Símbolos do Santanópolis

FOTO OFICIAL DO ENCONTRO

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Mostrando postagens com marcador Franklin Machado. Mostrar todas as postagens
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sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

O NATAL

FRANKLIN DE CERQUEIRA MAXADO

(franklinmaxado@gmail.com)
 

   Aproxima-se o Natal - o nascimento de Jesus - e esta cidade comercial Feira de Santana renova seus estoques de mercadorias e ensaia os seus locutores de portas de loja e seus velhinhos Papais Noeis para ajudar a vender mais, Isso tudo depois de outubro quando as autoridades aproveitaram o feriado de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira (ou seria madroeira?) para criar o dia da criança a fim de vender mais brinquedos sem esperar o Natal.

Ainda, nesse mês de outubro, o comércio importou mais a influência ianque do "Helloween," ou dia das bruxas, para vender mais fantasias e artigos de festa. E, chega novembro com a influência das liquidações ¨Black Friday “que aqui não é de um só dia e na sexta-feira. Nem também são liquidações muitas das vezes.

Dezembro é Natal, festas, confraternizações, amigo secreto, formatura, casamentos e já os gritos de Carnaval e mais motivos para vendas de artigos. Não queremos falar de outros meses como o de Micareta, Páscoa (do antigo bacalhau, vinho e azeite doce) quando o comercio e a indústria criaram a venda de chocolate chegando ao cúmulo de pregar que coelho bota ovo, festas juninas e outras mais que motivam vendas de produtos e o seu maior consumo.

Mas, voltando a dezembro, o comercio também aproveita para vender mais e substituir Cristo Jesus pelo Papai Noel com seu saco de brinquedos para distribuir com as criancinhas,

Tudo isto cai bem para significar a Feira de Santana, uma cidade que nasceu dum ponto comercial em torno de uma capela em homenagem à avó de Jesus, Santana. 

Assim, é esta cidade que aproveita tudo para vender. Até bosta e lixo pois eles secos ou reciclados viram adubos. E, já estamos nos tempos onde tudo é aproveitável ante a escassez de matérias primas com o esgotamento de reservas naturais. E... a maior procura de recursos para uma população que só aumenta.

Nesta Feira de Santana, a religião também pode ser comércio e muitos iniciados abrem igrejas como se abre negócios com a vantagem de não pagar impostos nem formar estoques de mercadorias, A palavra divina é interpretada ao bel-prazer  e vira uma mercadoria dentro dos próprios templos, embora Jesus tenha expulsado os vendilhões a chibatadas  numa feira que se forma na entrada desses empórios quase sagrados.

E o feirense prático segue os ensinamentos de fazer caridade alardeando os atos de doação e de rezar nas esquinas ou lugares públicos para ser visto pelo público, bem como jejuar para ficar com rosto de apenado e sentido. Ainda, mais jurar o nome de Deus em vão ou ter o senso de aproveitamento e fazer do seu púlpito comício indicando abertamente nomes de candidatos políticos, cujas obras, figura e conduta interpreta livremente pelas Escrituras e atualiza exemplos de figuras bíblicas com atos de figuras de sua eleição.

Por tudo isto, achamos que de fato Feira deve mudar seu nome. Devemos acatar a sugestão de "Feira de Jesus" e assumirmos nossos interesses materiais e nossa hipocrisia. .

Vem ai, o Natal do peru, do vinho, do queijo, dos brinquedos, das viagens, dos presentes, da roupa nova, do veraneio em praias e da comilança de mais dívidas. 

terça-feira, 22 de novembro de 2022

BUSCANDO SEXTA ESTRELA NO ORIENTE DO CATAR


 FRANKLIN DE CERQUEIRA MACHADO

(franklinmaxado@gmail.com)


   O Futebol do Brasil é de novo um dos favoritos para ganhar a Copa. Depois de uma bela campanha nas Eliminatórias quando foi classificado invicto e depois de ganhar a Olimpíada com uma seleção jovem mesclada com alguns nomes experientes, Tite convoca os vencedores Antony, Bruno Guimarães e Martinelli, mas a deixou fora Arana porque está contundido.

