Símbolos do Santanópolis

FOTO OFICIAL DO ENCONTRO

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segunda-feira, 23 de maio de 2022

IMAGEM ANTIGA

Williane, filha de meu compadre Wilson Carneiro, enviou esta foto, quando da inauguração da bela loja de departamento “DeCarneiro”. Na foto da esquerda para a direita vemos: Martiniano Carneiro, o anfitrião; Joselito Amorim, na época prefeito de Feira de Santana e Áureo filho. Foto do início da década de 60. 

domingo, 31 de outubro de 2021

MARTINIANO CARNEIRO- Primeiro Presidente da AFL



 


       Se fosse vivo, o jornalista Martiniano da Silva Carneiro, nosso primeiro presidente, estaria completando 118 anos. Cidadão dos mais tradicionais de nossa cidade, fundador do Jornal Folha da Feira, recebe nossa homenagem através da reprodução de artigo publicado, em 2004, na Revista número 1 do Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana, assinado pelo acadêmico Milton Pereira de Britto. Além disso, após o artigo, reproduzimos cabeçalho da primeira página de n. 4 do jornal FOLHA DA FEIRA, datado de 13 de outubro de 1928. Martiniano, aos 25 anos, foi seu fundador e proprietário. 
 

MARTINIANO (*)

Milton Pereira de Britto – Procurador Jurídico do IHGFS

    Nascido em 19 de outubro de 1903, na Cidade de Feira de Santa- Bahia, filho de Cirilo da Silva Carneiro e Maria Carneiro, residiu em sua cidade natal até o seu falecimento em 12 de Maio de 1984. Após frequentar a escola primária e ter uma formação estudantil básica, notabilizou-se pela formação autodidata, acumulando amplo conhecimento cultural, intelectual e profissional, exercendo as profissões de tipógrafo e jornalista, tendo trabalhado durante muitos anos no Jornal Folha do Norte, do que tinha imenso orgulho, principalmente, por ter trabalhado, sob a orientação do Cel. Arnold Silva, figura das mais ilustres deste Município, com quem aprendeu a profissão de jornalista. Foram seus irmãos: Virgílio da Silva Carneiro, Inocêncio da Silva Carneiro, João da Silva Carneiro, Etelvina Carneiro, Lídia da Silva Carneiro, Joana da Silva Carneiro e Luiza da Silva Carneiro. Do seu casamento com Semírames Cerqueira Carneiro, nasceram seis filhos – Wellington, Wilson, Washington, Waldemiro, Wilma e Walter. Após trabalhar durante anos na Folha do Norte, fundou o Jornal FOLHA DA FEIRA, de linha ideológica apolítica, onde contou com a gloriosa e sábia colaboração de Gastão Guimarães, escrevendo e publicando neste, matérias de relevância e reconhecimento nacional, a exemplo de diversos artigos sobre o líder político, carioca e brasileiro, Carlos Lacerda, no Jornal Folha do Norte e outras, a exemplo do que escreveu sobre a peste bubônica, que assolou Feira de Santana, de forma intrépida e ousada, como se pode verificar pela manchete – “Enquanto os governos viajam e descansam e a saúde pública dorme, a peste bubônica pretende devorar a população da Feira pouco a pouco”. – “Na madrugada passada morreram só na Praça Fróes da Mota, quatro pessoas. Lamentavelmente sua Excelência, o Presidente da República (Getúlio Vargas) encontrava-se em Petrópolis; o Eminente Interventor da Bahia (Juraci Magalhães) na Ilha de Itaparica e os Ministros da República e o Secretário de Saúde, em suas Fazendas e casas de campo”. Após e por consequência destas matérias, vieram à Feira de Santana, decorridos três dias da publicação, equipes da saúde pública com médicos e enfermeiros, momento em que os Gestores Públicos solicitaram a Martiniano para acabar com a campanha que entendiam denegrir o Poder Público, obtendo a resposta de que o Jornal era apolítico e apenas divulgava notícias de fatos concretos com responsabilidade profissional.

    De cultura vasta, oriunda de incansáveis leituras de autores clássicos, dominava bem a língua portuguesa, expressando-se castamente, sendo elogiado por tal postura por seus contemporâneos, inclusive por Gastão Guimarães e Arnold Silva. Tinha excelente oratória, apesar do seu comportamento introspectivo, sendo de rica memória, decorava com facilidade os discursos do velho caudilho Getúlio Vargas, repetindo os seus pronunciamentos com postura de voz semelhante ao do Presidente, muitas vezes repetidas no Prédio da Filarmônica 25 de Março, reproduzindo os discursos IPSIS LITTERIS, sendo bastante aplaudido, motivando risos em momentos de descontração. Residiu durante quase toda a sua existência numa casa na Rua Mal. Deodoro, localizada no imóvel que se encontra hoje vizinho ao prédio dos Correios.

    Amante da boa música, ali em sua residência, podia-se ouvir os melhores discos de música popular brasileira, sendo fã ardoroso do elegante Carlos Galhardo, de quem ouvia repetidamente as músicas – Salão Grenar e Fascinação.

    Participou de diversas instituições, a exemplo da Maçonaria, Rotary Club e Euterpe, participando da reconstrução desta, sob o comando do saudoso João Pires. Nunca faltou aos Eventos Culturais promovidos em sua Cidade, convidado, por muitas vezes, pela Academia Feirense de Letras e pela Academia de Letras e Artes, de Feira de Santana.

    Repetindo referências do nobre professor Oscar Damião de Almeida, pode-se dizer deste – “Cidadão dos mais urbanos e dignos, conhecido em toda a Feira de Santana à qual ele consagrou seu trabalho e amor do seu iluminado viver”.

