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FOTO OFICIAL DO ENCONTRO

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Mostrando postagens com marcador Marilton Carvalho. Mostrar todas as postagens
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domingo, 30 de outubro de 2022

1968 — ANO DE REPRESSÃO

MARILTON MOREIRA DE CARVALHO
 

   Início de 1968, quatro anos de golpe militar, repressão total, eleições indiretas, nas capitais e cidades grandes os militares nomeiam os prefeitos. Cidades menores, como Feira de Santana, têm eleições diretas manipuladas, os concorrentes são do MDB de oposição, da ARENA, aliado do governo. Políticos e qualquer um que seja contra o regime são presos e torturados. Estudantes, na maioria universitários, também sofrem represálias, sem nenhuma justificativa, apenas por serem contra ou pensar diferente daqueles que apoiam os militares.

    O país ainda era muito atrasado. Telefones, em Feira de Santana, só com auxílio da telefonista, o sujeito solicitava a ligação para outra cidade e levava até dois dias para concluir, quando conseguia. A BR324, Feira/Salvador, tinha apenas uma pista. Os carros eram duros, direção “queixo duro”, caixa de marcha sem sincronização, pneus frágeis. O Fusca, da Volkswagen, é o carro de todos. O Aero Willys, Simca Chambord ou o Willys Itamarati, o mais luxuoso, com detalhes em jacarandá, eram os carros dos ricos. Estavam começando a aparecer nas cidades grandes os primeiros Galaxie, o carro de luxo Ford, imponente, grande, direção hidráulica, câmbio com alavanca no volante. As bebidas eram conhaque Dreher, cuba libre, Bacardi, daiquiri, batida de limão e cervejas Brhama ou Antarctica. Os mais ricos bebiam uísque, oito anos, House of Lords, Black&White ou Grants, a maioria contrabandeados de Paramaribo. A indústria nacional produzia o Drury s e Old Eight.

Na televisão, apenas dois canais, Aratu e Itapuã. Funcionavam das quatro horas da tarde até a noite. As programações eram pequenas, e em Feira de Santana o sinal das TVs chegavam com péssima qualidade. Rádio, só AM.

 
Trecho do livro: 100 ANOS DE AMOR, PAIXÃO E SEXO. "Coisas do amor" LUXÚRIA.

     

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

ARTUR, TRANSFERENCIA PARA SALVADOR II - 1967 (final)

MARILTON MOREIRA DE CARVALHO

ARTUR, TRANSFERENCIA PARA SALVADOR I- 1967


   Sempre na mesma rotina de ida e volta do colégio, duas semanas haviam se passado e nada de Artur encontrar Ângela. Ele já estava impaciente. Um dia, na terceira semana, perto das seis horas da tarde, ele chega ao ponto, vê que ônibus está lotado e decide esperar o próximo. Nisso, quem aparece? Ângela, Suely e outra colega, Claudia.

          Cumprimentam-se, com beijinhos, Ângela apresenta a amiga, e, toda alegre, puxa assunto. Ele não perde a oportunidade. Passa outro ônibus superlotado, então eles decidem ir andando e conversando, os quatro pelo Corredor da Vitoria até a Graça. O tempo passa rápido, assunto não falta, férias, estudos, tudo o que fosse possível conver­sar durante o percurso. Despedem-se e combinam de, na quarta-feira, um esperar pelo outro. Claudia morava no Largo da Graça, e, como já era noite, ele se prontificou para levá-la até em casa. Ela era encantadora.

Quarta-feira, mesmo itinerário, mais uma vez resolvem voltar para casa caminhando, as duas andam na frente, Artur e Ângela seguem conversando, mais atrás. Papo bom, os dois no segundo ano científico, com a mesma idade, ele vai fazer dezesseis anos em maio, e ela, em novembro.

Ficam sabendo que eles têm os mesmos objetivos, cursar medicina ou odontologia, estudar bastante e se preparar para o vestibular. Ângela sabe que é muito difícil e o índice de aprovação do colégio em que ela está estudando não é muito bom. Ele sugere que vá para o Vieira, e ela confirma que estava pensando mesmo no Antônio Vieira. Um amigo dela, que acabara de prestar vestibular para Direito, estudou lá e foi aprovado em ótima colocação na Federal.

Ângela e Artur ficaram bons amigos, tiravam dúvidas de alguns assuntos das matérias. Ele era muito bom em química e biologia, e ensinava a todas e todos quando era solicitado. Sempre muito prestativo e educado, logo criou amizade com todas as amigas e colegas de Ângela, e, assim, começou a frequentar algumas festinhas em casas.

