Evandro J. Sampaio de Oliveira |
Disseram a Zé Bidé, candidato a vereador de Feira de
Santana, “todo candidato tem que dar uma grande festa no lançamento da
candidatura”.
Zé achou um grande entrave, pois não tinha recursos e mesmo
que tivesse era avesso a meter a mão no bolso para tirar dinheiro. Era um
princípio fundamental, entendia ser economista no sentido amplo, não gastar.
Passaram vários dias matutando uma solução, não iria desistir
nem diminuir suas chances por uma besteira, tinha que encontrar uma saída. As
despesas com impressão de santinhos, carro de som, mídia etc. já tinha
conseguido com os amigos, eram muitos, diga-se de passagem, sempre foi muito
querido. Pessoa alegre, espirituoso conhecia meio mundo de gente, daí inclusive
a idéia, de se candidatar.
Quando certo dia Giltão o convidou para um aniversário em
sua residência. Giltão é radical no comportamento social, está mais para
cidadão inglês do que feirense, em relação à obediência de horário, convite
correto não admitindo penetras. Bidé era
o inverso, a informalidade era o traço de sua personalidade, brincalhão,
irreverente, gozador, piadista.
José Carlos Barbosa, como poucos sabiam, era o nome de
batismo do candidato Zé Bidé, uma das razões de não ter sido eleito, na época
se votava escrevendo número do candidato a ser escolhido, mas não podia usar
o apelido e muito pouca gente conhecia o postulante a vereador José Carlos Barbosa. Na apuração os escrutinadores disseram ter surgido um
monte de cédulas destinadas a Zé Bidé,
anuladas, tanto pode ser verdade que em eleições posteriores seu irmão Antônio
Joel foi duas vezes eleito vereador.
Voltemos para a grande festa de lançamento do pretenso edil
Zé Bidé. Quando recebeu o convite de aniversário de seu amigo Giltão, surgiu a luz no fim do túnel, para fazer uma
festa sem custos. Botou o carro de som na rua, convidando o povo do seu reduto
eleitoral para a grande festa de lançamento de sua candidatura.
No dia Magno, na casa de Gilton, começou a entrar gente
desconhecida dos proprietários, um empurra
pra lá empurra pra cá danado, teve até convidado que mandou a esposa de
Gilton entrar na fila dos salgadinhos. Lá pra tantas gritaram, Zé Bidé fecha a
porta da rua para não entrar mais ninguém, foi pior, tinha gente demais dentro
da casa, aí Gilton gritou: abre a porta para botarmos metade pra fora. Zé não
gostou achando que perderia os votos dos que saíssem, então ficou magoado com o
amigo.
História interessate, na vida existe muito Zé Bidé. Visto, nos Encontros dos Santanopolitanos, comparecer os penetras!
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