de que errou, de que atirou apodos a esmo.
Geralmente não é muito fácil um destes en­contros visto que hoje muito resumido é o numero destes observadores, do direito; os refractários, os inconscientes, os casmurros, com a banal intenção de dominarem a tudo e a to­dos, julgam talvez que só elles, são justiceiros, sábios, ínfalliveis, puros, applicados; que final­mente, só elles sabem definir tudo de uma maneira exacta e precisa.
E porisso, sem o menor receio ou remorso lançam ás columnas dos jornaes as suas criti­cas horripilantes, indignas até duma convivên­cia já civilisada, sem terem talvez base daquillo que quiz ou quer criticar.
Qualquer pessoa, que como eu estiver bem conhecedora da contenda Aluizio-Werdeval, certamente, não duvidará que esta é uma das taes intermináveis; pois, muito intuitivo está, que Werdeval não se entrega e Aluizio mui­to especialmente. Não deve também ignorar que o collega Aluizio, já ha muito tempo, sem fazer questão de ter ou não razão ou motivo, interessadamente, vem procurando, como talvez se procura uma agulha, uma pessoa que lhe dê attenção ás suas criticas inconscientes e injustas; tão provável isto, que muitas dellas o collega só teve o prazer de vel-as na sua pasta.
Envolto em uma esperança duvidosa de ob­ter uma replica para então polemicar e bazofiar que era uma das suas maiores ambições, já bastante acabrunhado, julgando-se talvez esquecido por todos que elle criticava, creio também, o collega Aluizio pelas columnas des­te jornalzinho, immerecidamente, lançou um artigo intitulado Ondas, com o intuito de desfazer o Werdeval e outro collega (José Ri­beiro Falcão ) que em dias passados tinha es­treado a sua collaboração, também, neste jornalzinho.
Foi realmente um prazer indizível que lhe deu este ultimo arremesso critico.
Werdeval lhe respondeu; e então já teria Aluizio gosado tal satisfação neste mundo?...
Afinal, não era censurável que o collega continuasse a discutir; mas, se nos seus arti­gos, se encontrasse em vez de escarneo e ironia reles, as provas justificáveis da sua defesa ou então, da sua critica.
Não queira zangar-se o collega Aluizio, porem, o que eu posso unicamente deduzir do seu artigo, - Pernóstico e Embusteiro, em res­posta ao de Werdeval, - Tarouquices de um critico, é o seguínte: vendo-se o collega prestes a sucumbir em um naufragio, sem ter o me­nor. indicio ou esperança de salvação, recorreu ao único meio que podia existir alli, embora com todo perigo, afim de salvar-se.
Quero dizer; embora com a detestável apre­ciação do publico,o collega afim de esquivar-se do grande certamen em que se meteu recorreu à forma repugnante de se polemicar, con­forme foi a sua.
Eis os motivos, collega Aluizio, porque para mim você não passa de um critico casmurro, inconsciente e refractarío.
Casmurro - porqne não se convence deante da verdade; bem como a forma JOVEN, (cer­tíssima), em vez de JOVEM.
Inconsciente - porque procura desfazer o que não conhece; por exemplo, a sua contra­dição com esta mesma palavra JOVEN.
Refractario - porque desobedece áquelles que exercem forças sobre você.
Portanto, melhor seria se o collega demorasse mais um certo tempo colhendo mais conhecimentos, não obstante já ter algum, para então, quando houvesse necessidade e ca­bimento fazer as suas criticas; assim mesmo, com uma forma mais aproveitável ou agradavel, para não se ver tambem obrigado a utillsar-se do referido meio único.
Quanto ao collega Werdeval, eu aconselho que se conserve sempre assim: diplomata e benévolo para com o seu adversário; embora que no seu ultimo artigo, - Machiavelismo de um novo ícaro - taxasse o collega Aluizio de bifron, etc.
Quanto a mim, creio que o collega não per­derá talvez o seu precioso tempo em dar-me attenção; e se resolver a isto só imploro ao collega, a fineza de poupar-me um pouco di­zendo exclusivamente aquillo que eu merecer.
Com respeito ás suas rigorosas correções de linguagem, eu ficarei um pouco descabriado, não há dúvida; mas, aceita-la-eis agradecido, se realmente estiverem analogas aos dos mestres; pois, ninguém mais do que eu precisa, absoiutamente, de mestres.
MARTINIANO CARNEIRO
Feira, Setembro de 1921
Notas do Blog: 1) os erros por acaso encontrados, são do português da época ou da tipografia. 

