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FOTO OFICIAL DO ENCONTRO

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domingo, 18 de dezembro de 2022

ENCANTADA

RAYMUNDO LUIZ DE OLIVEIRA LOPES
 

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Encantada

Marcia Botelho* 

A primeira vez que assisti uma palestra de Divaldo Franco, foi na data memorável em que ele foi homenageado pela UEFS e pelo amigo prof. Raymundo Luiz Lopes. Neófita que sou na doutrina espírita fiquei deveras encantada com a oratória (e a retórica) impecável desse médium que realizou naquele teatro do CCAA um verdadeiro tratamento espiritual para todos nós que fomos ouvi-lo. Que bela história a que ele nos contou de Winston Churchil e de Flemming... calou fundo em nossos corações, nos levando inevitavelmente às lágrimas!

Agradeço a Deus essa oportunidade abençoada que tive de ouvir tantas coisas belas e elevadas, tantas verdades que passamos uma vida toda para descobrir... Quão bela é a doutrina espírita! Além da homenagem, feita na oportunidade, ao excelente orador e palestrante Divaldo Franco, fato que reflete o carinho que dedicamos à sua nobre e caridosa pessoa, pude verificar no discurso do Prof. Raymundo Luiz Lopes uma homenagem ao querido e amado Chico Xavier que também foi lembrado, e suas palavras em relação ao pref. Divaldo Franco foram repetidas nos dando a dimensão da amizade entre essas duas figuras ilustres da seara espírita.

Chico Xavier voltou à verdadeira Pátria que é a Espiritual, mas deixou entre nós seu exemplo, amor e obras, consequência da sua fé inabalável no Pai Maior e no mundo espiritual.

Parabenizo, assim, o Jornal CorpoMente que publicou essa entrevista maravilhoso Prof. Divaldo, concedida exclusivamente ao Prof. Raymundo Luiz!

Continuem nesta linha de trabalho universal-holística, onde o “todo” supera “a parte”.

Uma admiradora desse jornal e da belíssima Doutrina Espírita.

*Prof. de História

Agosto 2002

domingo, 27 de novembro de 2022

DIVALDO PEREIRA FRANCO

RAYMUNDO LUIZ DE OLIVEIRA LOPES


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Ainda, e Sempre

“Ame em qualquer circunstância, disputando a honra de ser

você aquele que doa, que desculpa, que constrói o bem”.

   O evento de três de julho passado, no Centro de Cultura Amélio Amorim, os que lá estiveram jamais esquecerão aquela noite – prazerosa, de aconchego, de alumbramento ético-fraternal. De um ponto referencial, mais precisamente, da UEFS, espalhava-se o condão ligando desejos e vontades recônditas, não ainda concretizados. A Instituição de Ensino Superior, não-espírita, é que dá corpo ao grande momento. Não-espírita, porém, aberta e atenta às várias sendas que conduzem o homem na sua caminhada evolutiva. A homenagem ao ilustre feirense, um marco, não somente na comemoração dos 26 anos da UEFS, mas também, para o movimento espírita feirense.

Divaldo Franco
    De passagem, lembramos a publicação do artigo do homenageado – “A Educação para a Plenitude do Ser”, na Sitientibus, n. 17/1997, quando a revista alcançou 15 anos de existência.

    Vários depoimentos poderiam ser aqui evocados, entretanto, o espaço não permite o registro de todos. Dentre tantos, pessoas que nos falam (algumas desconhecidas), em diversos locais, em encontros pela cidade, afirmando: “... enfim, Feira reconhece seu filho Divaldo”. Não que não o reconhecesse (intimamente, o reconhecimento é um fato). Precisava, sim, fazer a hora, acontecer. Um outro caso, Sr. Oswaldo que passou por uma séria cirurgia cardíaca pensava não mais ver Divaldo, mas, com a ajuda da amiga Marli conseguiu realizar seu sonho. Emocionado, ao ouvir o mestre, derramou lágrimas e agradeceu a Deus pela oportunidade. Que se guardem na memória, para uma compreensão da dinâmica da vida, as lições que Divaldo apresentou: “O Espiritismo é um farol que brilha” e “O ensino de natureza moral pode oferecer subsídios para banir da terra a crueldade e violência que hoje imperam”. Pois bem, dentre outras, a inveja, o orgulho, a intolerância, são emoções violentas alimentadas pelo homem. É necessário que cada companheiro(a), cada pessoa acione dispositivos internos visando uma (com)vivência salutar – estar bem consigo e com o próximo. Interpretando a fala de Divaldo, podemos afirmar: limpar o olho, os sentidos, para ver, compreender, sentir o “farol que brilha” iluminando a mente e o coração da humanidade. Com aquelas lições embaixo do braço iremos pregar a nova mensagem, o legado de Jesus. Diversas são as trilhas e os mestres. Àqueles que, direta e indiretamente, apoiaram/contribuíram para tão imorredoura celebração, o nosso muito obrigado.

Agosto 2002   


sábado, 5 de novembro de 2022

ENTREVISTA COM DIVALDO PEREIRA FRANCO -2002

RAYMUNDO LUIZ DE OLIVEIRA LOPES
 

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    O poeta e professor Raymundo Luiz Lopes conversa om o líder espírita feirense, o médium Divaldo Pereira Franco, colhendo um importante depoimento sobre diversos aspectos, como a distância que separa determinados movimentos ligados à doutrina espírita. Ele fala também sobre política e deixa uma mensagem reconfortante: “Ame em qualquer circunstância”. Raymundo Luiz é o autor da proposta que redundou na homenagem a esta ilustre figura feirense como parte das comemorações pelo Jubileu de Prata e pelos 26 anos da UEFS.    

Divaldo Franco
    Raymundo Luiz – Como você vê o espiritismo face à crise mundial no campo das relações interpessoais, entre as nações e no tocante à ética?

    Divaldo Franco – O Espiritismo possui todos os requisitos para reverter a atual crise que assola a Humanidade. Fundamentado em fatos, enriquecido por uma filosofia otimista e portador de uma ética moral de consequências religiosas, oferece pautas e diretrizes que, observadas, modificariam para melhor o homem individualmente e a sociedade como um todo, alternando o destino da Humanidade e proporcionando-lhe alcançar a meta da plenitude que lhe está destinada.
    