   Todavia. há outras seleções também cotadas. Primeiramente, a sempre rival Argentina na   qual o astro Leonel Messi jogará sua última Copa e quer sair campeão; Alemanha, permanentemente favorita e que nos persegue com quatro títulos mundiais. Ela tem um desfalque, o Timo Werner e o seu  goleador Muller está em tratamento intensivo;  Inglaterra  que se diz criadora do Futebol, tem  agora uma seleção forte nas já tem dois desfalques marcantes;  França apresenta o  mesmo problema com  Pogba e Canté fora,    embora conte com Mbappé, maior jogador atual;  Espanha  é outra  grande mas que chega desfalcada;  Bélgica, que nos eliminou na última Copa, mas que  pode não ter seus principais jogadores: o   De Bruyne  e o Lukaku; Portugal, que pode surpreender, pois evoluiu muito, e formou jogadores novos de ótimo nível e tem  o marrento Cristiano Ronaldo na sua ultima oportunidade. 

   O Brasil chega ao Oriente inteiro podendo se dar ao luxo de não chamar Hulk, Gabigol, Firmino, Dudu, Scarpa, Cebolinha, Cássio e muitos outros. Vamos torcer para que as bruxas não nos atrapalhem. Até Neymar resolveu jogar e ser mais responsável pois aos 30 anos é a sua última Copa e parece que ser decisivo e ganhar a Olímpiada e deu estímulo.

    Estamos bem na defesa. Temos três goleiros seguros e experientes guarnecidos por beques como Tiago Silva o melhor do mundo na posição. No meio de campo e no ataque não se fala!  Tem um Rafinha que é abusado como o Vinicius Junior entortando na ponta esquerda. Achamos que a queixada Pedro fará gols importantes. Tomara que Gabriel de Jesus fique iluminado e se solte com seus dribles curtos. Podem fazer suas macaquices e irreverências pois Futebol é alegria.

   E, tomara também que peguemos a Alemanha de novo  para que  este ataque possa  fazer um inédito  gol de  bunda  a  fim de nos vingarmos do 7x1 que tomamos dela  aqui dentro na  Copa der 2014, o que abateu nossa animação e que teimamos em recuperar. 

terça-feira, 1 de novembro de 2022

PARDICIDADE DE ACM NETO

FRANKLIN DE CERQUEIRA MAXADO
 

(franklinmaxado@gmail.com)


    ACM Neto não precisa se bronzear para ficar moreno a fim de justificar a sua autodeclaração de “pardo” na ficha eleitoral para aferir os favores que a lei permite a candidatos. Se ele tivesse formação antropológica ou na área de ciências humanas, saberia que os portugueses colonizadores já vieram misturados com judeus e com os árabes, incluindo nestes negros islamizados do norte da África os quais dominaram Portugal oito séculos, muito mais do que os 500 anos que o Brasil tem de “descobrimento”. Acrescente-se a isso, a anterior influência dos fenícios e cartagineses de tez semelhante a árabes e a judeus. Logo, a família de ACM Neto é de origem portuguesa e, mesmo que fosse branca, o seu avô, ACM casou-se com d. Arlete Maron, uma filha de família árabe, portanto morena. Quanto a qualidade “parda“a lei brasileira permitiu a pessoa se declarar da cor que acha ter. Assim, há muitos índios barbados ou de cabelos pixaim para se beneficiar das cotas ou de favores legais. E, portugueses são considerados brancos aqui no Brasil porque na Europa são vistos como uma raça tropical misturada. Era só ACM Neto conscientizar disso e reafirmar sua “pardicidade” baiana.

terça-feira, 13 de setembro de 2022

CANTADOR ZÉ FRANCISCO É MAIS UM NO CORDEL DE FEIRA

FRANKLIN DE CERQUEIRA MAXADO

(franklinmaxado@gmail.com)

    O cantador pernambucano Zé Francisco foi outro que a Feira de Santana atraiu para o seu Folclore. Ele hoje já tem 15 folhetos publicados sendo o derradeiro “Colega Manoel Peitica Quando Brigou no Riacho” lançado na 15ª. FLIFS-Festival Literário de Feira. Afora isso, tem dois cds gravados e um dvd.