2) este texto é um Facsimile do jornal "A FLÔR" edção nº24 de 2 de outubro de 1921. pag. 1,3

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segunda-feira, 2 de setembro de 2019

QUERELAS LITERÁRIAS DE ANTIGAMENTE V.


Aluizio Resende, foi para a réplica contra Werdeval Pitanga, pelo jornal "O Prelio", infelizmente não temos o artigo. Abaixo a resposta de Werdeval Pitanga.

MACHIAVELISMO DE UM NOVO ICARO

“O PRELIO”

Muitos foram os lares, cujas donzellas coraram-se, emmudeceram-se de pudor, pasmaram-se de odio, suffocaram-se no grito apavorante das suas almas pelo seu amor proprio, ante a indecência nidorosa, insultane e grotesca do ignominioso pamphleto ou réles pasquim aco­bertado no tílulo não original, de «0 Prélio», semeado com cynismo revoltante pelo sr. Aluizio Rezende, em a noite de Domingo p. passado no momento psycologico dos crimes, das injustiças e das violações, dos vituperios romanescos e das maldades de requintado caracter.
Ilusoriamente, eu nào julgava o sr. Rezende um gamenho pernicioso, um parlapatão, um íradinho tartufo ou um fraca-roupa prejudicial ao meio social táo inundado de moralidade como o da Feira de Sant’Anna, terra esta que tem sabido sobre­levar o seu já decantado nome aos píncaros da honra altiva e sublime.
      Mas, «0 Prélio» é a caricatura exacta, psichica do sr. Aluizio, que confuso, vacillante, com        temor ou re­morso do seu erro, não classificou-lhe o lemrna que toddos os Orgõs publicistas, sem minima excepção, grapharn no seu cabeçalho como o desígnio da sua rotina.
Infelizmente, autorisado pela borrasca de estupidez lançada inglóriosamente pelo sr. Rezende sobre mi­nha humilissima e despretenciosa pessoa, cabe-me esclarecer aos poucos que se illudem com a sua mentalida­de a divisa do seu repugnante pasquim:

0 PRÉLIO

Orgam purulento, malicioso e immoral.