   RL – Qual a proposta do seu Projeto da Paz? 

    DF – A nossa proposta de paz tem por meta despertar a criatura para os valores que lhe dormem no íntimo e que devem ser transformados em sementes de luz, assim superando as paixões, os instintos agressivos e as heranças do primarismo de onde veio, estabelecendo liames da vera fraternidade, que leva a paz.
    
    RL – Fale-nos sobre sua recente viagem ao exterior e sua percepção desses países visitados.

    DFEntre os dias 15 de maio e 18 de junho empreendemos, Nilson de Souza Pereira e nós, uma excursão doutrinária a 12 países europeus, que foi trabalhada durante todo o ano, desde a viagem anterior. Estivemos em 23 cidades divulgando o Espiritismo, visitando Instituições que criamos em viagens anteriores e colocando bases para outras que virão no futuro. Os países visitados foram Suíça, Áustria, República Tcheca e Eslava, Hungria, Suécia, Noruega, Itália, França, Grande Ducado de Luxemburgo, Holanda e Alemanha. Em todos eles o Movimento Espírita vem-se desenvolvendo com excelentes possibilidades de crescimento e realizações edificantes. 

   RL – Lembrando o menino Di – de Feira de Santana – e o professor primário da antiga Escola Normal desta cidade e o cidadão Divaldo Franco, missionário espírita, navegando pelo mundo, registre alguma mensagem de caráter religioso/filosófico/poético, tão própria de sua pessoa.

   DF – A mensagem mais importante que eu penso poderia transmitir é a seguinte: Ame em qualquer circunstância, disputando a honra de ser você aquele que doa, que desculpa, que constrói o Bem. Se alguém não o ama, isso não é importante, mas quando você não ama, isso sim, é grave. Se alguém não gosta de você o problema é dele, mas, se é você quem não gosta eis que o problema é seu porque o aflige e o desconserta. Ame, pois sempre. 

     RL – O que a Casa Espírita deve fazer para não ser um ambiente fechado e ir à comunidade, construindo pontes entre os próprios centros, no sentido não somente religioso, mas de realizações no campo social?

     DF – A Casa Espírita é uma oficina de realizações e uma escola de aprimoramento moral, sempre aberta a todos aqueles que anelam por melhores momentos e pelas realizações dignificadoras. Estar à disposição dos aflitos e dos edificadores é a tarefa a que se deve propor, jamais cerrando suas portas a quem, por qualquer motivo, não lhe participe da programação. 
       

    

domingo, 16 de outubro de 2022

“AME EM QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA”

 

RAYMUNDO LUIZ DE OLIVEIRA LOPES

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   Os seres humanos constituem o Movimento Espírita. Já a Doutrina pertence aos Espíritos tal qual fora apresentada ao seu mentor maior, Allan Kardec, que a codificou, apresentando as suas idéias. A definição é de ninguém menos que o festejado líder espírita Divaldo Pereira Franco. Em entrevista exclusiva concedida ao professor e igualmente espírita Raymundo Luiz Lopes, que promoveu recentemente a vinda deste ilustre feirense para ser homenageado pela Universidade Estadual de Feira de Santana, Divaldo Franco transmite uma mensagem muito própria para os tempos de turbulência que enfrentamos. Garante que o “Espiritismo possui todos os requisitos para reverter a atual crise que assola a Humanidade.” E mais adiante, recomenda: “ Ame em qualquer circunstância, disputando a honra de ser você aquele que doa, que desculpa, que constrói o bem”

 

Raymundo Luiz Lopes e Divaldo Franco na
Livraria da Mansão do Caminho (junho de 2002)

DIVALDO PEREIRA FRANCO

O Missionário da Paz

    Transporto-me para o tempo dos meus dez, doze anos, em Salvador.

Próximo à Praça da Sé, descortinava-se o prédio do IPASE, extinta repartição pública, onde trabalhava minha tia, Hildete Pompa, chamada carinhosamente de Detinha, e que tinha como colega Divaldo Franco. Não sei quantas tardes, semanalmente, estava lá, brincando com a máquina de escrever e mostrando deveres da escola a ela. No meio da tarde, a gente ia merendar nas lanchonetes e passeava na rua Chile, o coração palpitante da velha Salvador. Nunca pensei que aquele rapaz elegante, tão amigo da minha tia, com o qual ela se aconselhava, de vez em quando, fosse se tornar um renomado espírita. E muito menos pensava que, anos mais tarde, seria um dos seus admiradores. Mas, afinal, quem é Divaldo?

Em Feira de Santana, no dia 5 de maio de 1927, nasceu Divaldo Pereira Franco. “Di” era seu nome para os familiares e amigos íntimos. Desde menino, demonstrava rara sensibilidade. Vivia feliz no seio de sua família que, apesar das dificuldades, era unida. O menino Di adorava brincar e ficar no quintal. A beleza da natureza o encantava. O verde da mata, as flores exuberantes, um córrego de águas límpidas, um pôr-do-sol dourado e o som de sinos que vinha de longe motivavam a imaginação do menino. Tudo isso enlevava sua alma infantil, além da distração com o doce “espírito-criança”, Jaguaraçu. Uma programação das entidades superiores já se fazia visível no desenvolvimento espiritual de Divaldo. Sua mãe nunca o abandonou. Mesmo depois de desencarnada, acompanhava e visitava seu filho, o que contribuiu, afora outras ajudas, para a superação de crises interiores e obstáculos de toda ordem. Cursou a Escola Normal de Feira de Santana, recebendo o diploma de professor primário. Sua iniciação religiosa deu-se na Igreja Católica, porém, continuava a ter visões. Nos anos 40, inicia, com segurança, a prática mediúnica, desenvolvendo-se cada vez mais, tanto no sentido físico, quanto no espiritual, anunciando, assim, missões futuras.