   O folheto trata de um colega cantador de Riacho das Almas, perto de Caruaru, em Pernambuco, onde José Francisco da Silva foi criado e começou a cantar repentes aos 14 anos, mesmo com pouca escolaridade pois trabalhava em roça. Em 1975, fez a primeira cantoria fazendo dupla com João Marinho de Bezerros.  Aí depois cantou com Zé Oliveira, Zé Nascimento, Arlindo Costa de Lima e Severino José do Sítio Cabugi.

   Enviuvando, foi para o Rio de Janeiro e lá cantou com Miguel Bezerra, Manoel Medeiros, Zé Duda, Antonio Laurindo da Paz, Moisés Belarmino e Canário de Baê e outros na domingueira

Feira de São Cristovão em meio a cordelistas como Neuton Cealdino, Azulão, Apolonio Alves, Raimundo Santa Helena, Gonçalo Ferreira, Paulo Teixeira, Elias Carvalho, Maxado Nordestino, Marcelo Soares, Cicero Vieira Mocó, Eliseu Tabajara e Zé Praxedes.

     Em uma excursão a São Lourenço, em Minas Gerais, conheceu a feirense Paula Bispo   com quem casou e teve dois filhos, os gêmeos Paulo e Paula, vindo para cá em 1989 onde reside no km. 14 da BR-116 Norte, distrito da Matinha.

      Aqui, cantou com vários repentistas, notadamente com Dadinho e Caboquinho.  Somente em 2010 escreveu e publicou seu primeiro folheto:” Homenagem Póstuma a Carlos Alberto” o qual era sobrinho da esposa Paula.

    Aos 70 anos atualmente, Zé Francisco espera a cantoria de viola em Feira ser mais incentivada pois, ao contrário da Literatura de Cordel, não tem surgido novos valores e os poderes públicos não valorizam diferentemente de outros Estados nordestinos.

 

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

FESTIVAL LITERÁRIO DE FEIRA


 FRANKLIN DE CERQUEIRA MAXADO

(franklinmaxado@gmail.com)

MOSTRA MAIS DO QUE LIVROS

    Os organizadores do XV Festival Literário esperam perto de cem mil visitantes este ano ao evento que será realizado de 30  de agosto a 4 de setembro na praça Padre Ovídio devido a liberação da presença dos visitantes aos  estandes de livros  e aos palcos de espetáculos , fato que não acontecia nos dois últimos anos por causa da Covid-19. O evento abre às 9h para o público e vai  até às 21 h.

   A UEFS que é a principal organizadora anuncia diversas atrações desde a realização de concursos, seminários, palestras, contação de estórias e espetáculos além de continuar prestigiando a chamada Praça do Cordel que este ano homenageia o poeta feirense Franklin Maxado, considerado um dos renovadores dessa Literatura.  Ali, vários poetas populares exibem e comercializam seus folhetos, cds e xilogravuras, inclusive o próprio Maxado.

  A Universidade estará com um estande onde mostra a sua produção editorial que hoje tem centenas de títulos e que reflete a cultura regional atraindo atenções e procura de leitores brasileiro e até de estrangeiros. Outras editoras, inclusive do sul do país e da capital Salvador estarão presentes com suas produções, atestando a importância do acontecimento.

    A programação é extensa é abrange palestras pela manhã e à tarde por parte de professores universitários bem como de convidados especialistas em assunto de maior interesse. As escolas levarão seus alunos e poderão apresentar espetáculos nos diversos palcos instalados, sendo um grande incentivo para o surgimento de novos valores artísticos e para a cultura local.