______________________________

[*]Esta matéria foi colhida através de uma Entrevista Informal, com o filho de Martiniano, Washington Carneiro (TONTON), que conta com orgulho da existência do seu saudoso pai.


Publicado na Academia Feirense de Letras em 24 de outubro de 1921.


segunda-feira, 19 de abril de 2021

DA SÉRIE MARTINIANO E FILHOS - MIRINHO

    Martiniano recebe convite de formatura da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (UFBA), remetente Maria Lúcia Sampaio de Oliveira, minha irmã. Martiniano feliz, pois as famílias eram muito unidas, os Carneiro e os Oliveira, tanto meu pai Áureo Filho quanto Martiniano, éramos vizinhos da Marechal, principalmente eu, fui amigo de todos, inclusive compadre de Wilson (Issinho), perdurando por toda a vida deles.

         Voltemos ao convite. Martiniano e D. Semíramis (D. Semi), parabenizaram meus pais e logicamente Lúcia a formanda, tudo dentro dos sinceros conformes.

         Martiniano mais tarde lembrou que seu filho Mirinho deveria estar também se formando, fez vestibular junto com Lúcia, no mesmo ano. À noite perguntou a D. Semi, se Mirinho também não ia se formar e porque não ia participar da formatura, ela respondeu que não sabia, vamos esperar por ele que vem no final de semana para casa, Mirinho estava “estudando” em Salvador. D. Semi, estava desconfiada que o problema era sério, mãe intui catástrofe na família.

         Catástrofe era a terminologia adequada, quando Martiniano ficava bravo, contrariado ficava furioso, era um pai estremoso, mas os meninos não eram fáceis, principalmente Tonton.

Vamos fazer um hiato para exemplificar como era esta ira de Martiniano. Certa vez em uma segunda-feira, a Marechal era um dos centros da enorme feira, um mundo de gente em volta do buraco escavado para colocar um tanque de combustível de uma bomba de gasolina que Martiniano estava instalando, Tonton e Mirinho estavam em luta corporal. Depois de acabar com a briga e tocar os “galos de briga” para dentro de casa, passou a responsabilizar D. Semi, pela educação dos filhos, de forma teatral, discursando alto, os passantes ouvindo aquela peroração, paravam na porta da loja. Quando D. Semi, com aquela paciência que só os sábios chineses tem, foi até a porta e disse “gente eu não traí Tino (como ela chamava Martiniano), é só sobre a educação dos filhos”, o povo envergonhado dispersou e Martiniano caiu em si, e depressa foi para o fundo da loja, ela sabia lidar com o marido.

         Mas voltemos a catástrofe que se avizinhava. Mirinho nunca passou no vestibular, não que faltasse capacidade, mas seu foco era futebol, fez três vestibulares, filava os cursinhos, e quando assistia às aulas ficava desenhando, fazia isto muito bem, outra das suas qualidades que foram importantes na sua futura tipografia junto a seu irmão Waltinho.

         D. Semi, para evitar um problema maior, deportou Mirinho para o Rio de Janeiro, indo morar com o irmão Etinho.

         Martiniano levou um tempo resmungando com todos os traidores da sua autoridade. Quando recebeu o “Jornal dos Sports” Rio de Janeiro, comentando jogo do Flamengo x São Cristóvão na Gávea, o texto ressalvava “uma promessa do São Cristóvão, o meia Mirinho”. Em seguida o repórter do mesmo jornal noticia o convite do Flamengo para treinar no rubro-negro.

         Flamenguista doente (pleonasmo kkk), Martiniano, não só perdoou, como ligou incentivando a possível nova carreira, entusiasmado, mostrava o jornal a todo mundo[1].

 

        



[1] A carreira futebolista de Mirinho não decolou. O que diziam era que ele tinha um problema no joelho. Tem alguma verdade, pois apesar de sempre ser um excelente jogador de Futebol de Salão de Feira de Santana, inclusive da seleção, sempre tinha problemas com o joelho. 

 

sábado, 20 de março de 2021

NO DIA QUE TONTON DECIDIU UMA ELEIÇÃO NA CÂMARA

Washington Cerqueira Carneiro
Tonton
   Da série “Martiniano e filhos” (marcador ao lado). Postei histórias de Martiniano, de Etinho (Welington) e Wilson (Issinho). Continuando por faixa etária, hoje postarei sobre “TONTON DA FEIRA”, como ele gostava de ser chamado.

         Washington Cerqueira Carneiro, era uma pessoa que quando era seu amigo, você era premiado, não tinha limite para contar com ele. A primeira vez que precisei de sua amizade, foi quando estava sendo chantageado por um marginal que morava no beco do Mocó. Tinha 12 para treze anos e Pepino uns 17, forte, andava tomando as coisas, na tora: gude, figurinhas, brinquedos... nada caro, depois entendi, que se tomasse uma bicicleta, por exemplo, tínhamos que contar a nossos pais e ia da merda para o meliante. Um dia Tonton, me viu de cabeça baixa chateado por ter sido surrupiado de um pião novinho colorido que eu adorava, por Pepino. Tonton foi na tipografia, apanhou um porrete e descemos o Beco do Mocó. Apanhei uma pedra no chão e encontramos Pepino com os amigos, jogando pião, o meu, fomos chegando, Tonton sem dizer nada deu uma paulada em Pepino, olhei com a pedra para os outros, mas estes também eram espoliados por Pepino, este com o braço que tomou a pancada, vociferou ameaças, mas não reagiu. Apanhamos o pião e fomos embora. Nunca mais Pepino me extorquiu. Já adulto foi preso e depois foi morto pela polícia.

