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FOTO OFICIAL DO ENCONTRO

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quinta-feira, 24 de novembro de 2022

TRECHO DA LETRA DA MÚSICA "MESTIÇA"

GEORGINA ERISMANN  Santanopolitana, musicista, autora do hino de Feira de Santana.

O jornal Folha do Norte, no início
da década de 40 publica esta  bela
 letra da canção Mestiça da grande
 feirense Georgina Erismann




quarta-feira, 9 de novembro de 2022

RUMOS

ANA PIRES - in memória

Blog “Fragmentos de Ana Pires”. Para ver outras poesias da autora, nos sites recomendáveis ao lado.


As folhas caem,

na tarde
sem rumo.
Sinto-me só
e sem rumo,
como as folhas
e a tarde.


domingo, 26 de junho de 2022

UM FIM

Santanopolitano
Nasceu em Caruaru – PE, em 22.12.1951. Formado em Administração de Empresas. É professor, Jornalista, radialista e correspondente de diversos jornais. Poeta e escritor, participou de diversas antologias, premiado duas vezes em concursos literários. Escreveu “As liberdades e convicções do Homem”; “Inocente República”; “Saudade do Futuro”; “A Fragilidade da Vida”; Quase Feliz; “O Socialismo e a Igreja Católica” entre outras publicações e atividades.

UM FIM

Tudo na vida tem um fim.

Não faz de conta que esse axioma não chegará até você.

Não recorra a esforços amnésicos

não vencerás a impossibilidade da ressurreição.

Nada de riqueza ou paraíso

Não existe outro iado; informações não há

Brigas por um qualquer,

Vida de dor; sofrimento; egoísmo; dinheiro e poder,

No fim nada se aproveita.

Brigas por um qualquer, o fim é o mesmo A metamorfose defronte de, que voita ao nada,

O que não existia, recriou-se para deixar de existir. Quando eu paro, deixo de existir Quando durmo sou esperança da humanidade Que teima em antecipar sua extinção.

A mesquinhez é seu verdadeiro legado Diante da insignificância universal.

Sempre querendo à ubiquidade nunca alcançada,

Tudo na vida tem fim.

Deixe-me em paz, dane-se.

Transcrito Revista da Academia Feirense de Letras - 2021. Ano XV - 11


sexta-feira, 27 de maio de 2022

LUCAS DA FEIRA

FRANKLIN DE CERQUEIRA MAXADO

Dizem que o escravo

Tinha o corpo fechado,

(Mas qual o negro

Que não o tinha?)


Pantera assaltante

Nas noites das sombras

Rico branco atacava

Sombra na sombra


 Triste mundo

Mundo dos sem mundo

Sendo traído

Pela ingratidão


Cortaram teus braços,

Mas ai está a revolta

Enforcaram-te, mas tua voz

Mais viva agora assalta.

 

-    Lucas! Afinal quem és?

-     Eu sou a consciência da Feira.

A justiça de Santana.

 Queria dar o aquilo

Que tiraram daqueles.


- Lucas! Porque te chamam de ladrão?

Se roubaram teu pai, tua mãe,

Reduziram-te a escravo

 Se roubaram tudo - a liberdade.

domingo, 10 de abril de 2022

POESIAS DE CARLOS LIMA

Santanopolitano
Nasceu em Caruaru – PE, em 22.12.1951. Formado em Administração de Empresas. É professor, Jornalista, radialista e correspondente de diversos jornais. Poeta e escritor, participou de diversas antologias, premiado duas vezes em concursos literários. Escreveu “As liberdades e convicções do Homem”; “Inocente República”; “Saudade do Futuro”; “A Fragilidade da Vida”; Quase Feliz; “O Socialismo e a Igreja Católica” entre outras publicações e atividades.
 

FLORESTA

A floresta é vida Vida é luz

Que a natureza prima Tudo é meio e fim,

Depende de nós.

(em parceria com Théo Lima, meu neto)

GALO

Olhar o galo Não o cantar Não o que desperta Enxergar o que avisa.

A SOBREVIVENTE

Dama sobrevive Rompe paradigma existencial Sufoca libido Desperta sexualidade Inibe o silêncio carnal Castrando o furor.

PAJUÇARA

Terra de ninguém,

Mararam os índios.

É linda, convidativa,

Mar, amor e bela mulher.

Para quem gosta.

Na brisa, no sol, na sombra, E um gostinho de sal.

UM FIM

Tudo na vida tem um fim.

Não faz de conta que esse axioma não chegará até você.