Certo dia, em uma festa na casa de Carol, ele foi apresentado a Felipe, o namorado de Ângela. Tomou um susto, ela nunca tinha falado nele. Ou era aquele amigo que linha passado de primeira no vestibular de Direito da UFBA? Sim, era o próprio. Ficou Pensativo: “por que ela nunca falou que tinha um namorado? Bom, eu nunca perguntei”. Também nunca tinha falado das suas namoradas. Será que deixou o tempo correr e perdeu a oportunidade, e o tal Felipe foi mais rápido?

Artur não perdeu o encanto, continuou sendo atencioso e delicado com aquela menina linda.

Numa outra festa, na Cabana da Barra, Ângela estava de bombeira, sem Felipe. Artur tinha tomado uns dois ponches, e, quando começou a tocar uma música lenta, ele a chamou para dançar. Ela aceita, ele tenta dançar mais junto, ela trava, ele insiste, a luz esta bem escura, ele com as mãos atrás das costas dela, ela com as mãos em seu ombro, como se fosse uma trava. A música está quase acabando, ele tenta mais uma vez, a música acaba, ela pede para parar. Os dois se olham, mas não falam nada, ele vai pegar mais um ponche.

Outra música lenta, Artur convida Claudia, que há muito tempo lhe paquerava. Dançam coladinhos, as pernas dela roçando na sua, logo ficou armado, começou a cochichar no ouvido dela, dançam mais outra música, e mais outra, até que toma coragem e pede para conversarem fora da pista de dança, onde alguns casais estavam namorando. Começaram os primeiros beijos e abraços. Ângela observava de longe, fazia de conta que estava achando ótimo ver os amigos namorando.

No domingo, Claudia ligou convidando para assistir, com alguns amigos, ao filme "Dio como te amo”, no Cine Liceu, próximo a Praça da Sé. Muitos beijos, pouco filme, depois foram todos à Cubana, em cima do Elevador Lacerda, onde está a vista mais bonita da Baía de Todos os Santos. Tomaram sorvete e voltaram para casa.

    O namoro estava indo bem, ela sempre muito atenciosa, ele sempre a acompanhava cm todos assustados e festas. As carícias começaram a ficar mais quentes no playground do prédio em que ela morava. Poucas lâmpadas ficavam acesas e o zelador ia embora às seis horas da tarde. A mão corria solta, ela gostava, às vezes impedia alguma carícia, mas não resistia, inicialmente deixou que passasse a mão nos peitos sobre a blusa, depois foi liberando por baixo do sutiã, seios pequenos, duros e com o bico olhando para cima, deliciosa, pensava ele, excitadíssimo. Estavam namorando há mais de três meses, ela aparentemente apaixonada e ele gostando, menina bonita, bem entrosada, era tudo de bom, mas quem ele queria mesmo era Ângela. Enquanto não conseguia alcançar o seu objetivo, Claudia também não deixava por menos, e o namoro se tornou mais quente do que de costume. Na escada do prédio, namoravam até às dez e meia, a cada dia ficava melhor, a cada dia esquentava mais.

Trecho do livro: 100 ANOS DE AMOR, PAIXÃO E SEXO. "Coisas do amor" LUXÚRIA.
 

terça-feira, 4 de outubro de 2022

ARTUR, TRANSFERENCIA PARA SALVADOR I- 1967

MARILTON MOREIRA DE CARVALHO


     O principal objetivo de Artur eram os estudos. Fazia as tarefas de casa com responsabilidade, ele sabia o que queria. Estava concluindo a quarta série ginasial, e depois seria transferido para Salvador, para fazer o científico no Colégio Antônio Vieira. Não tinha dúvidas, queria ser médico. Mas, enquanto esse dia não chegava, nas horas vagas adorava um baba no colégio, no Tênis ou no Cajueiro, os clubes sociais da cidade. Era bom de bola, todos o queriam escalar para seu time.

 Vadinho e Laurinha foram a Salvador matricular Artur no Colégio Antônio Vieira. Inicialmente, haviam pensado em colocá-lo no internato do Maristas, mas a irmã de Laurinha Amanda, e Antônio Peixoto, seu marido, que moravam na Rua Oito de Dezembro, na Graça, não permitiram. O apartamento deles não era grande, mas tinha três quartos e poderiam colocar os dois filhos, Paulinho e Carlinhos, de oito e dez anos num quarto, e Artur, em outro. Era um prédio de três andares, sem elevador, sem garagem, apenas um banheiro por apartamento. Mesmo acostumado com casa grande e ampla, com vários quartos, grandes áreas e jardins, no início parecia um pouco desconfortável,  mas logo Artur se acostumou.