       Purulento - porque encerrou nas suas narcotisadas entrelinhas a gangrena do odio pervertido, os miasmas contagiosos do despeito e os microbios fétidos de um garnizé prétencioso corn linguagem de arreeiro baixo. Purulento porque enoja até aos cego-surdo-mudos, aos conscientes ou não.         -
Malicioso - porque doutrina a men­tira, rasga a verdade, esborôa a honra incensando o vilipendio, néga o brilho ao sol dando á treva oceanos de luz e reverberos de belleza, julga-se uma séara quando não passa de um pantano e fita a lama como crystaes de agua limpida,
Immoral - ah! ímmoral foi o meio e os extremos do seu entoxicado assumpto, rabiscado em estylo africano.
Quantos paes se empallideceram de raiva ao vêr no seio impolluto do seu lar a indescência de tão robusto pasquim?
Sei de uma senhora, viuva hones­ta e conscienciosa que queimára com indignação o repellente «O Prélio» para o brio das suas filhas tão que­ridas não ser desdoirado ante suas nodoas perigosas.
Outra, não menos honesta, com exclamações de mãe zelosa pela hon­ra de suas filhas, atirou-o a um me­recido lugar.
E como estas, quantas outras não sentiram o mesmo assombro, a mes­ma raiva, a mesma repugnância e o mesmo pensamento?
Portanto, escoimado de offensas moraes e pessoaes, «O Prélio», como caricato porta-voz do sr. Aluizio, desviou-se por nimia ignorância do caminho que deveria seguir.
Despeitado por não poder apagar os erros que lhe eu esclareci, foi o meio unico que o sr. Aluizio poude inventar para responder a minha defesa destituida de offensas ao seu ataque trahídor, embora... mallogrado.
Blasphemou, zumbiu, escouceou, ganiu como um macaveuco audaz e não deixou o minimo reflexo do ta­lento que lhe eu julgo possuir.
Copiar pontos de Historia, xingar, mentir e contradizer-se, exclusivamen-te, não é de sabio nem de crítico; sim, de degenerado moral, mental e pessoal.
Ahi está, pois, o que penso, julgo e affirmo sobre a circulação, graphia e conceito d’ ”0 Prélio”.
Quando já impressa a primeira pa­gina desta edição, fui deferenciado, gentilmente, com a agradavel visita do sr. Cândido Rezende, cidadão cri­terioso, responsável pela distintissima família Rezende, desta cidade.
Propositadamente, veio elle pedir-me que retirasse, na minha resposta ao «O Prélio», o sobrenome Rezende do sr. Aluizio e collocasse o de Paulo de Azevedo apresentando-me os seguintes motivos:
Primeiro - porque conhece nelle a indignidade de possuir o nome da sua familia, apezar de tel-o recebido, no seu lar, com poucos mezes de idade e continue a suportal-o.
Segundo - porque o sr. Aluizio ne­gando a sua própria patria, pois nascêra na antiga Rua do Gallo, hoje Travessa Cel. Bernardino Bahia, é capaz de pagar-lhe com o mal o bem que até hoje ha recebido.
Depois, citou-me alguns factos que a minha fraca educação não pede que os esclareça.
Agora, fica ao caracter do sr. Alu­izio Paulo de Azevedo, (ex-Aluizio Rezende) a defeza desta noticia .de honrosissímos conceitos.
São estes os effeitos da sua conta­giosa mania de offender a todos e a todos criticar.
Não achando meios justificáveis para evadir-se dos erros que lhe apontei veio o sr. Aluizio Paulo de Azevedo, (ex-Aluízio Rezende) ufano-so de si mesmo, com uma venenosa serie de tentativas contra a autoria dos meus artiguetes, dizendo ser o competentíssimo medico e conhe­cido talento literário Dr. Gastão Clovis Guimarães o seu verdadeiro autor
Ora, sr, Azevedo!., invente uma cilada melhor e menos duvidosa.
Creio que o seu maior amigo aqui é o intelligente e futuroso joven sr. Manoel Macêdo, que poderá lhe esclarecer tudo sobre o assumpto.
Além deste, que absolutamente não lhe puderá causar a menor duvida, cito mais alguns que assistiram toda a compilação do «Tarouquice de um critico», como sejam os meus e seus amigos srs. Dr. Juventino Pilombo, Adrualdo Oliveira, Brazilino Figueireido, Carlos Facchinetti, Martiniano Carneiro, Pedro dos Santos e mais alguns.
E para saciar o seu desejo de sabio, nào era preciso atacar com a myopia da sua ignorância, como um cão ataca a lua, a pessoa illustre e amiga do Dr. Gastão.
Felizmente, todo o povo feirense conhece a ambos os seus valores, quer moraes, quer inteilectuaes.
Cataclysmo