Mudando-se para Salvador, conhece Nilson de Souza Pereira, companheiro eterno e D. Nanã que contribuiu na sua formação espírita. Junto com Nilson e outros amigos, aprofunda-se no estudo da Doutrina Espírita, aplicando o conhecimento adquirido para autodesenvolver-se e atender aos necessitados, conforme sua destinação. Em 1947, ao lado de afeiçoados, funda o Centro Espírita Caminho da Redenção. Em 1951, com coragem e força de vontade, inaugura a Mansão do Caminho. Daí em diante, como obreiro de Cristo, empenha-se arduamente nas tarefas da mediunidade e nas assistenciais, envolto pelo véu da mensagem de Allan Kardec: “fora da caridade não há salvação”.

Vários espíritos se apresentaram ao menino Di, que evoluindo interiormente desde as primeiras aparições e comunicações, passou pela adolescência com determinismo e chegou à fase adulta consciente de seus compromissos éticos. Joanna de Ângelis é uma constante em sua vida. No último livro, Triunfo Pessoal, da série psicológica, a mentora fundamentada, principalmente, em Jung, discerne sobre questões do Bem e do Amor, da criatura e do Criador.

Saltitando pelas antigas vielas e trilhas da ex-pacata cidade de Feira de Santana, no devaneio por entre a natureza do quintal de sua casa e estudante atento da antiga Escola Normal Rural de Feira de Santana, o menino resolve pôr seu leme para Salvador, movimentando-se da metrópole baiana para o Brasil e para o exterior, tornando-se Cidadão do Mundo.

Por certo, a analogia que encontramos entre Fernão Capelo Gaivota, da obra de Richard Bach, e o médium é pertinente, visto que, ambos voam, cada um a seu modo, superando as mazelas da vida, em vôos sempre mais altos.

Com nítida visão sobre os horizontes e pés plantados na terra, Divaldo é um SER AGLUTINADOR. Um SER de CUIDADO.

Faço minhas as palavras de Chico Xavier “Divaldo tem uma estrela na boca”. Com a licença do querido Chico, completo: “Ele tem cinco estrelas no céu da boca”. E acrescento: “Divaldo é o trator de Deus na mata da vida”. (Chico Xavier)

Posso afirmar, convicto, que “a causa de Divaldo Franco estende-se além do campo espiritista. Tendo como meta a conscientização do homem, aplica, de várias maneiras, a mensagem do Evangelho: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos Libertará”, “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”, mostrando que cabe ao ser humano (re)descobrir o seu papel neste planeta chamado Terra. O seu compromisso é altamente significativo, como obreiro da fraternidade, da solidariedade, do respeito entre os povos, no atendimento das necessidades básicas do homem, no alcance da almejada Paz. Uma conduta voltada para o bem, rompendo as algemas materiais do “demasiadamente humano” eleva-se em degraus espirituais, sustentado por ações ético/fraternais, num processo autoconsciente e revelador de seu papel como um dos construtores de uma nova ordem social, vivenciando, assim, os princípios da Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec.

A noite de três de julho de 2002, no CCAAm, - inesquecível, imperdível. Quando Divaldo Franco disse “Professor Raymundo, meu amigo, meu benfeitor...”, controlei a emoção e as lágrimas, diante de tão notável humildade. Lá fora, o sopro do frio de inverno. Mas, dentro do Centro Cultural, em todo o recinto, a atmosfera era cálida, primaveril, com anjos tocando harpas e flautas. Intenção e concretização de mãos dadas, unidas, na presença aglutinadora de Divaldo Franco, sob as retinas da Universidade que lhe abriu as portas e de todos os que foram vê-lo e abraçá-lo. O bom e o meigo olhar superam os olhares de soslaio e dúbios. Lembrar é uma forma de amar.


domingo, 2 de outubro de 2022

DIVALDO PEREIRA FRANCO

RAYMUNDO LUIZ DE OLIVEIRA LOPES

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O Missionário da Paz

    

T

ransporto-me para o tempo dos meus dez, doze anos, em  Salvador.  Próximo à Praça da Sé, descortinava-se o prédio do IPASE, extinta repartição pública, onde trabalhava minha tia, Hildete Pompa, chamada carinhosamente de Detinha, e que tinha como colega Divaldo Franco.

  

Divaldo Franco
Santanopoliano

   Não sei quantas tardes, semanalmente, estava lá, brincando com a máquina de escrever e mostrando deveres da escola a ela. No meio da tarde, a gente ía merendar nas lanchonetes e passeava na rua Chile, o coração palpitante da velha Salvador. Nunca pensei que aquele rapaz elegante, tão amigo da minha tia, com o qual ela se aconselhava, de vez em quando, fosse se tornar um renomado espírita. E muito menos pensava que, anos mais tarde, seria um dos seus admiradores. Mas, afinal, quem é Divaldo? 

    

    Em Feira de Santana, no dia 5 de maio de 1927, nasceu Divaldo Pereira Franco. “Di” era seu nome para os familiares e amigos íntimos. Desde menino, demonstrava rara sensibilidade. Vivia feliz no seio de sua família que, apesar das dificuldades, era unida. O menino Di adorava brincar e ficar no quintal. A beleza da natureza o encantava. O verde da mata, as flores exuberantes, um córrego de águas límpidas, um pôr-do-sol dourado e o som de sinos que vinha de longe motivavam a imaginação do menino. Tudo isso enlevava sua alma infantil, além da distração com o doce “espírito-criança”, Jaguaraçu. Uma programação das entidades superiores já se fazia visível no desenvolvimento espiritual de Divaldo. Sua mãe nunca o abandonou. Mesmo depois de desencarnada, acompanhava e visitava seu filho, o que contribuiu, afora outras ajudas, para a superação de crises interiores e obstáculos de toda ordem. Cursou a Escola Normal de Feira de Santana, recebendo o diploma de professor primário. Sua iniciação religiosa deu-se na Igreja Católica, porém, continuava a ter visões. Nos anos 40, inicia, com segurança, a prática mediúnica, desenvolvendo-se cada vez mais, tanto no sentido físico, quanto no espiritual, anunciando, assim, missões futuras. 