  Vários artistas renomados farão apresentações no final da tarde e inicIo da noite diariamente após a sessão de lançamentos de livros por seus próprios autores de diferentes localidades e não somente de Feira de Santana.

   Tudo isso vem atestar o pioneirismo desde Festival que está servindo de modelo para outras feiras literárias no interior do Estado, bem como a valorização e o reconhecimento da Literatura de Cordel e a Xilogravura como precursoras do livro. O Festival desde a sua primeira realização apresenta Cordel  tendo Franklin Maxado , Jurivaldo Alves, Julio Rodrigues,  Ademar José  Araújo, J. Caxias,  Kitute de Licinho, Suely Valeriano, Mestra  Lainha, Chico Feitosa, Juliana Maciel, Zé Francisco, Patrícia O. da Silva, Antonio Barreto, Luiz Natividad,  Domingos Santeiro, João Ramos,    Carlos Silva,  Luciano Ferreira , Oliver Brasil, Izabel  Nascimento, Nivaldo Cruzcredo,  Adauto Borges  e Romildo Alves já participaram com seus folhetos nesses 15 anos de realização.

   Enfim, informações mais detalhadas, inclusive a programação oficial, pode ser acessada no site: www.uefs.br


quinta-feira, 21 de julho de 2022

SÃO JOÃO NÃO PASSOU POR AQUI, COM CERTEZA

FRANKLIN DE CERQUEIRA MAXADO 

(franklinmaxado@gmail.com)

As festas juninas voltaram com tudo após dois anos de Covid-19. E os trios de forró e artistas regionais estão faturando depois de sofrerem com as restrições a aglomerações.  Muitos Prefeitos espertos aproveitaram para superfaturar os espetáculos, fazendo os seus “arraiás” com dias de programação.

Agora, passados os festejos, é possível que o número de casos da Covid tenha aumentado com mortes e internações. E a corrupção também.

Antes, as festas de Santo Antonio, São João e São Pedro, as chamadas juninas, eram de cunho particular e familiar. Famílias enfeitavam suas casas com bandeirolas e flores e tinham prazer de receber vizinhos, parentes e visitantes com um licorzinho, um pedaço de bolo ou mesmo com as comidas típicas como cangica, mucunzá, arroz doce, milho assado, amendoim cozido, pé de moleque, batata assada, cocadas, aipim frito e frutas da época. A senha para os estranhos entrarem era a tradicional pergunta; São João passou por aqui?”

As crianças brincavam e soltavam fogos em volta da fogueira. E os jovens aproveitavam para paquerar e pular a fogueira fazendo seus compadrios e adivinhações.

As músicas eram mais inocentes e cantavam sempre as coisas da natureza, do sertão e do interior, A figura de Luiz Gonzaga imperava com o seu vozerio e sua sanfona.

Hoje, os políticos encamparam a alegria e faturam com a festa, trazendo atrações artísticas e enfeitando ruas e palcos. Aí, o comércio aproveita para vender bebidas variadas e industrializadas, especialmente a cerveja e refrigerantes, introduzindo novos hábitos de consumo. Os camelôs e vendedores pongam e montam barracas para vender churrasquinho, pastéis, doces, bolos, balas, e também as guloseimas apropriadas.

Os cantores contratados são artistas que mais aparecem nas televisões com ritmos até estrangeiros e com letras que retratam dramas pessoais. Predomina o que decidiram chamar “sertanejo”.

Nessas aglomerações, não há como não ver o traficante oferecendo as drogas, às vezes, até abertamente. E há ainda, o assalto e as brigas, destoando do antigo espírito junino de confraternização.

Essas festas juninas trazidas pelos colonos lusitanos marcavam o início do inverno com seu frio e chuvas e as fogueiras serviam para esquentarem o ambiente e as casas da roça uma vez que a maioria da população era rural. Como a cidade vai atraindo mais moradores, também os costumes vão mudando. Era um tempo de alegria pela colheita nos campos e de se irmanar com parentes e vizinhos.

sexta-feira, 27 de maio de 2022

LUCAS DA FEIRA

FRANKLIN DE CERQUEIRA MAXADO

Dizem que o escravo

Tinha o corpo fechado,

(Mas qual o negro

Que não o tinha?)