No início, ia a Feira de Santana apenas de quinze em quinze dias, tinha seus amigos, suas paquera e namoradinhas. Adorava ir para casa, podia dirigir o carro do pai, ir às boates sempre tinha um assustado, uma festa surpresa, com radiola na casa de alguém conhecido. Na cidade, todos se conheciam, e o acesso aos clubes era quase livre.

O ensino no Vieira era muito puxado, nem sempre era possível deixar de estudar nos finais do semana. Tinha provas e testes todas as semanas, mas, mesmo assim, Artur se organizava para ir à sua cidade.

Como era apaixonado pela bola, fazia parte do time de futebol de salão do colégio e da turma da rua Oito de Dezembro. Iam até as areias do Porto da Barra ou do Farol, logo se entrousou com os colegas. No início, sua tia não permitia que saísse á noite, era muita responsabilidade, um menino com apenas 15 anos, que pouco conhecia a capital, mas com tempo foi pegando confiança, permitia que fosse jogar babas até às dez da noite.

Na verdade, o bom era ir a Feira de Santana, festas, boates, carros, garotas para paquerar e muitas namoradas . Artur era desejado por todas, bonito, estudioso, família boa, conversa boa, enfim, um bom partido, mas ele não queria nada sério. Seu Vadinho sempre lhe chamava a atenção. “Engravidando ou não, tem que se casar, e aí, todos os seus planos irão por água abaixo, namorada não é para comer../’.

Com novas amizades em Salvador, do colégio ou do bairro, mesmo sem ser sócio conseguia o ingresso para entrar na Associação Atlética. Inicialmente, para bater o baba, e depois para as festas de final de semana e para a boate. Conheceu algumas garotas, algumas paqueras, mas nada de namoro firme.

Para ir ao Colégio Antônio Vieira, pegava um ônibus na Rua da Graça que o levava até Campo Grande, e de lá ia andando até o Bairro do Garcia, no horário da tarde.

Quase sempre voltava andando até o Palácio dos Cardeais, no Campo Grande, e pegava um ônibus de volta para a Graça, mas, se encontrasse algum colega, voltava pelo Vale do Canela a pé.

No ponto de ônibus do Campo Grande, ficou impressionado com a beleza de uma garota. Morena clara, cabelos lisos e compridos, olhos castanhos bem clarinhos, corpo torneado e rosto muito bonito, alegre, quando sorria mostrava todos os dentes, aparentava 15 aninhos. Ele a via às segundas, quartas e sextas, sempre acompanhada de outra garota, branquinha e de cabelo um pouco louro, algumas sardas, bonitinha. Aguardavam o ônibus do Campo Grande para Graça, desciam no mesmo ponto que ele, atravessavam a rua e entravam na Rua da Flórida. Um dia, resolveu segui-las, para ver onde moravam, e viu a morena linda entrar em uma casa de dois andares, e a lourinha em uma casa em frente. Ficou ansioso para chegar o dia de encontrar novamente com aquela coisinha linda, alegre e risonha, afetada, brincalhona, que fazia de conta que ele não existia. Passou mais de três meses só observando as meninas. Já sabia os nomes, o da morena era Ângela e o da colega, Suely. Um dia, tomou coragem e puxou conversa, estava próximo do final do ano, as aulas estavam acabando.

—      E aí, tudo bom? Seu nome é Ângela?

Ela sorriu e confirmou com a cabeça.

—      Como você sabe?

—     Há mais de três meses pegamos o mesmo ônibus, e sempre que possível me sento próximo de vocês.

Uma olhou para a outra, sorriram, gargalharam. Ele perguntou onde estudavam, afirmou que sabia que estudavam inglês no EBEC.

—      Estudamos o primeiro ano do científico nas Sacramentinas — respondeu Suely.

—      Eu também faço o primeiro ano, no Vieira.

Desceram do ônibus, foram seguindo a pé até a entrada da rua da casa delas, e depois ele desceu a Oito de Dezembro, feliz da vida, tinha dado certo, mas infelizmente ou felizmente o ano estava acabando, e teria que passar as férias em sua cidade, reencontrar a família. Só retornaria no início de março, quando recomeçariam as aulas.

As férias em Feira foram adoráveis, clubes, festas no Largo da Kalilândia, festa de Santana, lavagem da Lenha, procissão de Santana, carnaval em Serrinha, babas quase todos os dias, no Tênis ou no Cajueiro, banhos de piscina, sinuca, alguns dias na fazenda com toda a família ou simplesmente acompanhando Vadinho e Dedé em cavalgadas, ferrando o gado, pescando, caçando. Às segundas-feiras, acompanhava o avô ao Campo do Gado, e, às vezes, à Fazenda Pé de Serra. Passava algumas tarde no armazém, tinha o carro à disposição todas as noites, muitas namoradas, algumas idas ao brega, algumas aventuras mais apimentadas, foram dias inesquecíveis.