Desvairado, o etheromaniaco bifron, (ex-Aluizio Rezende) revolucionando os trovões do seu odio-ignorante, lançou raios de promessas aterrorisadoras sobre o «Gremio Rio Branco» e o seu illustre Presidente.
Consta que o arrependimento já lhe pertou a garganta. Mas, o Rio Bran­co faz questão em receber o seu ata­que. sob pena de considerar mais do que já considera o sr. Azevedo, um nullo um imbecil, o mu humano de mais audacia e cynismo da Feira.
Ahi está, pois, uma questão de sentimentalismo e honra.
Razões e erros
Despresando o estylo amavel e suave com que o sr. Aluizio Azevedo (ex-Aluizio Rezende) se armou, para convencer-me de que deveria eu submeter-me ás normas das suas li­ções ou criticas literárias, mais uma vez, ao publico sensato desta memo­rável terra, eu apresento, de rnáo grado meu, os porquês da minha insubmissão conscienciosa.
Disse já, que aceeitaria a critica, mas, suave e justa, impeccavel mes­mo.
Que não serveria de admiração., ou de algazarras aos chasqueadores, os meus grandes ou pequenos erros, porquanto nunca pretendi a palmatoria de mestre.
Que o sr. Aluizio bifron tinha um cerebro cultivavel a até florescente, portanto nào éra desconhecido pela intelligencia.
No entanto, o meu sabio conten­dor, superante de odio, com façanhas de um novo Vesuvio, como que não leu, não analysou ou não comprehendeu a minha simples resposta.
Se cornprehendesse e não estives­se envolvido em estado sonambulico ou de alucinação mental, não me lan­çaria aquella serie de gentilezas, as quaes offerto, mui convicto da mi­nha óptima escolha, ao seu mesmo autor.
Pesemos emfim os quilates do seu inverosimil thesouro literario «Embusteiro e Pernóstico», delicioso parnaso versado em estylo reluzente.
Embusteiro, segundo a opinião do grande mestre e diccionarista Jayme de Séguier, significa «Hypocrita, trapaceiro, mentiroso», etc.
Contam por ahi que um certo joven, intelligente até, (talvez o sr. Azevedo o conheça) era classificado de embusteiro e pernóstico, por adapitar á sua pessoa nomes alheios e de conceitos superiores aos seus, assim também pela extraordinária mania de jactar-se literato único naquella terra que sendo o seu berço elle proprio negava sel-a.
E acho que neste pequeno facto, vê-se por um prisma todo real a silhueta bem colorida de alguém verdadeiramente antipodo ao meu pro­ceder. Creio portanto não merece a tão meiga offerta que o sr. ex-Rezende, por amabilidade sua, preten­deu m’a fazer.
Nas linhas 22a e 23a, do primeiro período, diz o apreciável bifron eu ter arremessado innumeras offensas pessoaes e moraes, sobre a sua humilde carcassa!
Mais ainda me eu convenço que o sr, Azevedo estava no ether.
E aquella carcassa?
Diz Séguier que carcassa é esque­leto, casco velho de navio, projéctil de três granadas inflamrnaveis, mulher velha e feia, etc.!...
O penúltimo, eu concordo que o sr. Paulo de Azevedo (ex-Rezende) seja; mas, o primeiro?.,..
São expansões de mestres ou...... etc e tal.
Emfim, como agora elle se acha encarnado n’outro nome, é razoavel que antes dessa admiravel metamorphose elle se compenetrasse de ser mesmo um esqueleto.
São duvidas que se não deve duvidar.
Na ultima linha do segundo perío­do, (apezar da errata na quarta pagina) o ex-Rezende como é pó na gramatica esqueceu-se de collocar junto a si uma virgula imperdoável; e na linha seguinte, o trecho «a mimosa «Flor»» deve ser entre virgulas.
Se é que o intelligente Aluizio «vè com olhos de ver»!...
Na penúltima linha do terceiro periodo, está «cuja a moral». Qual o eseriptor que adopta tal regra? Se­guindo o valor daquelles que já te­nho lido, diria - cuja moral.
«Sempre me desvelei pelo desenvolvimento literário» desta terra, é o que lê-se no inicio do quinto periodo do seu ebrio «Embusteiro».
Qual a escola ou academia, confe­rencia; discurso ou jornal, cuja benemerencia comprove a pretenção exótica e absurda, toda pharisaismo, do sr.bifron?
Rabiscou apenas algumas chroniquetas, e na gana de elevar-se com azas de cêra, soffreu o mesmo cas­tigo de ícaro, que o calor solar forçou-lhe a queda dos seus planos.
Como s. exa. é modesto !
No sétimo periodo, disse o innocente critico que não possuo eu um só compendio do idioma francez.!
Irrisorio, ridículo mesmo, foi o imminente sr. Azevedo autorisar-se profundo conhecedor do francez, e haver traduzido aquella phrase celebre e tão commum, mesmo nos diccionario sda lingua portugueza, completamente errada !