         Mas Tonton era um capeta, fazia coisas terríveis, como entrar com uma lambreta no rinque de dança do Feira Tênis Clube, todo mundo dançando, foi um horror. Expulso do FTC, por consequência foi passar uma temporada na casa do avô no Cruzeiro, até D. Semi controlar Martiniano que não era de suavizar.

         Contar todas molequeiras de Tonton, só em livro, com algumas impublicáveis, e tinha uma característica, quase não bebia.

         Mas vamos a uma inacreditável, quando Tonton junto com João Macedo decidiram uma votação na Câmara de vereadores.  

Antônio Leopoldo Cabral

A Câmara era composta de onze vereadores, cinco do PSD e cinco da UDN e um do PDC, Antônio Leopoldo Cabral.Cabral, teve ofício de barbeiro, sapateiro. Foi jornalista, dentista prático e rábula inclusive defendendo muitas causas em Feira de Santana. Era um orador eloquente. Nos comícios, o povo vibrava para ouvir seus repentes. Conta-se que era muito amigo de Joel Presídio e o acompanhou certa feita, nos comícios em uma cidade do sertão baiano, chamado Lajedo. No discurso esqueceu o nome da cidade e chamou a cidade de Alexandria. Alguém ao seu lado, soprou no seu ouvido, não é Alexandria não “Sêo”Cabral. Ele prontamente arrematou: “Se falo de Alexandria é porque esta cidade tem muito da Alexandria da Grécia, principalmente por ser uma cidade histórica”. E assim ele se saiu do equívoco[1].

    Mas falemos da votação na Câmara, era um projeto de muita importância para a UDN e o PSD era contra. A aprovação também era boa para Partido Democrata Cristão de Cabral. Mas este era muito amigo do Cel. Eduardo Froes da Motta, grande líder do PSD, inclusive se entendiam muito ideologicamente. Cabral era destituído de inimigos, e sendo tertius de uma questão importante politicamente, emudeceu durante um mês antecipadamente, sem poder fixar uma decisão, boatos corriam, ora ele ia ficar do lado do amigo Dr. Eduardo, ora iria votar dentro do que era bom para o PDC.

         No dia da votação, a Câmara estava lotada, era localizada no primeiro andar da Prefeitura Municipal. O presidente da Câmara era da UDN. A sessão começa obedecendo todo o ritual protocolar, depois discursos e mais discursos, a maioria sem sentido pois todos os presentes já conheciam o tal projeto detrásprafrente, não mudava muito sua posição partidária, como acontece em todas as votações políticas.

         Terminada todas as falas, apartes, réplicas e tréplicas, o nervosismo campeia no auditório. Então o presidente da casa, finalmente a favor do projeto, começou a votação dizendo¸quem é a favor do projeto mantenha-se sentado, quem for contra fique de pé (os especialistas de política dizem a opção de sentar é mais vantajoso). Aí os cinco do PSD levantaram e os quatro da UDN ficaram sentados, como se previa dependia do voto de Cabral, se ficasse sentado empatava a votação e aí cabia ao presidente que era da UDN, portanto a favor do projeto decidir. Então mais de uma centena de olhos miraram Cabral. Um silencio sepulcral, Cabral começou titubeantemente a levantar, aí uma voz forte lá do fundo do auditório gritou “SENTA CABRAL, era Tonton, Cabral tomando susto sentou rapidamente, o presidente com presteza deu por encerrada a votação com a vitória da UDN.



[1] “Inquilinos da cidadania” , Lélia Vitor Fernandes  de Oliveira, p. 53



 


domingo, 28 de fevereiro de 2021

DECARNEIRO GRANDE LOJA DE DEPARTAMENTO DE FEIRA DE SANTANA

 

DECARNEIRO, a primeira loja de departamento de Feira de Santana, ápice da trajetória da família Carneiro capitaneada por Martiniano, mas vamos para o início que eu testemunhei.

         Eu era muito criança, quando vi uma coisa muito interessante, uma impressora antiga de tipografia enorme transportada rolando em cima de toros, um bom grupo estava assistindo a invenção de como transportar uma coisa muito pesada. Esta imagem me marcou pela engenhosidade, até recentemente, assistindo na televisão um engenheiro demonstrando como os antigos transportavam pedras de três a quatro toneladas para a construção de pirâmides, no Egito. Era a mesma técnica. Mas da onde vinha esta máquina e qual era o destino.

 Só entendi muitos anos depois, era Martiniano mudando a tipografia que não sei bem onde era, para a nova sede. Tinha comprado uma casa e construído ao lado uma loja e no fundo era a nova tipografia. Não conheci a antiga, sei que tinha jornal, Tonton me mostrou uma página deste hebdomadário (epa), ficou de me dar um número, mas nunca recebi. Martiniano era jornalista, político, tipógrafo e empresário, a nova loja era papelaria, material elétrico, uma variedade de produtos e principalmente uma excelente tipografia com impressoras modernas, na porta tinha bomba de gasolina, e foi até concessionário dos automóveis Kaiser, com três modelos, o próprio Kaiser, apelidado de “cintura fina”, antigamente todo carro tinha um apelido posto pelo povo, o Frazer e Henry J. “frango assado”.

Acima o prédio de DECARNEIRO, quatro pavimento, na rua Marechal Deodoro, lado esquerdo no sentido do Asilo N.S. de Lourdes, perto do ABC, avenida Sampaio,

Vista interna de um dos departamentos

Mas agora quero escrever o apogeu da trajetória de Martiniano, DECARNEIRO.