Mas tudo que é bom, acaba. Tinha que voltar para Salvador, para o apartamento da tia Amanda. Estava com saudade dos estudos, dos primos Pedrinho e Carlinhos, da praia, do baba e, principalmente, do ônibus e da paquera das segundas, quartas e sextas-feiras.  Pensava em Ângela. “Será que ela está com saudades?”

Segunda-feira, primeiro dia de aula, muitas tarefas para casa, o professor de física avisa:

 "não podemos perder tempo, temos que começar logo”. Volta pelo mesmo caminho de sempre, a pé até o Palácio dos Cardeais, pega o ônibus para a Graça, mas Ângela não está lá. Desce na Graça, decide ir até a Rua da Flórida, onde mora agarota linda, passa pela porta da casa, que está fechada e com a luz da sala acesa, mas não encontra nem Ângela nem Suely. Chega ao prédio, Pedrinho e Carlinhos estão brincando de bola no playground, brincam um pouco, ouve mais histórias das férias deles na ilha de Itaparica, encontra com alguns colegas de pelada, conversam, Cada um conta suas aventuras das férias e finalmente combinam de bater um baba tu próxima quarta-feira.

(Continua em o reencontro)

Trecho do livro: 100 ANOS DE AMOR, PAIXÃO E SEXO. "Coisas do amor" LUXÚRIA.

 


domingo, 21 de agosto de 2022

EVOLUÇÃO DOS TEMPOS

MARILTON MOREIRA DE CARVALHO
 

    No início do século, as mulheres não depilavam as axilas, não cortavam os pelos pubianos nem raspavam as pernas. A lâmina de barbear era artigo raro, poucos tinham acesso.

O único método contraceptivo que existia era a camisinha, mas também não era para todos, apenas os mais esclarecidos e endinheirados. A venda era feita nas farmácias, onde até os homens, para adquiri-las, solicitavam com a voz baixa, para ninguém saber. Aborto era crime, as leis proibiam, a igreja excomungava e a sociedade discriminava. Ninguém tinha coragem de fazer, as mulheres tinham que ser de um homem só, sempre.

Não existiam absorventes, as mulheres usavam pequenas toalhas para conter o sangue nos períodos menstruais. Os partos aconteciam naturalmente, nada de cesa­riana. A mortalidade de mulheres em consequência de partos problemáticos era muito alta, não existia penicilina, e, quando aparecia alguma infecção, logo ela se complicava.

Os sabonetes eram feitos de coco, sem perfume. Talco era a única opção que as mulheres arranjavam para ficar cheirosas. Perfume francês era o único que prestava, mas era uma raridade, só os ricos tinham acesso, quando traziam de uma viagem a Paris ou ao Rio de Janeiro.

As mulheres casadas pouco menstruavam, engravidavam logo nas primeiras re­lações. Durante a amamentação, não havia período menstrual. Quando o leite estava desaparecendo, recomeçavam os períodos férteis, e não dava outra, engravidavam novamente. Por isso, as mulheres menos esclarecidas ou os maridos mais constantes em casa tinham muitos filhos.

Carro era um bem que poucos privilegiados possuíam, e as bicicletas também eram raridade. Uma novidade apreciada por todos eram as bolas de futebol, que eram feitas de lona e muito pesadas. Nessa época, escrevia-se com caneta tinteiro. Poucos tinham máquinas de escrever na cidade, geralmente apenas os doutores e o jornal.

Fogão era a lenha, geladeira e rádio poucos possuíam, e era péssima a transmissão, em ondas curtas ou longas, fosse do Rio de Janeiro ou de Londres, pela BBC. Difícil era ouvir o que falavam, as músicas tocadas nos rádios eram de programas de auditório ao vivo, poucas emissoras possuíam gravadores para retransmitir. Discos também eram raríssimos, e a vitrola tinha corda.

Telefone, na Princesa do Sertão, só era encontrado em algumas poucas casas e escritórios. Artigo bem raro e difícil, o melhor era ir até o posto telefónico e aguardar para receber ou fazer ligações, que eram caríssimas. A maior parte da comunicação era feita através de telégrafo, telegramas ou cartas, que levavam dias para chegar ao destino.

