Adnil Dias Falcão nasceu em Feira de Santana, em 24 de novembro de 1945. Professora, licenciada em letras pela Universidade Estadual de Feira de Santana e especialista em Metodologia do Ensino Superior e Educação Brasileira em nível de mestrado. Lecionou no Curso de Magistério do Instituto Gastão Guimarães, gerenciou a Sucursal do Jornal da Bahia e Jornal Feira Hoje e o Centro Social Urbano Governador Roberto Santos. Foi chefe do Gabinete do Prefeito Newton da Costa Falcão, em 1971/1972. Exerceu as Funções de Diretora Acadêmica. Assessora de Planejamento e Assessora Especial da UEFS, em 1980 a 2001. Autora de inúmeras publicações acadêmicas administrativas. Olhares Sobre Newton Falcão é sua primeira experiência como escrevinhadora.JUVENTUDE
No meu tempo os jovens tinham mais amor a Feira, desejavam melhorar a cidade.
... 1941, e Newton estava de volta, em definitivo, a
Feira de Santana. A cidade que o acolheu tinha um rosto diferente daquele de
quando ele partira para estudar em Salvador. Havia contado com bons
administradores1.
Crescera. A população do município girava, agora, em torno de 83.000
habitantes, dos quais, cerca de 14.000 concentravam-se na sede, então mais
bonita, elegante em seus casarões monumentais. Algumas ruas haviam recebido
calçamento, aformoseadas com canteiros centrais ou laterais, ficos e
oitizeiros, que lhes emprestavam tons coloridos. A Avenida Senhor dos Passos mostrava-se envaidecida da beleza do novo e imponente Paço Municipal. Ao longo de extensa faixa de terra,
projetava-se a construção da Avenida Getúlio Vargas. Umagrande novidade, a luz produzida pela hidrelétrica de
Bananeiras aposentara o velho gerador a diesel, que a iluminara entre 1926 e
1935. Inúmeros serviços davam-lhe um matiz mais urbano: uma bomba de gasolina
já abastecia os incontáveis automóveis. Uma nova cadeia pública garantia mais
segurança aos cidadãos. As comunicações haviam sido enriquecidas por um sistema
telefónico e por uma Agência de Correios e Telégrafos. 0 elenco de oportunidades
educacionais alargara-se com a inauguração de uma Escola Normal, do Ginásio
Santanópolis e de uma escola noturna. Outra filarmónica - a Euterpe
Feirense - viera juntar-se às tradicionais 25 de Março e Vitória. 0 Cine-Teatro
Santana ganhara sonorização. Criaram a Micareta. A expansão do comércio de gado
em pé exigira novas e adequadas instalações: planejaram-se os
currais-modelo. Uma Usina de Beneficiamento de Algodão dava mostras do desenvolvimento dessa cultura no município e da sua incipiente
industrialização. A abertura de estradas para Tanquinho,
Santa Bárbara e Bonfim de Feira; a inauguração da primeira rodovia
Feira-Salvador; a ligação rodoviária com Serrinha e Jequié; e as obras de
construção da Rodovia Rio-Bahia reforçavam o vigor do município como entreposto
comercial e entroncamento rodoviário mais importante da Bahia. Os ares
progressistas, contudo, não roubariam, da cidade, a vida pacata, as
características interioranas. Continuava sem água encanada, esgotos, e outros
serviços essenciais. Poucas eram as oportunidades de lazer no seu dia-a-dia. 0
point de então era o Restaurante e Sorveteria Sueto, onde a juventude se reunia
para bater papo e ouvir futebol. Um único rádio instalado no local transmitia
as emoções das partidas.
0 recém-chegado Newton também estava
diferente. Com vinte e poucos anos, era, agora, um jovem adulto, de estatura
mediana -1,68 m de altura - cabelos e olhos castanhos, robusto, musculoso.
Versão muito próxima do pai, de quem herdou o amor a Feira e ao trabalho, e a
probidade como linha inflexível de conduta. Da mãe, Adnil, ficou-lhe a
inquietude em relação a si mesmo e aos outros, e a generosidade. Newton, um
homem bom. Não só para os que privavam de sua amizade ou de suas relações
comerciais ou, ainda, a ele recorriam nas horas difíceis, mas, para todo mundo.
Nele se encontrava, invariavelmente, um ouvinte atento, uma pessoa solícita.
Os
primeiros dias na cidade, dedicou-os a matar a saudade. Demorou-se com os pais
e irmãos. Visitou amigos e parentes. Procurou familiarizar-se com o ritmo manso
do município, praticamente intocado pelos conturbados acontecimentos dos
cenários mundial-nacional, que se encontravam sob sob os horrores da Segunda Guerra(3). Mais tarde, como era do seu feitio, “arregaçou as mangas". Sem perda de
tempo, começou a desenhar o seu contorno de vida: assumiu o lugar, merecidamente
conquistado, na firma Marinho Santos & Cia. e, prestando um favor ao primo
e amigo Joselito Falcão de Amorim, foi empossado nas funções de Inspetor
Federal do Ensino Comercial junto à Escola Técnica de Comércio Santanópolis, de
propriedade da família do Deputado Áureo de Oliveira Filho. Deu, a princípio,
essa conformação ao seu horizonte profissional.  |
Formatura da Escola Técnica de Comércio do Santanópolis. À mesa, Áureo Filho, Dival Pitombo e outro convidados |
Motivado por intenso ânimo juvenil, e sem descuidar-se das tarefas
profissionais, Newton assumiria, a seguir, a liderança de iniciativas para
tornar a cidade mais moderna e atrativa, ajudando-a a despertar da indolência
interiorana que ainda a dominava. Fiel à sua paixão pelo futebol, concentrou a
atenção, inicialmente, no Palestrinha, um time que formara, com os
irmãos e amigos, lá pelos idos de 1936 -1937, e que haveria de se transformar
no Fluminense de Feira Futebol Clube 0 futebol era, então, o principal divertimento dos jovens
feirenses. A criação de equipes e as disputas de babas, peladas e campeonatos,
nos campos espalhados pelos espaços vazios da cidade, constituíam uma das
poucas diversões da molecada. Natural, portanto, que Newton fundasse um time,
para participar dessas competições. Deu-lhe o nome de Palestrinha,
em homenagem ao Palestra Itália (atual Palmeiras). Organizado e bem dirigido,
logo ganharia prestígio entre os jovens. Convidava e era convidado - algumas
vezes desafiado - para importantes pelejas, que aconteciam nos amplos quintais
do Casarão da Avenida Senhor dos Passos, um dos palcos das entusiasmadas
disputas.
Transcrito do livro "Olhares sobre Newton Falcão". (continua na próxima Postagem sobre o tema.
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