Transcrito Revista da Academia Feirense de Letras - 2021. Ano XV - 11  


domingo, 13 de março de 2022

DUAS POESIAS DE CARLOS LIMA

Santanopolitano

Nasceu em Caruaru – PE, em 22.12.1951. Formado em Administração de Empresas. É professor, Jornalista, radialista e correspondente de diversos jornais. Poeta e escritor, participou de diversas antologias, premiado duas vezes em concursos literários. Escreveu “As liberdades e convicções do Homem”; “Inocente República”; “Saudade do Futuro”; “A Fragilidade da Vida”; Quase Feliz; “O Socialismo e a Igreja Católica” entre outras publicações e atividades.

DIAS DOS PAIS

Não tive muito o que comemorar neste domingo

Sou órfãopPerdi meus pais e avós

Meus filhos são pais, estão com suas familias

Nesse processo evolutivo da humanidade,

nossos espaços estão sendo ocupados

A vida segue o seu curso, a nossa semente germinou

Essa é minha alegria

Mesmo assim, esse domingo de  recordações traz momentos de tristezas.

Espero definição do tempo

horário, da estação, para último embarque.

Embarque sem retorno, destino desconhecido.


TRILHO NA TRILHA

Caminhos pobres

Fruta sombra e solidão

Ego arenoso

De universo pecaminoso

Pobre sem conspucar

Nada em vão

Transcrito Revista da Academia Feirense de Letras - 2021. Ano XV - 11  


segunda-feira, 7 de março de 2022

SALLES BARBOSA: O POETA DA RUA DO MEIO

O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura (Prêmio Cultura na Palma da Mão/PABB) via Lei Aldir Blanc, redirecionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal. Ficha técnica: Autoria e roteiro: Cíntia Portugal Elenco: Ana Valéria Silva Pinheiro Ariane Conceição Leite Caroline Maria Almeida de Abreu Silva Cíntia Portugal Daiane Lima da Cruz Davi Ribeiro dos Santos Souza Josileide Nascimento da Silva Lion Guimarães Lucas Emídio Moreira Lucas Lorenzo Martins Maria Verônica Lima Bião Salomão Ribeiro dos Santos Souza Victorio Henrique Conceição Pinto Filmagem: Carlos Alex Oliveira Carneiro Edição: John Ravel no vídeo estão presentes: Visitação Guiada / Teatro do Lambe-lambe / Dramatização do Poema " Réprobo do proscênio", do Livro Cavatinas 1885, em Feira de Sant'Anna, Sales Barbosa (1862- 1888)

sábado, 19 de fevereiro de 2022

“FELICIDADE SE ACHA É EM HORINHAS DE DESCUIDO“

Antonio Edson, Santanopolitano.
 

A frase que dá título a este texto está no conto "Barra da Vaca", do livro "Tutameia, de 1967 – o último publicado por João Guimarães Rosa.



No aroma do café bem fresquinho

Guimarães Rosa
Na manteiga pura que derrete no pão

No cheiro de mato molhado do orvalho

Na ducha fresca, no verão

Andando descalço pisando no chão

No céu, num dia ensolarado 

No beijo enamorado

Vendo estrelas, na madrugada

Na gargalhada da amiga

Numa chuva inesperada

Reunindo a filharada

Relembrando uma cantiga de roda ou de ninar

No álbum, na foto antiga

Olhando o mar se quebrar na praia

No sofá, ou na rede lendo e, ou escutando músicas

Ouvindo o cantar dos passarinhos

Pondo bolo para assar

Cantando uma canção

No silêncio da meditação

Ao fim da ginástica ou da corrida

Na mesa posta com carinho

Na casa organizada e florida

No abraço da pessoa querida

Nas taças de bom suco natural

No aroma do café fresquinho e do pãozinho quente.

Na manteiga da roça que derrete no pão

Basta apenas perceber

Em cada pequena ação

Tem diferente emoção,

pontinha de prazer

São momentos como esses que nos deparamos com ela

A felicidade! 


terça-feira, 21 de dezembro de 2021

RUMOS

Ana Pires – in memória
Santanopolitana, poetiza, blog “Fragmentos de Ana Pires”. Para ver outras poesias da autora, nos sites recomendáveis ao lado.

 


As folhas caem,

na tarde
sem rumo.
Sinto-me só
e sem rumo,
como as folhas
e a tarde.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

POESIAS DE ANA TRADUZIDAS

Ana Pires – in memória
Santanopolitana, poetiza, blog “Fragmentos de Ana Pires”. Para ver outras poesias da autora, nos sites recomendáveis ao lado.