Trecho do livro: 100 ANOS DE AMOR, PAIXÃO E SEXO. "Coisas do amor" LUXÚRIA.

sábado, 25 de junho de 2022

CASSINO IRAJÁ

MARILTON MOREIRA DE CARVALHO

Cassino Irajá 

   Localizado na entrada da Rua do Meio, inicialmente foi idealizado para ser um Cassino com roletas e vários tipos de jogos de azar, mas logo no início do governo do presidente Dutra saiu o decreto proibindo todos os jogos de azar no Brasil. Foi uma quebradeira total, muitas cidades viviam exclusivamente do turismo das casas de jogos. Na Bahia, as casas Cipó e Itaparica eram as mais concorridas, mas foram todas fechadas. Oscar Tabaréu, o proprietário do Cassino Irajá, logo teve a ideia de transformar tudo, e imediatamente a casa foi remodelada para atender homens que gostavam de dançar, beber, ouvir boa música e apreciar lindas mulheres.

Foto: Feira em História - O cassino Irajá
     Às dez da noite, a casa estava cheia, com homens bem vestidos, de paletó e gravata, todos admirando as raparigas escolhidas a dedo pelo proprietário da casa, senhor Oscar Marques. Importadas de várias cidades do Brasil, elas eram treinadas a falar o “portunhol”, para que todos acreditassem que elas tinham vindo da Argentina ou do Uruguai, pois isso valorizava o produto. Todas eram mulheres lindíssimas, cheirosas, bem tratadas, sempre com cabelos arrumados, unhas pintadas e bem vestidas.

Ótimas dançarinas de tango, rumba, samba, bolero etc., faziam a alegria de todos, que dificilmente saíam antes de o sol raiar. Na pista de dança, que tinha ao fundo uma orquestra com muitos metais e um cantor que animava o ambiente, Com luzes coloridas para cada ritmo, ninguém ficava parado. Bebendo champanhe, vinho ou conhaque, era na alegria só. Alguns se excediam nas bebidas, outros se apaixonavam pelas raparigas, e aqueles mais apressados, em poucos minutos, as levavam para um quarto ali mesmo.

Oscar Marques, conhecido
 como Oscar Tabaréu.
O Cassino Irajá era frequentado por homens da cidade e de toda a região, funcionários públicos graduados, juízes, médicos, advogados, engenheiros do DNER que estavam empenhados na construção das estradas de rodagens, Feira/Salvador, Rio/Bahia e as demais da região. Quando acontecia o pagamento dos salários, o cabaré enchia. As mulheres corriam para a loja do senhor Ruy, para adquirir novos tecidos e ficarem ainda mais lindas. Muitos frequentadores do Cassino iam lá apenas para apreciar a boa música e dançar, ali era o único canto da cidade onde todos os dias do ano havia uma orquestra e mulheres que sabiam dançar, e que deixavam os homens perdidamente apaixonados.

Vadinho e seus amigos eram frequentadores assíduos, e, mesmo quando não tinham dinheiro para levar uma das garotas para o quarto, apareciam no recinto para dançar ou apreciar a beleza feminina. Tomavam umas doses de Bacardi e ficavam ali a noite a toda. Quando levavam para o quarto, geralmente era alguma recém-chegada, queriam ser os primeiros. Difícil mesmo era não se apaixonar por uma delas.

De vez em quando, Dedé aparecia no Cassino, pedia uma garrafa de champanhe, bebia poucos goles, deixava a moça beber à vontade, dançava um pouco, antes da meia-noite a levava para o quarto, fazia o serviço e voltava para casa. Gostava muito de mulheres, mas pouco de raparigas. Quando Vadinho via o carro do pai na porta do Cassino ou nas proximidades, sabia que ele havia entrado e partia para outra casa.

Ruy, muito reservado, como sempre, nunca frequentou o Cassino Irajá, mas a chefe das raparigas do cassino, dona Celia, levava as moças na loja e apresentava ao senhor Ruy, que não podia ver um rabo de saia. Ele sabia das suas responsabilidades com as duas mulheres, principalmente Bela, que era bastante exigente e não admitia que ele se deitasse com outra mulher sem que fosse ela ou a esposa. Mas, aos cinquenta anos, Ruy não resistia uma carne nova, principalmente quando via um traseiro avantajado e seios pequenos, na loja, depois das cinco horas e quarenta minutos, fechava as portas por d3entro e fazia orgias com as moças apresentadas. Depois presenteava as felizardas com um bom corte de tecidos.


Trecho do livro: 100 ANOS DE AMOR, PAIXÃO E SEXO. "Coisas do amor" LUXÚRIA.  


Filme do Santanopolis dos anos 60