         Contrataram um arquiteto, indicado por nós, o mesmo que projetou o Cinema e Teatro Santanópolis e o prédio em que nós moramos junto a prefeitura, Aurelino, professor da Faculdade de Arquitetura da UFBA, quatro pavimentos, tinha até elevador de carga, feito em Feira.

 Martiniano comprou uma nova residência, derrubando a casa onde morava e a loja para a construção do novo prédio, surgindo uma bela loja. Loja requintada diferente, não era um amontoado de mercadorias era tudo bem arrumado, como mostra a foto ao lado.

Martiniano discursando na inauguração, era bom de
oratória. Da esquerda para a direita: D. Semi com um
dos microfones; atrás do reporter Neuza; junto a ela de 
óculos, Issinho; Valdemar da Purificação; Amorim
e Áureo Filho.

A inauguração foi uma festa, o orgulho de Martiniano estava estampado no semblante, aquela imagem de um vencedor quando rompe a fita na corrida do sucesso.,

         O ambiente era de luxo, todo mundo vestido para a ocasião, era um grande dia para a família Carneiro, eu estava muito alegre, de certa forma me achava colado à família, pela amizade com todos.

Aí veio a melhor parte, o almoço familiar de comemoração, foi reunida toda a família até Etinho veio do Rio de Janeiro com a esposa.

Da esquerda para direita: Martiniano, D. Semi, Ivone esposa de Waltinho; Wilma; Etinho e
esposa, ao lado; Neuza e Issinho.

Mas era um dia diferente, era outra pessoa, liberal brincando aceitando brincadeiras, todos bebendo vinhos, começaram a contar casos, cada um lembrando as besteiras dos outros, era muita risada, era dia de festa. Até Etinho resolveu extrapolar e disse, Tino e Nazaré? – era uma mulher dona de um castelo (local de encontros amorosos).

Todo mundo olhou estupefato para Martiniano esperando a reação. Mas era um dia que nada tirava a alegria dele, e aí como antigo ator amador, engraçadíssimo e de repentes, respondeu: “Nazaré, grande cidade do recôncavo junto a Maragogipe...” ai risadaria campeou no recinto.

No final do almoço, Martiniano demonstrou a vontade de reunir toda família em torno do novo empreendimento em Feira, com Tonton administrando o Posto de Gasolina em sociedade com Renato, apelando para Etinho vir do Rio de Janeiro para fixar morada em Feira, ajudando a tocar a nova loja. Mas a esposa de Etinho declinou do convite, acostumada a grande ex-capital do Brasil, não viria para o interior da Bahia. 





sábado, 30 de janeiro de 2021

VIAGEM AO "SUL MARAVILHA" II.

Evandro J.S. Oliveira

  Continuação da viagem de férias ao sudoeste e sul do Brasil.

Eu, Baby e os compadres Wilson e Neusa Carneiro.

 Querendo ver a primeira parte: VIAGEM AO "SUL MARAVILHA I.¨


 


Aí poderemos dizer que São Paulo pelo seu dinamismo comercial, restaurantes, hotéis... e Rio de Janeiro, por tudo isso e mais sua beleza, aproximavam-se da ideia que tínhamos do “Sul Maravilha”.

Como não poderia deixa de ser, fomos ao Maracanã assistir Flamengo, Issinho como toda a família Carneiro era doente pelo Flamengo Futebol e Regatas (flamenguista doente é pleonasmo, como já se disse), não lembro o adversário, me parece que era um time pequeno.

Cinema, compras sempre chamando a atenção para o fusquinha, já lotado. Bons restaurantes...

Issinho lembrou de visitar Etinho, irmão mais velho que morava em Bangu que fica a 50 km. do Rio. (conto o motivo da ida de Etinho para Rio): Porque a ida de Etinho para o Rio de Janeiro 

Fomos muito bem recebidos, almoçamos, cervejamos, papeamos...

Etinho já estava estabilizado em Bangu, terminando a construção de um Posto de Gasolina, era comerciante bem sucedido. Contou quando chegou em Bangu, trabalhava na Manchete, acordava 4 horas para pegar o trem, chegando de volta à noite, como dizia, no início era uma vida muito dura. Era um vencedor. Constituiu uma bela família e ficou em Bangu até a sua morte.

Saímos do Rio com destino a Belo Horizonte. Na estrada, Issinho estava diferente, ficava macambuzio, falava sozinho, ria. Estava dirigindo e não prestava atenção na estrada, Neusa então chamou atenção dele. Resolveu contar o motivo do comportamento:

 “Martiniano fez um almoço de comemoração na inauguração de DECARNEIRO, grande loja de departamento, quatro pavimentos, na Marechal Deodoro. O prédio teve como arquiteto o Professor da Faculdade da UFBA, Aurelino o mesmo arquiteto do Cine Santanópolis[1].

Voltemos ao almoço de comemoração. Martiniano reuniu os seis filhos e relatou o objetivo principal desta comemoração, queria toda a família engajada no projeto empresarial que estavam inaugurando. Aí a esposa de Etinho cortou a palavra do velho e disse – o Sr. acha que vou sair do Rio de Janeiro para vir morar no interior da Bahia? – foi uma ducha de água fria nos planos de Martiniano.

Qualé Rio de Janeiro que nada, Bangu subúrbio do Rio, esnobando uma grande cidade como Feira de Santana... encerrou Issinho”.

Belo Horizonte, ficou muito a desejar como capital, ficamos poucos dias, poucas coisas para ver, em favor do fusquinha ninguém achou nada interessante para comprar, resolvemos antecipar nosso retorno à Bahia.