Mudando-se para Salvador, conhece Nilson de Souza Pereira, companheiro eterno e D. Nanã que contribuiu na sua formação espírita. Junto com Nilson e outros amigos, aprofunda-se no estudo da Doutrina Espírita, aplicando o conhecimento adquirido para autodesenvolver-se e atender aos necessitados, conforme sua destinação. Em 1947, ao lado de afeiçoados, funda o Centro Espírita Caminho da Redenção. Em 1951, com coragem e força de vontade, inaugura a Mansão do Caminho. Daí em diante, como obreiro de Cristo, empenha-se arduamente nas tarefas da mediunidade e nas assistenciais, envolto pelo véu da mensagem de Allan Kardec: “fora da caridade não há salvação”.

Vários espíritos se apresentaram ao menino Di, que evoluindo interiormente desde as primeiras aparições e comunicações, passou pela adolescência com determinismo e chegou à fase adulta consciente de seus compromissos éticos. Joanna de Ângelis é uma constante em sua vida. No último livro, Triunfo Pessoal, da série psicológica, a mentora fundamentada, principalmente, em Jung, discerne sobre questões do Bem e do Amor, da criatura e do Criador.

Saltitando pelas antigas vielas e trilhas da ex-pacata cidade de Feira de Santana, no devaneio por entre a natureza do quintal de sua casa e estudante atento da antiga Escola Normal Rural de Feira de Santana, o menino resolve pôr seu leme para Salvador, movimentando-se da metrópole baiana para o Brasil e para o exterior, tornando-se Cidadão do Mundo.

Por certo, a analogia que encontramos entre Fernão Capelo Gaivota, da obra de Richard Bach, e o médium é pertinente, visto que, ambos voam, cada um a seu modo, superando as mazelas da vida, em vôos sempre mais altos.

Com nítida visão sobre os horizontes e pés plantados na terra, Divaldo é um SER AGLUTINADOR. Um SER de CUIDADO.

Faço minhas as palavras de Chico Xavier “Divaldo tem uma estrela na boca”. Com a licença do querido Chico, completo: “Ele tem cinco estrelas no céu da boca”. E acrescento: “Divaldo é o trator de Deus na mata da vida”. (Chico Xavier)

Posso afirmar, convicto, que “a causa de Divaldo Franco estende-se além do campo espiritista. Tendo como meta a conscientização do homem, aplica, de várias maneiras, a mensagem do Evangelho: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos Libertará”, “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”, mostrando que cabe ao ser humano (re)descobrir o seu papel neste planeta chamado Terra. O seu compromisso é altamente significativo, como obreiro da fraternidade, da solidariedade, do respeito entre os povos, no atendimento das necessidades básicas do homem, no alcance da almejada Paz. Uma conduta voltada para o bem, rompendo as algemas materiais do “demasiadamente humano” eleva-se em degraus espirituais, sustentado por ações ético/fraternais, num processo autoconsciente e revelador de seu papel como um dos construtores de uma nova ordem social, vivenciando, assim, os princípios da Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec.

A noite de três de julho de 2002, no CCAAm, - inesquecível, imperdível. Quando Divaldo Franco disse “Professor Raymundo, meu amigo, meu benfeitor...”, controlei a emoção e as lágrimas, diante de tão notável humildade. Lá fora, o sopro do frio de inverno. Mas, dentro do Centro Cultural, em todo o recinto, a atmosfera era cálida, primaveril, com anjos tocando harpas e flautas. Intenção e concretização de mãos dadas, unidas, na presença aglutinadora de Divaldo Franco, sob as retinas da Universidade que lhe abriu as portas e de todos os que foram vê-lo e abraçá-lo. O bom e o meigo olhar superam os olhares de soslaio e dúbios. Lembrar é uma forma de amar.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

2002 – A PRIMEIRA COPA DO SÉCULO XXI ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

RAYMUNDO LUIZ DE OLIVEIRA LOPES

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   A quantas copas do mundo uma pessoa assiste? Levando-se em conta uma média de vida de 65 anos e tomando-se como base, hoje, uma criança de cinco anos que já está em frente à TV, acompanhando a enxurrada de informações e imagens, assiste-se, então, em média, a 15 copas. Haja diversão para o povo. E o que representa essa movimentação de quatro em quatro anos? Desde o surgimento do primeiro mundial, em 1930, que os países se esforçam para mostrar o melhor de seu futebol, nem sempre com uma perspectiva saudável do esporte paixão das multidões. Representando a nação, a seleção eleita, queiram ou não aficionados, traz a marca da política vigente. O grupo mandante, declarada ou sutilmente, seja do ocidente ou oriente, solta os foguetes de sua ideologia. O ditador, Benito Mussolini, em 1934 e 1938, serviu-se da força máxima do futebol italiano – a “Azzurra” – para fazer propaganda do fascismo pelo mundo. A Seleção Brasileira, em 1970, foi habilmente utilizada pelo regime militar para exaltar o milagre econômico (?), enquanto, nos porões, a censura e a tortura aplicavam terríveis golpes aos defensores da democracia. Aqueles tempos de “Noventa milhões em ação”, “Prá frente Brasil”, “Salve a Seleção”, eram para o povão, tão somente, a conquista do tricampeonato, desejo fustigante no imaginário coletivo. Outro caso, o da Argentina, envolvida por uma das mais violentas ditaduras, nos anos 70. Em 1978, os militares tentaram usar o futebol argentino para melhorar a imagem de um regime cruel. As mães da Praça de Maio, então, iniciaram um movimento para torcer contra a seleção portenha. Agora, o tempo é outro. Será? Em termos de calendário – 2002. Alguns fantasmas foram exorcizados, outros, escondidos, estão à A espreita – e, materializados, disfarçados, tantos tentam contra a vida. Nações poderosas ditam as normas no planeta (no cume, EUA), com uma indústria bélica altamente sofisticada e eficiente, além de um Capital avassalador (leia-se, sobretudo, dólar). E o esporte das chuteiras é objeto desse esquema. E este Brasil? E esta seleção? Como todos sabem, ela foi classificada a duras penas e chega ao seu primeiro jogo na Copa, ganhando de 2 x 1, diga-se, com muito desacerto, inclusive, da arbitragem, segundo comentários. O que nem todos sabem, o PIB não cresce satisfatoriamente e a renda per capita é baixíssima. Mas, neste período esportivo mundial, o interesse de cada povo é ver a sua seleção ganhar. E os governantes, então! Juntando-se ao folguedo junino o carnaval do futebol, ansiosos devem estar, S. Excia., FHC, e partidários pela vitória, ainda que não-brilhante, de Felipão e os jovens milionários da bola. O coro permanece – “Prá frente Brasil”, “Salve a Seleção”. No comando, também, a política do dinheiro. Quanto comércio: bandeiras, apitos, cornetas, flâmulas, roupas, revistas, sorteios/prêmios, comidas, bebidas, ao gosto do consumidor. E depois? Depois, uns mais capitalizados, e “mundões” mais pobrezinhos. E conflitos (re) começando. Mas, há um outro lado da história, senão estaria tudo liquidado e já escrito (Maktub). A mídia tem mostrado rostos de vários povos. Apesar das diferenças étnicas, gente é gente em qualquer parte do mundo, com suas tristezas, sofrimentos, alegrias, anseios, vontades, desejos. Apesar de certo medo patológico instalado em cada pessoa/grupo social, face a intolerâncias, as divergências estão sendo administradas positivamente, ainda que de uma maneira diretiva, visando o sucesso do megaevento. Vê-se, destarte, aquela pequena luz no fim do túnel pedindo passagem. Esperança retornando. Se, durante alguns dias, há beijos, abraços, festejos, choros, signos coloridos, expansividade de culturas, por que então não aplicar o exercício/aprendizado do entendimento, da compreensão, continuadamente, com ou sem fixações no calendário? Os caminhos já estão demonstrados. Desenvolver em nível pessoal, das comunidades, das nações, a auto-estima, a atitude de tolerância. A renovação interior, de um e de muitos, pouco a pouco, espraiando-se como raios de sol nascente, possibilitará a almejada/necessária integração dos povos. Que a Copa 2002 traga novos olhares nestes tempos de Bush e Bin Laden. Há, ainda, muito por se fazer. Meditar é preciso. 

