Em 1940, já se programando para o retorno a Feira de
Santana, Newton adiantaria entendimentos, para torná-lo uma equipe mais forte e
aguerrida. Entrou em contato com outra agremiação - o Ipiranga - comandada
pelos irmãos Suzarte Gomes, que também se destacava nesse universo
futebolístico, com vistas a formar um grande time local.
0 diálogo sobre a junção das duas equipes - a dos
Falcão e a dos Suzarte Gomes - ganhou força com a permanência de Newton na
cidade. Decidiu-se que o Palestrinha incorporaria o Ipiranga. A escolha de
outro nome para o grupo rendeu muitas discussões. Afinal, Palestrinha carregava
uma conotação infantil, que “já não cabia num time de craques”. Além disso, o
clima da Guerra provocava rejeição a qualquer coisa que lembrasse a Itália.
Segundo Wilson Falcão, foi Newton quem sugeriu batizar a equipe de Fluminense Futebol
Clube, um preito ao grémio carioca de mesmo nome, do qual a maioria era
torcedora. Essa designação também teve uma justificativa de ordem prática:
trabalhava, na firma Marinho Santos & Cia., um guarda-livros (contador),
chamado Balalair de Castro, que era ligado ao time do Rio de Janeiro. Se a nova
agremiação adotasse aquele nome, ele conseguiria, para ela, todo material
timbrado necessário ao uso da secretaria. A proposta, vantajosa do ponto de
vista económico, foi aceita sem delongas.
Nasceu, assim, o Fluminense de Feira Futebol Clube, cuja fundação foi oficializada no início de 1941. Coube a Antônio, irmão de Newton, a presidência.
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Equipe do Palestrinha-Fluminense futebol Clube a começar da esquerda, Newton é o quinto, meio escondido |
Newton, que gostava mesmo era de jogar futebol,
continuou defendendo as cores da equipe, como atleta.
Com a criação da Liga Feirense de Desportos Terrestres - hoje, Liga Feirense de Futebol - para dirigir o esporte amador em Feira de Santana, em 1942, o Fluminense filiou-se à entidade e, a partir de 1944, começou a disputar os campeonatos feirenses, caminhando rapidamente para a profissionalização. Na sua trajetória como amador, conquistou os títulos de 1947, 1949, 1950 e 1953. O último título assegurou-lhe o ingresso no futebol profissional, em 1954, sob o comando de Wilson da Costa Falcão, seu primeiro presidente.
Integravam, ainda, o quadro diretor do clube Osvaldo
Coelho Torres (vice-presi- dente), Laudelino Lacerda Pedreira e Otto Emanuel
de Carvalho (secretários), Ariston Carvalho (diretor técnico), Simônidas
Carneiro (assistente), Fernando Garcia (diretor de sede), Colbert Martins da
Silva (orador), Adroaldo Dórea, Alberto Oliveira e Vallter Mendonça
(departamento médico), Humberto Luiz Portela e João da Costa Falcão
(departamento jurídico). Newton, Antônio e Walter da Costa Falcão, Isaac e José
Suzarte Gomes, Arivaldo Gomes de Santana e outros passaram a compor o Conselho
Deliberativo, encabeçado por Manoel Contreiras.
Newton foi dedicado dirigente e fervoroso torcedor do Fluminense de Feira. Nas crises da agremiação, era sempre um dos primeiros a ser chamado para indicar caminhos, encontrar soluções. Os irmãos Falcão continuaram a participar ativamente da direção do clube até o início da década de setenta. Nesse período, o Fluminense deu vida sócio esportiva à cidade, tornou-se um património do município. Entre outros, conquistou os títulos de bicampeão, na categoria de aspirantes (1960 e 1961), e de campeão baiano de futebol, em 1963 e em 1969. Sagrou-se, ainda, vice-campeão estadual, em 1956 e em 1968, e esteve sempre entre os primeiros times do campeonato baiano. Cada conquista era ruidosa e animadamente comemorada, com desfile dos jogadores, passeatas de carros, buzinaço, fogos de artifícios. Feira de Santana parava para homenagear os Touros do Sertão. Com muito orgulho, Newton confessava: “Ao Fluminense dei muitas horas do meu tempo e muito dinheiro. Em troca, recebi muitas alegrias.”
Nelton, como os demais jovens,
ressentia-se, da inexistência, na cidade, de um local onde pudessem se reunir,
jogar, promover festas. Logo, começou a maquinar a criação de um clube social
que viesse preencher essa lacuna. Sabia ser difícil um empreendimento de tal
porte. Mas, foi amadurecendo a ideia, conversando com os amigos e companheiros,
tentando convencer o pai a emprestar-lhe o prestígio do nome, afim de obter
adesões. Conversa vai, conversa vem, encontrou dois outros jovens dispostos a
assumirem, com ele, os riscos do pretensioso projeto: Ideval José Alves e
Antônio de Oliveira Matos (Tide). A união, o desprendimento e a iniciativa dos
três amigos deram vida ao primeiro grande clube social da cidade, o Feira Tênis
Clube.
A pretensão
era que a casa de festas idealizada oferecesse, à comuna, um espaço com
infra-estrutura capacitada para acolher a crescente e próspera sociedade
quando de suas celebrações. Chamaram- na, a princípio, de Feira de Santana
Tênis Clube - o que assinalava o interesse da mocidade da época pelo esporte.
Coube, a Cerilo Mousinho, a elaboração do seu estatuto. A cerimónia oficial de
fundação aconteceu em 08 de dezembro de 1944, em reunião, realizada no salão
nobre do Montepio dos Artistas Feirenses, à Rua Conselheiro Franco, sob a
presidência de Hermínio Francisco Santos.
Na assembleia, o nome do clube foi reduzido para Feira
Tênis Clube e os estatutos discutidos e aprovados. Na ata da solenidade,
consta que “os fins da novel sociedade, que vinha completar o conjunto das
instituições civis de Feira de Santana, eram desenvolver em meio tão culto, os
jogos de salão, os exercícios atléticos, os desportos amadoristas,
especialmente a prática do tênis; e paralelo com estes objetivos, organizar
reuniões artísticas, culturaes e sociaes, bem como fundar uma biblioteca”.
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