Pela manhã, olhamos o mapa de viagem consultamos e vimos uma estradinha que encurtava muito a viagem consultamos um caminhoneiro que fazia o percurso. Era o caminho para Governador Valadares via Monlevade, em construção, cheia de máquinas de terraplanagem, resolvemos arriscar.

Tivemos problemas, um trator gigante quase nos amassa, virando à esquerda, quase não conseguimos frear. Mais adiante batemos em uma pedra enterrada no chão furando o assoalho do fusquinha, passou a entrar uma poeira pelo buraco. Adiante estava dirigindo, quando o carrinho passou a ter força maior, estranhei, passei a mão onde estaria o bagajeiro, tinha desaparecido... Retornamos uns vinte quilômetros, lá estava ele intacto, veja a falta de movimento no caminho.

Ainda tivemos um pequeno problema que demonstra o tipo de estrada. Já era mais de 18 horas, quando nos deparamos no fim da estrada, em frente a uma casa de fazenda com um homem com a espingarda apontando para nós. Depois de esclarecido, tínhamos entrado em uma variante que era o caminho rural da propriedade dele. Depois de orientado retornamos até o desvio.

Chegamos em Governador encoberto de pó vermelho, assustando até os recepcionistas.

Passamos um dia na cidade, enquanto reparava o assoalho do fusca, corremos a cidade, um pouco menor que Feira de Santana.

Tudo ok, caímos na estrada de volta. Dormimos em Conquista.

Na última etapa da viagem, ainda tomamos um belo susto. Issinho estava dirigindo, o fusca não tinha torque, era um problema ultrapassar uma carreta naquelas retas, Issinho tentou a primeira, Neusa com receio advertiu que não dava pois vinha um veiculo no sentido contrário, Issinho recolheu, tentando mais duas vezes, eu no banco traseiro achei que pelo menos em duas das três tentativas, dava. Mas na quarta vez ele tentou, mas depois duvidou tirou o pé do acelerador e depois achou que dava, pisou fundo... não dava mais, felizmente fez a coisa errada, saiu pela esquerda, a carreta que vinha não foi para o acostamento e fomos direto para o um terreno plano ficamos um minuto todo mundo lívido, minha comadre que vinha advertindo-o, teve uma bela atitude não dizendo, tá vendo? Só Issinho querendo passar o volante, que logicamente não aceitei.

Chegamos em nossa cidade tendo terminado belas férias...



[1] Era o pináculo da evolução da obra da família Carneiro. Espero contar o caminho percorrido do empresário Martiniano em outra ocasião.

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

VIAGEM AO "SUL MARAVILHA" I.


No início da década de 60, fizemos uma viagem, eu, Baby e nossos compadres Wilson (Issinho) Carneiro e Neuza, para o sul maravilha, como se falava na época.

Tinha comprado um Fusca usado modelo 1959, igual ao da foto ao lado. Como o vendedor não tinha credibilidade para nos fiarmos na qualidade, além de examinarmos minuciosamente, levamos a dois mecânicos de confiança. Resultado foi uma das melhores compras que fiz. Era uma máquina de gente andar dentro, como dizia meu irmão Juca, ao se referir sobre um carro popular simples, mas era pau pra toda obra. Melhor do que Jipe o concorrente na época, difícil de quebrar e para ficar em atoleiro, colocamos bagageiro de teto, caímos
na estrada. Cerca de 45 dias de viagem, e mais de dez mil quilômetros, trinta por cento sem asfalto. A Rio-Bahia, recém inaugurada, sem estar totalmente terminada, era cheia de problemas. Mas fomos ao nosso primeiro destino, sem pressa parando em tudo quanto era lugar até chegar em São Paulo quatro dias depois.

Issinho e Neuza
Não tiramos fotos
da viagem

Hotel São Paulo da cadeia Othon, que já tinha estado em 60, muito bom. Ficamos uma semana, tudo dando certo sem nenhum problema.

        Depois seguimos para Rio Grande do Sul. Com três horas de viagem, estava chovendo e a estrada estava interrompida, por causa de desabamento de um morro. Pensamos em voltar, estávamos cerca de 300 quilômetros de São Paulo, quando nos informaram existir na área algumas máquinas do DNER (atual DENIT), era uma questão de horas a liberação da estrada.

Eu e Baby
Fotos da época

Qual nada, eram 11 horas quando chegamos na interrupção, só tinha uns cinquenta veículos em nossa frente, chovia fino, frio para nordestino se imaginar na Sibéria, à tardinha a fome apertou. Tinha um japonês com caminhão carregado de laranjas, que quase ficou vazio. Voltar era impossível a fila já era de mais de dois mil veículos. As mulheres tinham que ir no mato acompanhadas para fazer as necessidades, nessas horas os homens levam vantagens.

Finalmente às 21 horas foi liberada a estrada. Passamos pelo primeiro restaurante, do outro lado, lotado de veículos que retornaram para esperar a liberação, raciocinamos corretamente, não estavam preparados para a quantidade de clientes. Seguimos e paramos na primeira churrascaria grande, aqui na Bahia ainda não tinha de rodízio com aquela qualidade. estávamos esfomeados, tipo de cliente que não é bom para restaurante que cobra por pessoa. E o vinho? enchemos a cara, não tinha restrição para quem dirigia. Também fomos dormir em uma pousada perto, de ótima qualidade em comparação com as nossas aqui, era o “sul maravilha”.

Almoçamos ainda na estrada, passeando no interior dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, lindo verdejante uvas, maçãs no caminho, não existiam nas estradas da Bahia, estávamos entusiasmados, era como pensávamos, outro mundo.