CREPACUORE

La macchia

dentro l´anima

rimane per sempre

scarlatta, viola, nera.

 

SONO

Sono

albero,

fiore,

piacere,

dolore.

Sono

faro di luce,

buio totale,

lago sereno,

mare calmo,

ciclone.

Il bene

e il male,

formano l´essere umano.

 

SPERANZA

Dallo spiraglio

della finestra

entra l´aria fresca

e frizzante

dell´alba

e i suoni deboli

e distanti

dell´aurora

e nel mio cuore

corre um filo

tenue di speranza. 

segunda-feira, 28 de junho de 2021

ORAÇÃO PARA DMA NOITE DE SÁBADO

Franklin Maxado é bacharel em Direito e em Jornalismo, poeta, ex-Presidente da AFL-Academia de Letras de Feira de Santana e também do IHGFS- Instituto Histórico e Geográfico, ex-diretor dos museus Regional de Arte e Casa do Sertão, além de ter trabalhado em vários jornais da Bahia e de São Paulo

(franklinmaxado@gmail.com )


eu, pecador mundano,

aos pés desta cruz de almas,

me confesso indefeso

como se tivesse encontrado

uma virgem maria,

viúva e tão cheia de graça

que a ela peço proteção

para meu viver errante,

caminheiro sem eira, nem beira ou ribeira

em busca de ideais como beleza,

poesia, cultura e amor.

e, se não merecer presença,

suplico-vos mandar uma anja

ou pássaro do espírito santo,

consolador dos aflitos e desesperados,

a tomar minha confissão

de que nada tenho a pedir

além de não querer ficar só

e padecer no fogo eterno

das flores e das fogueiras,

purgando culpas imaginadas

por meus descaminhos

em encruzilhadas da vida.

santa senhora! não me abandoneis

agora e nem nas noites de sábado

de maio, junho ou de outro mês do ano,

amém!

 

domingo, 6 de junho de 2021

TOLDA GANGACEIRA

Franklin Maxado é bacharel em Direito e em Jornalismo, poeta, ex-Presidente da AFL-Academia de Letras de Feira de Santana e também do IHGFS- Instituto Histórico e Geográfico, ex-diretor dos museus Regional de Arte e Casa do Sertão, além de ter trabalhado em vários jornais da Bahia e de São Paulo

(franklinmaxado@gmail.com )

para Dito Denardi e Luiz Assis Monteiro

quando um poder maior matou quem eu amava e que recorri debalde às autoridades fantoches, tornei-me um revoltado.

o cangaço e o retiro

são minha salvação:

assaltei corações isolados;

estuprei ilusões perdidas;

roubei correspondências íntimas;

enfrentei mocréias e carochas;

assassinei sonhos selvagens,

acoitado no tempo

ou sob frestas de toldas

em qualquer leito, rede

ou cama de vara catingueira

(que poderia ser armada junto a espinhos)

para não deixar de ser macho

e para não fugir das coisas da vida.

continuo um guerreiro alerta disposto a morrer em batalhas mas com a alma vingada, todavia, já condenada.




 

quarta-feira, 24 de março de 2021

TÓPOS E KRONOS - VI

RONALDO SENNA – Mestre, Doutor, Antropólogo, escritor, professor aposentado: Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Universidade Católica de Salvador (UCSAL).
 

PASSADO E FUTURO SUSTENTÁCULOS DO PRESENTE


          Se futuro é passado avassalado

          E passado futuro renascido,

          O presente um pressuposto refreado

          Que formata o fenômeno acontecido

 

          E, assim, a trialidade

          Fronteiriza o pensamento,

          Nascendo o desejo e a vontade

          De viver cada momento.

 

          Por tudo isso, é imprescindível

          Crer no que é incrível.

          É consolidar rituais.

 

          Sem mito não existe história

          Sem rito não haverá memória

          Sem eles o sempre é jamais.

 

TRIALIDADE TEMPORAL: A SILHUETA DA ETERNIDADE

Instalar-se na trialidade do tempo ajuda o homem a se alojar no centro do mundo. Assim, quando coloca a sua reflexão na base do cosmos, põe, desta forma, a existência a seu serviço. Ideologias, crenças e cogitações, incrustam ordens, tanto objetivas quanto subjetivas, nas certezas e esperanças que violentam as dúvidas. É necessário, portanto, coordenar e regularizar os ditames na tentativa de perenizar as prescrições.