Junho de 2002

 

terça-feira, 30 de agosto de 2022

REMINISCÊNCIAS - III

RAYMUNDO LUIZ DE OLIVEIRA LOPES

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REMINISCÊNCIAS - II

REMINISCÊNCIAS

Eli Oliveira

“Mirei no meu coração, vi os outros, vi meu sonho, encontrei o que queria.” Cecília Meireles

     

   

   Um interregno imposto pelas circunstâncias, esta coluna retorna. Um dos seus objetivos vem sendo alcançado – mirar movimentos do passado que deram frutos. Os que estão, hoje, desenvolvendo atividades holísticas passam a compreender melhor que os fios trançados, ontem, numa rede benéfica, contribuíram para o trançado da rede de hoje e para o que virá depois.

    Diga-se, de passagem, que grupos feministas, ao resgatar a força da mulher, tiram-na do baú do esquecimento resgatando, inclusive, seus feitos, suas construções. É por aí, também, que estou indo. Anteriormente, comentando pioneirismos no campo das chamadas terapias alternativas, enfoquei duas figuras plácidas, na placidez antiga desta cidade – Carminha e Elda (Corpo/Mente, n°9 e 10). Agora, Eli oliveira. Idos de 70, em viagem pelo interior da Bahia, como Técnico em Educação, pela Secretaria da Educação e Cultura, coordenando, juntamente com colegas da SEC, atividades pedagógicas, no Colégio Estadual de Feira de Santana, em um dos grupos, de Educação Artística, conheci Junília Oliveira – Eli. De logo, estabeleceu-se entre nós um diálogo em torno da arte musical e de questões espirituais.

    Professor da UEFS, reencontrei-a. Conheci Dr. Herval, seu esposo, e Ângela Oliveira, filha do harmonioso casal. Tinha início uma sólida amizade. Levaram-me para conhecer a Escolinha de Dança Criativa U que funcionava na residência da família, à Rua Castro Alves, n° 792. Demorei-me naquele espaço muitas tardes, deliciando-se com a atmosfera infantil reinante – tudo ali dançava! Minha filha, Marília, ensaiava então seus primeiros passos do ballet em direção à futura EARTE.

    Com o funcionamento da EARTE (1979), outros cursos, ao lado da dança, foram implantados – ginástica, musculação, capoeira, karatê. A intenção de Eli e Ângela iria mais longe. Não apenas cursos isolados, mas, ações globalizadoras, vivências de cada um, de cada grupo, caminhos diversificados em busca de uma meta maior – a unidade latente em todas as coisas. Numa prova disso, a criação, mais tarde, do projeto Arte e Movimento. Os encontros sabatinos abrangiam Dança/Poesia/Música, com Grudefs, Grutearte, Minigrudefs, Seminário de Música. Em uma das apresentações do Seminário, do qual fiz parte muitos anos, aconteceu a performance dos grupos da EARTE e do Seminário, comigo na flauta doce e Clóvis Rodrigues e Jairo Nascimento, com clarinetes – um dos momentos de fruição artístico-espiritual, dança e música integradas.

    Eli e Ângela espraiando a cultura de uma maneira abrangente/integradora continuavam presenteando a comunidade feirense com propostas desafiantes. Na bagagem das excursões pelo Brasil e pelo exterior, a jovem trazia danças variadas, alimentação natural, yoga, acupuntura, músicas, massagens.

    Eli que, nos anos sessenta, estudou música no Seminário (ligado à UFBA, depois à UEFS), aqui, em Feira de Santana, teve como professores, dentre outros, Hildebranda Káteb, Hamilton Lima, Georgina Lima. Ao tempo em que concluía o curso de yoga com De Rose, em Salvador, iniciava-se como instrutora e continuava dando aulas de música.