Chegamos em Porto Alegre, aí começamos a entender que o “sul não era essas maravilhas que pensávamos”. Porto Alegre, uma decepção, aqui vale um comentário – decepção é a distancia entre perspectiva, que nós tínhamos de tudo do “sul maravilha e a realidade”. Tinha pouquíssimos hotéis de qualidade comparado com Salvador, e os poucos, lotados, inclusive o recém inaugurado Hotel Umbu, Ficamos em um hotelzinho, ruinzinho.

Como não existia cartão de crédito, na Bahia já se usava Travel Chek (cheque viagem), aceito em qualquer loja, restaurante hotéis... em Salvador. Compramos estes cheques de viagem no Banco Econômico daqui de Feira de Santana. O gerente do nosso hotel desconhecia esta forma de pagamento. Como tinha levado uma carta de Beto para um colega de faculdade que morava na capital gaúcha, estávamos tranquilos, descontaríamos um cheque equivalente a R$ 500,00 hoje, daria para chegar até segunda-feira, quando iriamos ao banco remir outra quantidade,

Por azar, o colega de Beto, destinatário da carta e nossa solução de dinheiro, tinha viajado para fazenda no interior...hahahah

Sentamos em um restaurante simples, calculamos nossos recursos, vimos que dava para chegar segunda-feira, contanto que fossemos “mão de vaca”, nada de estragos. Fomos ao cinema, diversão barata. Notamos enquanto andávamos para o cine, chamávamos a atenção das outras pessoas, cheguei a recuar um pouco se havia alguma coisa estranha em nós, pois logo que cruzávamos com outros eles se viravam para nos ver de costa.

Quando chegamos ao hotel perguntamos ao recepcionista sobre o ocorrido, ele nos explicou que estranhavam nossas mulheres de calças compridas, ainda não tinha chegado o costume em Porto Alegre.

Domingo, depois de tomarmos café, fomos de ônibus para praia, programa de acordo com nossas posses. A praia me lembrou uma que Feira de Santana, com o complexo de mineiro de não ter praia, fez na lagoa de São José, deu vontade de cantar Ai, ai que saudade eu tenho da Bahia...”, do baiano Dorival Caymmi.

Fizemos um lanche retornamos, quando passamos pelo hipódromo. Issinho era louco por cavalos, resolvemos saltar no primeiro ponto e fomos para ver as corridas.

Issinho lembrou que tinhamos uns trocados que dá para o ônibus de volta para o hotel e sobrava uma teteia, que tal apostar esta sobra, as mulheres mais sensatas, disseram uníssonas um NÂO. Eu que gosto de todos os jogos argumentei, se ganharmos jantaremos como Marajás, se não, sanduiche e cama naquele dormitório de nome hotel.

Toparam rindo. Sabíamos que se perdêssemos iriamos, eu e Issinho, comermos o lanche ouvindo as queixas do tá vendo!!

Quando do desfile dos cavalos, Issinho gostou de um cavalo tordilho disse, vamos apostar naquele sete. Olhei o jornal que dava a cotação e o cavalo 7 era um azarão, ponderei que era melhor jogar em um dos três favoritos, e foi assim que apostamos no segundo cotado pelo especialista em Turfe. Quem ganhou?.. quem?... para minha desídia o CAVALO 7.

Que lanche noturno ruim, tomei gozação dos três, e ainda com o sanduiche ruim mesmo.

Pela manhã da segunda-feira, fomos ao banco remimos uma boa quantia e saímos para às compras. Nada de interessante, característico da região. Comprei para meu sogro, um laço para a fazenda, pois não poderia comprar uma sela, não cabia no fusquinha, já abarrotado, elas compraram umas besteiras, nada de lembranças características, dei uma vidente: "rapaz quando estes sulistas descobrirem a Bahia, vão ver o que é uma cidade turística, comidas diferentes, souvenir característicos, praias...". Rumamos de volta para São Paulo.

Quando chegamos em São Paulo, não encontramos hotel, tinha uma Convenção, estava tudo lotado. Rumamos para Santos, pior. Depois de cansados de percorrer hotéis, pensões... terminamos na praia, dentro do carro, dormindo?... às vezes saíamos dois a dois dávamos umas voltas na praia para os que ficassem no carro deitassem os bancos do fusca e tirassem um cochilo, o bom é que na época não tinha os perigos de hoje.

Os jovens que não conheceram como eram as viagens naquele tempo podem estranhar estes percalços. Não tinha celular nem telefone público, uns raríssimos, interurbano demorado sem qualidade era preciso que no outro lado da linha, o (a) atendente tivesse boa vontade e paciência, raríssimo...

Pela manhã do outro dia fomos para o Hotel São Paulo e ficamos na sala de espera, até desocupar dois apartamentos.

Almoçamos no hotel, depois fomos para o quarto. Cerca de 10 horas da noite fomos em um restaurante jantamos e voltamos para o Hotel.

Ficamos cerca de quinze dias em São Paulo, fazendo compras, com a recomendação de coisas pequenas, pois ainda iriamos viajar muito e o fusquinha estava pedindo arrego como se diz na Bahia.

Em um bar. Eu e Issinho estávamos esperando as mulheres em compras fim de tarde/noite, tinha uns caras encabulados quando viram o fusca com a placa da Bahia e um adesivo do Hotel...hahah dos Pampas. Tínhamos saído do posto, lavagem, lubrificação troca de óleo... puxaram conversa unimos as mesas perguntavam sobre a viagem e veio aquela conversa de paulista, mais para chatear o mineiro que estava no grupo, além de mostrar o dinamismo de São Paulo veio com aquela fala da pujança paulista “São Paulo é uma máquina de um trem, levando vinte e um vagões que são os Estados brasileiros”,  respondi: “e daí vocês tem espirito de maquinistas, nós da Bahia de viajar em vagão de luxo”, o mineiro se lavou... até os paulistas riram.