Pantera assaltante

Nas noites das sombras

Rico branco atacava

Sombra na sombra


 Triste mundo

Mundo dos sem mundo

Sendo traído

Pela ingratidão


Cortaram teus braços,

Mas ai está a revolta

Enforcaram-te, mas tua voz

Mais viva agora assalta.

 

-    Lucas! Afinal quem és?

-     Eu sou a consciência da Feira.

A justiça de Santana.

 Queria dar o aquilo

Que tiraram daqueles.


- Lucas! Porque te chamam de ladrão?

Se roubaram teu pai, tua mãe,

Reduziram-te a escravo

 Se roubaram tudo - a liberdade.

sábado, 7 de maio de 2022

SAIOTE DE MARIA QUITÉRIA VEIO DE MODELO ESCOCÊS.

FRANKLIN DE CERQUEIRA MAXADO


     O modelo do saiote que a heroína Maria Quitéria usou na campanha pela Independência foi mostrado pela primeira vez ao vivo em Feira de Santana quando o músico Collin Overllock, dos Estados Unidos, descendente de irlandeses, tocou sua gaita de fole no Mercado de Arte Popular vestido a caráter com seu saiote escocês na homenagem ao poeta Franklin Maxado numa iniciativa da ARTMAP.

 

    O artista ianque veio a Feira de Santana conhecer os seus sogros, o poeta Franklin Maxado e Norma Suely, pois é casado com Maja   Catarina. Ficou contente em participar da homenagem e, tocou sua “bagpiper”, a convite da família. 


O músico Collin Overllock e sua

 bagpiper em apresentação no MAP

        Segundo o presidente da Associação dos Artesãos do Mercado, sr. Ronildo Ramos, aquele local nunca tinha recebido um público daqueles no dia 9 de abril último, dia da homenagem, atraindo gente até que passava na praça João Pedreira e na rua Salles Barbosa que ouviam aquele som diferente. Além do público leitor dos folhetos de Cordel do homenageado que teve banca ali antes da epidemia da Covid.

 

    O saiote “highlander”, típico da região europeia atraiu as atenções, inclusive da cantora Célia Zahin que sempre se apresenta caracterizada como Maria Quitéria nas comemorações cívicas.

 

    Os historiadores afirmam que quando Maria Quitéria foi descoberta como mulher na tropa (pois lutava vestida como homem com o nome de soldado Medeiros) ela foi aceita por seu comandante que determinou que lhe fosse fornecido o saiote característico a fim de distingui-la da soldadesca combatente.’

 

    Além de ser descoberto o seu sexo, Maria Quitéria pôde ter sua união com o furriel João José reconhecida e oficializada pelo comandante do Batalhão dos Periquitos, major João Antonio  Castro,  que,  por sinal,   era avô do  poeta Castro Alves. 

Capa de um dos folhetos do autor,

contando a história da heroína

    

    Ao terminar a guerra, a então heroína estava solteira e a História não registra se era viúva ou separada, tendo ido à Corte no Rio de Janeiro, onde d, Pedro I a agraciou com uma comenda. Tanto ali como ao voltar, Maria Quitéria se apresentava com seu uniforme de oficial que incluía o saiote de inspiração escocesa.

 

FILHOS ILUSTRES DA BAHIA: FRANKLIN MACHADO



domingo, 20 de março de 2022

DEPOIS DA COVID-19

FRANKLIN CERQUEIRA MAXADO
 

(franklinmaxado@gmail.com)


      Quando a covid-19 passar, vai ter muita gente com orelha de abano devido ao uso de máscaras. Também, muitos perderam o costume de sair às ruas e ficaram viciados em “delivery”, Internet e telefone celular como se o mundo fosse só virtual, desenvolvendo um individualismo que até chega ao sexual.