    No início dos anos 80, investindo no campo das terapias alternativas, Eli, auxiliada por Ângela, convidou focalizadores e profissionais, possibilitando vivências integradoras, inclusive orientais, visando o equilíbrio físico-mental-emocional-espiritual. Assim é que a vinda do Engenheiro Agrônomo, Edson Hiroshi, com experiências de artes marciais e de projetos ecológicos, a do mestre sufi Gurudev Sing Khalsa, com Kundalini Yoga, a quem muito devo o aprendizado nesse campo e dos estudos teóricos e práticos sobre os Chakras. É oportuno dizer que, durante alguns anos, mantivemos contato, e um dos seus discípulos, Sat Nam, vez em quando, hospedava-se em nossa casa, proporcionando-nos diversas práticas, na condição de intermediário do mestre Gurudev. Graças também a Eli e Ângela, visitou-nos o médico naturalista salvadorenho, José Efraim Melara, outra iniciativa que ampliou o horizonte, com respeito à medicina natural e ao naturalismo.

    E a EARTE vicejava graças à qualidade das sementes e dos cuidados que lhe destinavam. Infelizmente, em outubro de 1983, no cenário, a falta de Ângela Oliveira, vítima de acidente automobilístico. De repente, um hiato na vida de Eli que, a todo custo, pondo à prova sua força interior, tenta recuperar-se, administrando a perda, em trabalho constante. Passa uma temporada em Salvador, à busca de novos caminhos. Nas viagens para Figueira, um novo horizonte. Eli encontra um modo de viver compatível com suas experiências anteriores e seus anseios, continuando a navegar pelos mares da vida, com esperança e muita fé. Residindo, agora, em Lavras (MG), semanalmente, vem desenvolvendo atividades musicais no espaço coordenado por trigueirinho.

    Eli, por estes dias, está entre nós, vamos abraçar, ver de perto uma das guerreiras da paz que mantém a esperança no paraíso que está dentro de todos nós e que precisa ser (re)descoberto. E como disse, neste jornal, na edição de dez./2001/n° 10: “Pessoas e grupos subindo os degraus da nova consciência contribuem para o estabelecimento de um bem pensar – ecológico e espiritual – na Terra”. Seja bem-vinda Eli. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

REMINISCÊNCIAS - II

RAYMUNDO LUIZ DE OLIVEIRA LOPES

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REMINISCÊNCIAS - I

De Carminha a Elda

“A realidade pessoal de cada um, afinal, não é algo privado: é um fio

que constitui juntamente com os incontáveis outros fios o tecido

que a humanidade toda é.

( Rolf Gelewski)

    N

Elda Prado de Vasconcelos
Santanapolitana
a edição anterior (n° 09/novembro/01), fiz um relato sobre Carminha Bastos, na ideia de resgatar o pioneirismo daquelas pessoas que se adentraram na busca do autoconhecimento.

     Acrescento, agora, algumas notas que ampliam o entendimento sobre o mérito de certos movimentos do passado e sua evolução até os dias de hoje. Primeiramente, um flash na figura de Rolf Gelewski, trazido a esta cidade por Carminha e sua filha Kátia, nos anos 80. Lembro-me das atividades com ele, no espaço da Praça do Nordestino e no Campus da UEFS, quando eu era assessor cultural da DVU, dirigida por Dival Pitombo. Naquele tempo, divulgamos e comercializamos as obras da Casa Sri Aurobindo. Momentos expressivos, de abertura para novos caminhos. Tive a oportunidade de conhecer aquela casa, situada na Pituba, e o Rolf (entre os anos 60 e 70), dançarino e professor da Escola de Dança da UFBA. Ao descobrir os ensinamentos do mestre Aurobindo e de Mira Alfassa (A Mãe), Rolf teve sua visão de mundo ampliada e o seu trabalho atingiu novas dimensões, com vistas ao desenvolvimento integral da pessoa humana. Graças, ainda, a Carminha, teve lugar o trabalho do Prof. Hermógenes num encontro no antigo restaurante Carro de Boi. Oportunidade enriquecedora para todos nós, adeptos de Hatha Yoga. Naquela mesma década, na antiga Faculdade de Educação, Carminha e Kátia organizaram um evento com enfoque em Medicina Natural, Yoga, Tai Chi Chuan. No início dos anos 90, acontece o Primeiro Encontro Holístico de Feira de Santana, no Campus Universitário, uma parceria EARTE/UEFS. Como facilitadores, estiveram presentes César Augusto (quem sabe do seu paradeiro?), Mabel Nascimento, Giovani, este articulista e outros.

Outra iniciativa, nos anos 80, traz a marca da Profª. aposentada Elda Prado, que frequentou o ambiente de Carminha. Mais tarde, Elda dedicou-se, sobremaneira, às tarefas do autoconhecimento, inicialmente com grupos de Yoga, instalando em sua residência o Espaço Oásis. Hoje, em franco desenvolvimento esse espaço oferece vivências, palestras, grupos de estudos, nos vários campos das terapias avançadas. (Organizei lá, alguns anos atrás, grupos de Tai Chi Chuan e estou preparando meu retorno). O Oásis tem possibilitado encontros dirigidos por profissionais de Feira de Santana e de outras localidades, com uma programação diversificada que vem atendendo a demanda feirense. De passagem, registro a confraternização anual, no mês de dezembro. Uma festa de flores e de frutas. Imperdível!!

Os movimentos evocados surgiram como que intencionalmente (concatenados pelas esferas superiores), ao que me parece, numa preparação para o enfrentamento de uma realidade que viria depois tomar corpo, de uma maneira avassaladora. Poluição sonora, visual, do ar, cultura da zoada e do mau gosto, sectarismos, aberrações, violentando os lares, as ruas, as praças.

Do individual ao coletivo, a tarefa é árdua. A compreensão (intelectual/humana) é a palavra-chave neste tempo de intolerância. O projeto de se alcançar diversas camadas da sociedade requer estratégias cidadãs na dimensão física e espiritual. A ação dessa última prevê, é óbvio, a reforma social, contudo, passando, verdadeiramente, por transformações íntimas. A questão situa-se no âmago do Ser.

A compreensão, então, é base para uma nova consciência no planeta “... a compreensão de nossas fraquezas ou faltas é a via para a compreensão das do outro. Se descobrirmos que somos todos seres falíveis, frágeis, insuficientes, carentes, então podemos descobrir que todos necessitamos de mútua compreensão.” (Edgar Morin).