«La critique est aisée et l’arte est difficile» (a critica é facil e a arte é difficil).
Vejam agora como o celebre pro­fessor bifron a traduziu: «A critica é facil e a literatura é difícil» !!
Que talento anti-diluviano! Capa­cidade rasa!!
E o sr. Azevedo conhece o latim, por haver aberto e fechado o seu «lixo literário» com phrases deste idioma?
Literatura é arte, mas, arte nunca foi literatura. Um pintor é artista, mas, não é literato; salvo se elle fôr pintor e literato.
E dahi, segue-se a sua malsinação em dizer que, para mim, a cri­tica não é literatura.
De facto, a critica nem sempre é literatura.
Tomemos por exemplo: quando a critica é feita por um néscio (como o bifron) é literatura ou literatice?
Desta vez o sábio mestre cahio,
Para tentar novarnente erguer-se, poderá dizer que a literatice é a lite­ratura ridicula; mas os calafrios da sua própria embustice que a critica é a «literatura no apogeu do seu des­lumbramento de luzes,» esgotarão in totum as suas forças.
Que o sr. ex-Rezende aproveite a sua intelligencia, esmague a sua pretenção absurda, dedique-se mais aos mestres e deixe-me rabiscar as minhas garatujas, é o que anhelo de coração inteiro.
Armado com oculo de couro, forjando mil desculpas banaes, sem fundos comprobatorios, veio novamente á carga a simples questão do admirar como synonymo de imitar.
Depois, a censura que lhe eu fiz sobre a phrase Ha já pouco ano co­mo imitação ou roubo de ideia ao su­blime Garrett e o emprego muitissimo errado do seu segundo plagio - eu lhe explico aos senhores.
Ao caro leitor, acho tornar-me aborrecido em repetir o que já expliquei ern a minha primeira resposta, emquato que ao sr. ex-Rezende, eu perdoo a sua ignorância, dizendos lhe apenas que - ETHER NÃO E’ LEITE.
Confuso sobre a palavra JOVEN, o inventivo bífron, como charlatão rèles de logarejos promiscuidos, tentou ainda desfazer o seu grande erro, sem citar, pelo menos, um só escriptor.
Ruy Barboza, Carneiro Ribeiro, Cândido de Figueiredo, Eça, Assis,: João do Rio e lodosos literatos que já tendo lido, só escrevem JOVEN; e não JOVEM.
No segundo período da terceira pagina, está joventude, (com O} quando os melhores diccionaristas dão Juventude; e no centro da tercei­ra columna a já incetada polemica, sobre a palavra HONTEM com H) na fonética.
Diz o notável Cândido de Figueire­do, á pagina 23 do primeiro volume da sua monumental obra phonetica «O que se não deve dizer», que, absolutamente, não se deve escrever hontem, mas, ontem, que é á íorma correcta;
Apresente-me, pois, o sr. Azevedo, o nome do escriptor que lhe authorisou pôr o H, na palavra ontem, escripta pela phonologia.
Em seguida, na mesma columna. o sr. bifron se diz um Rousseau, um Socrates, um Eschylo, um quasi deus !!...
Se é que os seientista mediram a grande distancia do zenith ao nadir, posso arfimar que a sua metragem é inferior a que ha entre o sr. Aluizio e tão celebres vernaculistas.
- Guiado pelo conceituado diccionarista Séguier, escrevi amiudadamen­te, vitornllo epiderme vigorosa, etc.
É de se crêr que o sr. Ex-Rezende não possua diccionano. Se possuisse, ou mesmo tivesse algum. às mãos, não dizia por um jornal tão grande asneira.
Eis ahi, POR, HOJE, o que pude dizer em torno da formidável estafa que teve o Ícaro hodierno sr. Aluizio Azevedo, em pequena, simples e modesta resenha, não por maldade minha, mas, em defeza ao seu insultaníe ataque, embora immerecidamente pela nulidade do seu autor, que me fez lembrar esta linda phrase do grande Machado de Assis: - «Ante a opinião simula-se facilmente energia e caractcr; o homem não se esconde de si mesmo, e o maior infortunio dos corações pusilânimes á sentirem que o são.»
Feira, 20—9—921.
Werdeval Pitanga
NOTA
No proximo numero, apresentarei ao publico feirense as dezenas de er­ros contidas nas producções anteriores do sr. Aluizio Paulo de Azevedo, assim como algumas emendas no «O Prélio».
W. P.
Contenda e Contendores
Por M. CARNEIRO - no p: numero
:
 Notas do Blog: 1) os erros por acaso encontrados, são do português da época ou da tipografia. 
2) este texto é um Facsimile do jornal "A FLÔR" edção nº23 de 25 de setembro de 1921. pag. 1,2,3,4,5


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