   Ainda não sei o que serão da arte e dos artistas.  Estes são os mais prejudicados pelos confinamentos, pois ficam privados de se apresentarem publicamente pelas recomendações de se evitar aglomerações.

   É um golpe muito forte para violeiros, forrozeiros, poetas declamadores e artistas que não querem depender de projetos e de auxílios do governo a fim de se conservarem independentes, dizendo o que querem.

   A arte vira decoração de ambiente.  Enfeite de festas e fundo musical para discursos.

  Para completar, tem o telefone celular dando notícias e fazendo representações artísticas a custo zero (embora se tenha de comprar o aparelho e pagar os créditos além da conta de energia).

   Isto tudo fazendo o povo a não pensar e a consumir o feito e aprovado, proporcionando um comodismo mental que está gerando o costume de receber tudo pronto. Mastigado.

     Quem não tinha   o costume de ler, não vai atentar para isso. E, quem tem, não investiga as “fakes news”, consumindo sem indagar uma mentira. Ou, sem se dar conta que aquilo é uma inverdade.

   Não sei se estamos involuindo. Talvez, caminhando para uma involução de cérebro atrofiado e de sexualidade animalesca.

   Quem viver, verá, muito embora não mais pense sobre o sucedido.

OBS: dia 09 de abril (sábado) a Associação do Mercado de Arte Popular quer me homenagear e a Literatura de Cordel. Fico grato e estarei lá ao vivo e a cores para abraçar os amigos, leitores e admiradores. Devo lançar o novo folheto AINDA QUERO VER ALEMANHA TOMAR UM GOL DE BUNDA! 


terça-feira, 4 de janeiro de 2022

ROMANCE DO CAVALEIRO EURICO CONTRA MOUROS - VI (final)

FRANKLIN CERQUEIRA MAXADO
 

ROMANCE DO CAVALEIRO EURICO CONTRA MOUROS - V

Franklin versa em poesia de cordel o belo romance do livro “Eurico, o Presbítero”.


Com isso, praticamente,

se entregou ao infiel, 

Tirando seu capacete

Para o golpe mais cruel:

Cortar então seu pescoço 

Ou arrebentar se osso

Porque cumpriu seu papel.

 

Maguite, emir malvado,

Assestou golpe mortal.

Eurico passou à história.

Virou herói nacional.

Os godos até venceram,

Porém depois se perderam

Na Espanha e Portugal.

 

Enquanto isto na gruta,

Hermengarda canta hino

composto pelo Eurico

quando era peregrino

Na capela do penedo,

Quando cumpria enredo

De vagar sem nenhum tino,

 

Assim, cantando aos santos,

Hermengarda endoideceu

Se culpava pela morte

De Eurico que pereceu

Com voto de castidade,

Não fez contrariedade.

Se entregou depois morreu.

 

Findei a resenha, pois

morrer não é bem preciso

Agora a vida digna,

Xave é pro paraíso

A aventura de Eurico

Deve ser lição e fico

Orgulhoso do juízo. 

Nota do Blog: dois motivos me levaram a reproduzir este Cordel, o primeiro pelo primor da versão do belo romance de "Eurico, o Presbítero".

O segundo motivo é em homenagem a minha tia, muito querida, fundadora do Colégio Santanópolis HERMENGARDA OLIVEIRA.



Quando criança, como todo mundo, achava o nome Hermengarda muito feio, destes de se perguntar, "quem colocou um nome deste em uma criança?!". Tempos depois deparei com o romance "Eurico, o Presbítero". O velho Áureo Olympio Oliveira (foto), meu avô, casado com minha avó Catarina Pichara Oliveira (foto), árabe, a homenageou. 