Concluindo, é pertinente que eu me valha da epígrafe que inspira este texto. Juntos, os fios tecem a humanidade que eles próprios constituem. Pessoas e grupos subindo os degraus da nova consciência contribuem para o estabelecimento de um “bem pensar” – ecológico e espiritual – na Terra. Plantar, semear e colher os frutos da bem-aventurança. JUNTAR OS FIOS DE ONTEM AOS FIOS DE HOJE E TUDO ESTARÁ BEM TRANÇADO.

Muita luz! 

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

REMINISCÊNCIAS - I

RAYMUNDO LUIZ DE OLIVEIRA LOPES

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Carminha do Yoga

“Sem dúvidas, lembrar é

uma maneira de amar”

(Chiang Sing) 

Platão definiu reminiscências como aquilo que a alma contemplou numa vida anterior. Disse, ainda, que ao lado dos deuses, a alma tinha a percepção imediata das ideias. Aproveitando, em termos de inspiração, o pensamento do filósofo grego, pretendo, nesse espaço, trazer, do fundo das retinas e do baú momentos significativos de movimentos alternativos que antecederam os atuais. E, quem sabe, com a ajuda dos deuses e guias espirituais, falar de outras vidas e de questões afins. A relação presente/passado/futuro não é casual e, sim, de causalidade.

As circunstâncias da vida ficam retratadas nos lugares por onde as pessoas passam, num entrelaçamento tempo/espaço. As realizações de hoje, ligadas às anteriores pela teia cósmica, já estavam anunciadas e vinham se aproximando, sutilmente, devido a forças universais. Tão delicado o fio que escorre pelos dedos do homem que, às vezes, não se dá conta da reciprocidade entre o mundo espiritual e o físico.

Chamada, antes, de Princesa do Sertão, esta cidade vê-se, hoje, atendida por amplos espaços destinados à aventura do holismo. Como num jardim sempre renovado, flores/animais silvestres inter-relacionando-se para a continuidade das espécies, a movimentação humana consciente promove o desenvolvimento e o surgimento de instituições voltadas para o bem-estar.

Sempre que passo na Praça do Nordestino e vejo-me diante do Miami Shopping (não poderia ser, por ex., Cacto Center?!), recordo-me do que antes ali existia. Recentemente, a divagação foi mais longe e só consegui enxergar a casa, onde morava Maria do Carmo Bastos -, ou, melhor, Carminha do Yoga. Não mais a varandinha, não mais a rampinha, muito menos a salinha de meditação, agora, uma construção avantajada, passarela de agito cotidiano.

Foi naquele final dos anos 70, recém-chegado de Salvador, que retomei a prática do Hatha Yoga. Mais ou menos três vezes, por semana, descia a pequena rampa do que seria uma garagem e me dirigia à sala dos fundos. No instante aprazado, tinha início a aula coordenada por Carminha que, com sua voz aveludada, facilitava a vivência. Instalava-se no ambiente um silêncio levitador e cada um buscava a concentração necessária ao trabalho corpo/mente. A fitacassete – Meditação – soava constante, desenrolava tranquilidade, possibilitando transfigurações. (Guardo cuidadosamente, aquela que adquiri na Livraria Paulinas/Salvador, penso que em 1979). Enfim, todos juntos contribuindo como se fossem elos de uma saudável corrente de prata. No sentido, na ideia, na prática, estavam imbuídos os princípios holísticos ainda que não fosse corriqueiro o uso desse termo.

Os anos foram passando. Os trabalhos, modestamente, iam sendo realizados com determinação e afetividade. Quando em vez, Kátia assumia a aula e, ao seu modo, aplicava as orientações da mãe.

Como disse, anteriormente, a divagação foi mais longe. Justamente, em uma das visitas ao Espaço Oásis. E quem eu vejo? TININHA??!! Nossa...!! (Num relance revi a face de Carminha). Pois é, Teresa Cristina Maciel, a menina Tininha que conheci naqueles tempos, retornando a sua terra natal, com seu esposo, Jacques Maciel. “Como vai Tininha, lembra de mim?” – “Claro.” Respondeu. Pronto, a (re)ligação aconteceu. Recordamos tanta, tanta coisa... De Rolf Gelewski, do prof. Hermógenes, chegando ao projeto do casal –

Universidade Teodinâmica.

 

domingo, 24 de julho de 2022

A CONTEMPORANEIDADE DA DOUTRINA ESPÍRITA

RAYMUNDO LUIZ DE OLIVEIRA LOPES

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“Jamais deixei de existir, nem tu, nem estes condutores de homens: nenhum de nós deixará jamais de existir no futuro” (Bhagavad-Gitâ)