Rumo ao Rio de Janeiro, no próximo capítulo.


 

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

A PRIMEIRA POSTAGEM SOBRE A FAMÍLIA MARTINIANO NESTE BLOG





Welington Cerqueira Carneiro (Etinho), foto ao lado direito, era o filho mais velho do clã. Foi o que eu tive menos convivência, ele foi embora para o Rio de Janeiro no fim da década de 40, fui revê-lo,  contarei em outra postagem futuramente, que fizemos com os nossos compadres Issinho (Wilson) e Neuza em Bangu, na região metropolitana do Estado do Rio, onde Etinho morava e já era empresário no ramo de posto de gasolina.

Mas é interessante saber o motivo que levou Etinho ir para a capital brasileira, Rio de Janeiro. Para situar o leitor, é necessário ver postagem: Razões da discidencia

Clicar em cima das letras azuis acima. a Prmeira é uma postagem neste Blog de 24 de maio de 2015, nota que saiu na "Folha do Norte". E a segunda é uma poesia do Santanopolitano Ismael Bastos, ja falecido sobre a primeira postagem



 

domingo, 13 de setembro de 2020

JORNAL "FOLHA DA FEIRA" DE MARTINIANO CARNEIRO

Fábio Santana Nunes

Professor da UEFS

Doutorando em Estudos do Lazer - UFMG

Pesquisa o lazer em Feira de Santana na transição dos séculos XIX e XX

Fábio, colaborador do Blog Santanópolis, em sua pesquisas,  sabendo  do
nosso interesse  no que concerne à história de Martiniano Carneiro, e sua
família encontrou esta reliquia, o cabeçário do Jornal de Martiniano, no
 arquivo do Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana.
 Digitalizou e nos mandou. Edição nº 4, de 13 de outubro de 1928.

 

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

MARTINIANO E FILHOS

Evandro J.S. Oliveira

Algumas pessoas têm pedido para contar os casos de Martiniano Carneiro e sua família. Criei um marcador no Blog “Martiniano e filhos”, facilitando busca sobre o mesmo assunto:
         Nas primeiras duas décadas de minha vida fui vizinho, de quarteirão, da família de Martiniano, isso cimentou uma amizade muito forte com todos. Sou compadre de Issinho (Wilson), segundo filho do clã.

         Conheci dois Martinianos, o primeiro, quando morava na Marechal, rua do meio[1], homem severo tradicional rígido na educação dos filhos. De vez em quando almoçava na casa dele, e os meninos, principalmente, Tonton, Mirinho e Waltinho, almoçavam e merendavam lá em casa.

Martiniano Carneiro
         Enquanto na minha casa, não se obedecia nenhuma formalidade, lá em Martiniano tudo tinha um protocolo: no almoço ninguém podia servir a Seu Martiniano, passar o prato era exclusividade de Dona Semi. Ninguém poderia ser servido antes de Martiniano, fazer brincadeira na mesa, só com permissão...

         Adulto, ia muito na “25 de Março”, onde tinha um jogo de baralho frequentado pela elite masculina de Feira de Santana. Lá conheci o outro Martiniano, hilário, foi ator amador do elenco teatral “Taborda”, Grupo teatral "Taborda"  das décadas 20, 30 e 40. Contava casos representando, a maioria sobre ele como participante, todo mundo caia na risada.

         Já postei neste Blog o Perfil de Martiniano, ver Perfil de Martiniano e estilo de jornalista postando uma “Querela Literária” ver Querelas Literárias , daí me restringir aos casos interessantes, como o já postado Quem foi o Alcaguete? 
Filhos homens de Martiniano, da esquerda para
 direita: Welington (Etinho), Wilson (Issinho),
 Washington (Tonton), Waldomiro (Mirinho)
 Walter (Waltinho) 
      .
         Para fixar o estilo das histórias da família Martiniano:
         Martiniano colocava todos os dessedentes com nomes começados com a letra W: filhos por ordem cronológicas: Welington (Etinho), Wilson (Issinho), Washington (Tonton), Waldomiro (Mirinho) Walter (Waltinho) e Wilna.

Lembro que minha mãe deu de presente a dona Semi, um livro de nomes próprios com significado, muitos começado com W.

Aí Tonton foi suspenso do Feira Tênis Club por um ano, o motivo, ter entrado de lambreta no rinque do clube em plena festa. O caldo entornou, Martiniano botou para fora de casa. Tonton passou uns dias, acho que na casa do avô, no Cruzeiro. Como acontecia, D. Semi passava a quebrar o temperamento de Tino, como ela chamava Martiniano, voltando tudo ao normal.

Tonton não se esqueceu facilmente e então quando nasceu o primeiro filho, quebrou a tradição, colocou o nome em homenagem ao sogro Álvaro.
Muito complicado, primeiro que Tonton gostava muito do Sr. Álvaro Boaventura, a homenagem era legítima, Martiniano também tinha muita estima a Seu Álvaro, mas...

Wilker um dos netos
 de Martiniano, forneceu fotos
e momes dos descendentes
Os filhos, ainda orientados pelos pai, seguiram a tradição: Wilker, Williane, William, Wilna, Wania, Welter, Walber, Wilmene, Wellem, Welce, Weine.

Bisnetos – Willy, Wayze e Walquiria.