Catarina Picharra Oliveira
 

Áureo Olympio Oliveira

 

 

 

                       




Hermengarda Oliveira


quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

PALESTRA DE FRANKLIN MAXADO NA UNIVERSIDADE DE LISBOA

PERFIL DE FRANKLIN DE CERQUEIRA MAXADO
 

O poeta Franklin Maxado fala a Portugal pela Universidade de Lisboa quinta, dia 16 dez. às 10 h (horário aj) nas III Jornadas Internacionais de Literatura de Cordel e Xilogravura que a Faculdade de Letras realizará apresentando (ao) maiores especialistas no tema.

   Devido à nova onda  da Covid-19  na Europa, as Jornadas serão "on-line", razão pela qual Franklin Maxado cancelou sua viagem e lançamento de livro ali para palestrar sobre o futuro e transformação do Cordel em  uma Literatura de Painel, cujos folhetos de feira tradicionais estão tendendo a serem impressos em "Cordelivros".




segunda-feira, 22 de novembro de 2021

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

A TENDÊNCIA AO “CORDELIVRO” E A UMA LITERATURA DE PAINEL COMO FUTURO DA LITERATURA DE CORDEL

Franklin Maxado é bacharel em Direito e em Jornalismo, poeta, ex-Presidente da AFL-Academia de Letras de Feira de Santana e também do IHGFS- Instituto Histórico e Geográfico, ex-diretor dos museus Regional de Arte e Casa do Sertão, além de ter trabalhado em vários jornais da Bahia e de São Paulo

(franklinmaxado@gmail.com )



Devo lançar em Portugal a” Nova Antologia de Cordelistas Baianos” onde analiso no prefácio a transformação do Cordel que será a matéria – prima da minha fala no dia 16 de dezembro na Universidade de Lisboa convidado para a III Jornadas Internacionais de Literatura de Cordel e Xilogravura.


Nesta edição da Nordestina Editora, também está publicado o meu folheto “Romance do Cavaleiro Eurico Contra Mouros” no qual versejo o livro do português Alexandre Herculano que trata da formação de Portugal expulsando os árabes.

Os folhetos que identificam a chamada Literatura de Cordel agora estão evoluindo para livros grossos de capa dura ou brochuras devido ao ganho de um novo público, mais abonado, culto e exigente. Já estão chamando de “Cordelivro” que é volume contendo coletânea, antologia, seleção ou reunião de casos populares, embora mais revisados e com ilustrações mais elaboradas. Está entrando no gosto do burguês, penetrando e sendo discutidos em universidades e academias, vendidos nos âmbitos de livrarias, exibidos em cartazes, catálogos, mostruários e em painéis de plásticos ou na Internet.

Aí, evoluem para os “e-books”.

Enquanto isso, seus verdadeiros leitores, ou gente do povo, estão indo para o telefone celular e consumindo postagens de notícias, casos, memes e outras coisas que atiçam a curiosidade. É uma comunicação rápida e visual sem precisar de muito esforço para ler e pensar.

A publicação “Nova Antologia de Cordelistas Baianos” traz folhetos de 30 autores baianos, inclusive o de Maxado Nordestino e do seu editor, o poeta Zeca Pereira. É, desse modo, o que posso chamar de um “cordelivro”, locução que ouvi pela primeira vez do poeta cordelista Crispiniano Nero, na década de 1.990, em Brasília quando ele lançou “Lula e a Literatura de Cordel” em um tomo.

A Literatura de Cordel sempre sofreu metamorfoses, mudando e se adaptando com as formas de Comunicação, Antes, eram os casos, as cantigas e os romances contados, cantados ou declamados. Ou folhas de papel manuscritas. Depois, com o advento da Imprensa em tipografias, puderam ser impressos e vendidos em feiras e locais públicos, dependurados ou cavalgando barbantes ou cordéis, servindo para expositores.

Depois, surgiu a “off set”, a xerox, a fotografia e outros métodos de impressão.

Também, puderam ser transmitidos pelo rádio, bem como depois pela televisão.