homem em sua rota terrena, tem sido constantemente inquietado por dilemas existenciais geradores de graves conflitos de ordem individual e/ou coletiva. Inteligências brilhantes marcam presença no quadro dos que se podem considerar predestinados para a abertura de sendas libertadoras. A Ciência, a Tecnologia, a Arte, a Religião, a Filosofia vêm contribuindo para entendimento de que a vida tem sentido. A evolução do conhecimento humano resultou em verdadeiro boom – com base no passado, o homem lançou setas do presente para o futuro, algumas, lamentavelmente, contra ele próprio. Se de um lado, estabeleceram-se modelos e práticas, reducionistas/separatistas, de outro, o gênero humano, mesmo que uma parcela, enveredou por trilhas mais conjuntas, o que possibilitou, posteriormente, um adentramento na espiral holística. O século XIX traz paradigmas, alguns já ultrapassados – pilares rígidos e imediatistas, outros, vanguardeiros, seguindo o fluxo cósmico/social. O Positivismo (August Comte) marca, sobremaneira, as elites culturais. O Marxismo (Karl Marx), com a teoria da luta de classes, mostra a desigualdade entre o capital e o trabalho. Freud, com a psicanálise, revoluciona os estudos sobre o psiquismo humano; mais tarde, superado, em algumas de suas posições, por Jung, que avança no conhecimento da alma humana, inclusive, trazendo novas questões sobre o inconsciente pessoal e a tese do inconsciente coletivo. Einstein traz a teoria da relatividade, ampliando a visão do universo. Helena Blavatsky, iniciadora da Teosofia, condutora para a compreensão da relação homem/divindade, Charles Darwin alarga os horizontes da Biologia. A Revolução Industrial provoca transformações sociais e O econômicas. Nesse caldeirão efervescente de idéias, em 03/10/1804, nasce o professor Hipollite Léon Denizard Rivail, em Lion/França. Posteriormente, Allan Kardec - O Codificador da Doutrina Espírita – nome adquirido com o advento do Livro dos Espíritos, em 1857. A obra de Kardec veio confirmar a antiga tese da vida após a morte, mostrando que, nem os espíritos, nem os fenômenos mediúnicos, nem a reencarnação são frutos da Codificação. O que diz respeito ao universo da matéria e do espírito, à sobrevivência da alma em suas várias dimensões e existências está delineado nos corredores da humanidade. Numa (re)leitura do espiritismo, podemos afirmar que ele conduz uma verdade que não exclui as demais. Nossa vivência leva-nos a crer que o conhecimento espírita abre perspectivas para a evolução consciente com o outro, sem abandonar alternativas diversas que privilegiam posturas de (re)ligação, de inclusão. O espiritismo é um novo olhar sobre o mundo, a vida terrena e extraterrena. Revela a todos, através de fatos/fenômenos, “a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações com o mundo corporal”. Não tem dogmas, nem rituais. Há, sim, princípios que o sustentam, tendo como base a Ciência, a Filosofia e a Religião: Existência de Deus, Imortalidade da Alma, Reencarnação, Esquecimento do Passado, Comunicabilidade dos Espíritos, Fé Raciocinada, Lei da Evolução, Lei Moral. Confirmados os princípios, a revelação espírita mantém-se firme, de pé, apesar de tentativas inquisitoriais. Atualizando o Evangelho, sugere ao homem mudança de atitude com uma proposta de reforma íntima, caminho para a melhoria da sociedade. Por isso, a necessidade de otimização das condições evolutivas da alma encarnada e vivente no seu meio social é uma questão crucial. A Doutrina apresenta valores permanentes da vida, sempre atuais, construtores de uma satisfatória democracia, com base na liberdade responsável e consciente que é, em outras palavras, o exercício pleno do livre arbítrio. Nesse caminho, conhecimento e moral devem andar juntos, de mãos dadas. Ser espírita é não aceitar o rótulo de conformista, sofredor feliz com sofrimento, passivo diante dos desajustes sociais, mas, Ser Consciente na superação de provas e expiações, usufruindo do dom da vida, utilizando da melhor forma a oportunidade reencarnatória, criando momentos de felicidade (com)partilhada, vencendo os entraves humanos: a inveja, a raiva, o egoísmo, a vingança, a intolerância (que tanto assola, ainda, as civilizações). Praticar a caridade, iluminando o seu olhar para o outro e para o mundo, autotransformando-se na comunidade da qual faz parte, numa busca de justiça e paz social, preparando-se para o futuro, conjugando o verbo AMAR: “O amor é o eterno fundamento da educação”(Pestalozzi). “Amar é uma tarefa de crescimento, é a razão básica da vida no planeta Terra, que é regido pela Lei do Amor” (Aídda Pustilnik). E como disse, de outra forma, Elda Prado: construir “um mundo muito mais igual onde todos entendam que viemos de uma mesma FONTE e por isso somos todos irmãos". A reforma social de que tanto se fala não é possível sem a reforma interior da criatura humana – educando-se, espraiando e vivenciando os ensinamentos científicos, tecnológicos, artísticos, sem abdicar da sabedoria popular, das tradições espirituais contidas nos livros sagrados da humanidade, nos quais o ensinamento espiritista está presente. O transcender, então, é algo interno do homem – de dentro para fora, numa postura (re)conciliadora, de (re)construção. Afinal, lembremos Tiago: “... assim como o corpo sem espírito é morto assim também a fé sem obras é morta”. Outubro 2001.

quinta-feira, 14 de julho de 2022

APRESENTAÇÃO

RAYMUNDO LUIZ
 

Em 2001 surge “CorpoMente – jornal holístico-transpessoal” que veio, não resta dúvida, acrescentar à cultura feirense uma outra visão, sem criar conflitos com a realidade nordestina. Assim é que entre março/2001 e dezembro/2005 a cidade viu-se envolvida pela dinâmica desse periódico e, como disse a instrutora de Yoga, Elda Prado

em entrevista ao editor André Pomponet: “Gosto de partilhar e o jornal CorpoMente tem oferecido esta oportunidade”. Lembrou ainda que “a expressão oral se dilui, enquanto que a palavra impressa é sempre objeto de uma reflexão mais profunda.”[1].

 

Mais adiante, em 2003, afirmamos que “A ideia de uma publicação que fosse porta-voz de novos paradigmas (Corpo/Mente/Espirito, sem dualidades) torna-se visível a partir de 2001, com o Jornal CorpoMente, precisamente em março, com inicialmente, oito páginas. Agora, ao completar dois anos de existência, este periódico tem uma média de doze a dezesseis páginas. Bem aceito na cidade, consolida a proposta de superar vontades monolíticas e fragmentistas, divulgando artigos, experiências, vivências, etc, tendo em vista o ser humano como um fenômeno pluridimensional.”

 

Dando um salto no tempo, chegamos a 2022, onde as tecnologias continuam avançando celeremente. Se o nosso jornal, ora em foco, fosse editado, hoje, certamente, não mais o veríamos em páginas impressas e, quem sabe, esquecido numa prateleira de biblioteca (Contudo não estou me opondo à continuidade de obras nesse formato). Estaria, sim, apresentado em blogs, sites, portais e encaminhado através de links, atingindo um número incalculável de pessoas, grupos etc.

As plataformas digitais constituem um avanço no mundo atual, logo, acompanhando-o, transformamos nossos textos divulgados no CorpoMente, durante o período já citado, para a versão eletrônica, em inglês, e-book.

NB: clique em e-book grifado acima e abre a versão atual eletrônica



[1] CorpoMente, n. 10, dez.2001, p.13

Filme do Santanopolis dos anos 60