Houveram alguns netos e bisnetos de Martiniano, que não seguiram o costume, mais aí Martiniano não estava mais entre nós.

   



[1] Rua Marechal Deodoro, antiga Conde D’Eu, conhecida popularmente rua do Meio. Com a continuação da rua ultrapassando a antiga praça do Comércio, atual praça da Bandeira, dividiram com outro nome Sales Barbosa, prevalecendo o nome popular rua do Meio. Como a Sales Barbosa na sua extensão após Praça do Remédios, virou uma mescla de casas comerciais e casas de prostituição, inclusive um Cabaré chamado “Bola Cheia”. O marco divisório desta atividade era o Cassino Irajá de Oscar Marques (Oscar Tabaréu).   

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

MARTINIANO DA SILVA CARNEIRO[*]


Milton Brito
 Procurador Jurídico
 do IHGFS Escritor



Martiniano Carneiro
Foto: arquivo de
Wilker Carneiro
Nascido em 19 de outubro de 1903, na Cidade de Feira de Santana- Bahia, filho de Cirilo da Silva Carneiro e Maria Carneiro, residiu em sua cidade natal até o seu falecimento em 12 de Maio de 1984. Após frequentar a escola primária e ter uma formação estudantil básica, notabilizou-se pela formação autodidata, acumulando amplo conhecimento cultural, intelectual e profissional, exercendo as profissões de tipógrafo e jornalista, tendo trabalhado durante muitos anos no Jornal Folha do Norte, do que tinha imenso orgulho, principalmente, por ter trabalhado, sob a orientação do Cel. Arnold Silva, figura das mais ilustres deste Município, com quem aprendeu a profissão de jornalista. Foram seus irmãos: Virgílio da Silva Carneiro, Inocêncio da Silva Carneiro, João da Silva Carneiro, Etelvina Carneiro, Lídia da Silva Carneiro, Joana da Silva Carneiro e Luiza da Silva Carneiro. Do seu casamento com Semírames Cerqueira Carneiro, nasceram seis filhos - Wellington, Wilson, Washington, Waldemiro, Wilma e Walter. Após trabalhar durante anos na Folha do Norte, fundou o Jornal FOLFIA DA FEIRA, de linha ideológica apolítica, onde contou com a gloriosa e sábia colaboração de Gastão Guimarães, escrevendo e publicando neste, matérias de relevância e reconhecimento nacional, a exemplo de diversos artigos sobre o líder político, carioca e brasileiro, Carlos Lacerda, no Jornal Folha do Norte e outras, a exemplo do que escreveu sobre a peste bubônica, que assolou Feira de Santana, de forma intrépida e ousada, como se pode verificar pela manchete - "Enquanto os governos viajam e descansam e a saúde pública dorme, a peste bubônica pretende devorar a população da Feira pouco a pouco". - "Na madrugada passada morreram só na Praça Fróes da Mota, quatro pessoas. Lamentavelmente sua Excelência, o Presidente da Repúbica (Getúlio Vargas) encontrava-se em Petrópolis; o Eminente Interventor da Bahia (Juraci Magalhães) na Ilha de Itaparica e os Ministros da República e o Secretário de Saúde, em suas Fazendas e casas de campo". Após e por consequência destas matérias, vieram à Feira de Santana, decorridos três dias da publicação, equipes da saúde pública com médicos e enfermeiros, momento em que os Gestores Públicos solicitaram a Martiniano para acabar com a campanha que entendiam denegrir o Poder Público, obtendo a resposta de que o Jornal era apolítico e apenas divulgava notícias de fatos concretos com responsabilidade profissional.
De cultura vasta, oriunda de incansáveis leituras de autores clássicos, dominava bem a língua portuguesa, expressando-se castamente, sendo elogiado por tal postura por seus contemporâneos, inclusive por Gastão Guimarães e Arnold Silva. Tinha excelente oratória, apesar do seu comportamento introspectivo, sendo de rica memória, decorava com facilidade os discursos do velho caudilho Getúlio Vargas, repetindo os seus pronunciamentos com postura de voz semelhante ao do Presidente, muitas vezes repetidas no Prédio da Filarmônica 25 de Março, reproduzindo os discursos IPSIS LITTERIS, sendo bastante aplaudido, motivando risos em momentos de descontração.
Residiu durante quase toda a sua existência numa casa na Rua Mal. Deodoro, localizada no imóvel que se encontra hoje vizinho ao prédio dos Correios.
Amante da boa música, ali em sua residência, podia-se ouvir os melhores discos de música popular brasileira, sendo fã ardoroso do elegante Carlos Galhardo, de quem ouvia repetidamente as músicas - Salão Grenar e Fascinação.
Participou de diversas instituições, a exemplo da Maçonaria, Rotary Club e Euterpe, participando da reconstrução desta, sob o comando do saudoso João Pires. Nunca faltou aos Eventos Culturais promovidos em sua Cidade, convidado, por muitas vezes, pela Academia de Letras e pela Academia de Letras e Artes, de Feira de Santana.
Repetindo referências do nobre professor Oscar Damião de Almeida, pode-se dizer deste - "Cidadão dos mais urbanos e dignos, conhecido em toda a Feira de Santana à qual ele consagrou seu trabalho e amor do seu iluminado viver".




[*]Esta matéria foi colhida através de uma Entrevista Informal, com o filho de Martiniano, Washington Carneiro (TONTON), que conta com orgulho da existência do seu saudoso pai
Revista Inst. Hist. Geogr. de Feira de Santana, ano. nº1, p. 155 156, 2004

Filme do Santanopolis dos anos 60