Quanto à Xilogravura, muitos poetas e editores continuam dando valor e se valendo dela para ilustrar suas capas de folhetos, É ponto comum que ela valoriza o folheto embora seja dispensável ante a fotografia, o desenho e figuras disponíveis na Internet. Entretanto, os xilógrafos continuam existindo e precisados pois, além do Cordel, são queridos pelos seus trabalhos para quadros de paredes, estampas de tecidos, ilustrações de discos e de outros itens que personalizam a obra. E, muitos xilogravadores brasileiros recebem encomendas internacionais ou têm trabalhos valorizados por turistas ou colecionadores estrangeiros.

O folheto assim foi se adaptando e mudando sua apresentação para disco cd,” pendrive”, etc.   Todavia, o telefone celular, numa época de rapidez, faz com que um novo público o consuma como se fosse do seu universo de interesse, o livro propriamente dito. Aí, claro, que sua linguagem fica mais trabalhada, com ilustrações mais elaboradas entrando até a cor. O limite entre o popular e o erudito se dilui e é possível que o folheto sucumba e vire marca de uma época como já aconteceu em Portugal, na Espanha, França. Alemanha, Itália, Holanda e em outros países, segundo dão conta muitos estudiosos e pesquisadores.

Em Portugal, notamos um interesse crescente em resgatar essa Literatura, notadamente por parte de intelectuais como Antônio Abreu Freire que escreve livros sobre   o tema, acentuando a contribuição de versejadores árabes e judeus. Além de universidades que estudam o fenômeno. Poetas e cantadores repentistas estão sempre convidados para se apresentarem, havendo ainda quem lembre do “Descante” ou peça um fado improvisado, ou a chamada ’Desgarrada’.

Na parte impressa, a tradição lusa era em prosa como o livreto “Carlos Magno e os Doze Pares de França” talvez o livro mais lido no tempo do descobrimento e colonização do Brasil, era em prosa. Como em prosa também eram folhetos populares atribuídos a escritores como Almeida Garret, Guerra Junqueiro, José Maria Barbosa Du Bocage, Camilo Castello Branco, Gregório de Mattos Guerra e outros que não se pode afirmar a autoria por escreverem sob pseudônimo ou anonimamente devido os textos críticos ou de ataques.

Não podemos esquecer Gil Vicente pois seu teatro era eminentemente popular pois versava sobre acontecimentos do povo, embora suas peças mão fossem publicadas em livretos.

O intelectual João David Pinto-Correia, que nomeia estas Jornadas, é, entre outros nomes, um estudioso da Literatura de Cordel portuguesa classificando suas manifestações e cuja obra merece ser estudada. Ao lado da de Baltazar Dias ou de Albino Forjaz de Sampaio.

No Brasil, a Literatura de Cordel resiste e, talvez, se metamorfoseie muito mais e por muito mais tempo, alcançando Brasília, São Paulo, a Amazônia, o sul do país e até o Oeste. Muitos jornalistas se sentem próximos da atividade e assim criaram a modalidade “Entrevista” que deixa livre a quantidade de estrofes que perguntam ou que respondem, diferenciando-se das “Pelejas” ou “Encontros” pois nelas há a regra tradicional de um personagem falar e o outro responder, cada um se atendo em uma estrofe,

A atuação do Cordel no Brasil continua a ter influência  de personagens portuguesas como José do Telhado, Camões, Bocage, Pedro Malazartes, bem como casos e acontecimentos  devido a raiz comum e intercruzamento de  seus indivíduos, muitos tendo origens comuns por família ou por costumes Muitos  temas são recriados e atualizados.  O intercâmbio cultural entre brasileiros e portugueses   vem estimulando essa manifestação   e é possível que também incentive a criação e o desenvolvimento da Literatura de Cordel no mundo lusófono a exemplo do que já ocorreu em Macau.

Enfim, a matéria-prima do Cordel é a palavra e a conversa sobre casos de interesse popular e isso nunca irá se acabar enquanto houver sociedade. Mudam as formas de dizer e até podem ser acopladas com música, desenho, expressão corporal, desenvolvendo técnicas e modos, mas a essência persiste.


 

Filme do Santanopolis dos anos 60