A ordenação contínua é tão necessária que as sociedades não tem feito muito mais que isso. A nível ideológico, nem parece que necessitam fazê-lo. Na verdade, sentem-se satisfeitas compreendendo o presente e o passado, não tendo muita importância, para o sentido da vida, se esse passado é uma concretude ou um dado por suposto. É real para aqueles que dele necessitam no ato de se firmar como um referencial na ordem da vida.

Apesar de tudo isso, de todo o esforço para a temporalizar o mito, o passado, no entanto, de certa forma, morreu. As faces do sido e do sendo se equilibram na elaboração do imaginário. O passado sido é o referencial da memória, o passado sendo é o presente anterior que convive com o cotidiano.

Torna-se imperativo, como consequência da interação entre esses planos, que o presente tenha que ser vivido, incluindo os elementos no passado que cruzaram com os umbrais da morte. O tempo e o espaço precisam ser reinventados. O presente é o passado recriado. 

quarta-feira, 10 de março de 2021

INCÓGNTA

Scrittrice, poetessa, commediografa, vive a Feira de Santana, Bahia, Brasil. Há pubblicato due libri: “La farfalla di vetro” (racconto) e “La incerta certezza Del tempo” (poesie). Tre libri inediti: “Vivere” (poesie), “Tempo della speranza” (racconto) e “Il pagliaccio triste” (racconto per ragazzi). Ha scritto un´opera per il teatro intitolata “La margherita fiorita nei campi”. Ha pubblicato articoli su periodici brasiliani e stranieri. Ha studiato l´italiano alla “Dante Alighieri” di Feira. Le piace l´Italia, perché è un bel paese e ama tanto La musica italiana e naturalmente tutti gli italiani.
Qui di seguito alcune sue poesie che rappresentano meglio l´elevato valore spirituale dell´artista.


Tu no conoces:

mis miedos,

mis abismos,

mis laberintos,

mis calles vecinales,

las cuevas oscuras,

que traigo dentro de mi.

Como también desconoces:

mi coraje,

mis planicies,

mis cascadas,

mis chorros de luz.

Para ti,

soy una incógnita.

 

(Autora : Ana Pires / Tradução: Nora Ronderos - Jornalista colombiana)

 

quarta-feira, 29 de julho de 2020

LAGRIMAS DE CRISTAL

Ana Pires – in memória
Santanopolitana, poetiza, blog “Fragmentos de Ana Pires”. Para ver outras poesias da autora, nos sites recomendáveis ao lado.


Lagrimas de cristal,
retidas nos olhos,
petrificadas
que não deslizam
pela face
para aliviar
a solidão.

sábado, 18 de julho de 2020

AS HISTÓRIAS, AS CERTEZAS E AS SURPRESAS


RONALDO SENNA – Mestre, Doutor, Antropólogo, escritor, professor aposentado: Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Universidade Católica de Salvador (UCSAL).





Jamais conseguiremos escrever
As histórias dos futuros
E nem mesmo esconder
Os passados entre os muros.

Tendo suas próprias existências,
Seus fracassos e vitórias,
Suas razões e preferências
Tecem inconstantes memórias

Sendo a trajetória humana
Uma sucessão de erros insana
Apoiada na fé e na certeza,

Por mais segura que seja a gesta
A história sempre se manifesta
Pelos caminhos da surpresa

AS CONVICÇÕES OSCILANTES

As convicções estarão sempre oscilando ao sabor das circunstâncias, assim como as crenças só podem se estabelecer no bojo das heranças culturais. Por essas constatações apreendemos que as verdades se realizaram e sempre se realizarão no cerne das modificações contínuas e multidirecionadas. Instalar-se nessa panorâmica é a única forma objetiva e lógica de vermos o contínuo sociedade e cultura.
Essa herança em mutação, acionando a vida como é possível ser vivida, permite-nos ver que "eu sou eu e minhas circunstâncias" e que "o homem não tem natureza e sim história". Podemos dizer ainda, completando, que "não é a consciência que determina a existência, mas a existência que determina a consciência". Os dois primeiros pensamentos são de Ortega, o terceiro veio de Marx. Uma simples e atenta observação será o bastante para que uma identificação clara entre eles se torne patente e provoque, ainda mais, a nossa reflexão.
Sim, tanto a estrutura social (de onde nascem e vicejam as mais variadas conjunturas), como os contextos históricos (de onde saem os atos e eventualidades), são responsáveis pelos desfechos que direcionam o tempo e o espaço vivenciados.
Se as circunstâncias que envolvem um homem - ser histórico - são, por esta mesma história, construídas e - por esta construção - a sua consciência é trabalhada, este homem tem consciência, portanto, de que o ato de entender a sua vida tende sempre a ser o seu passado reorientado.
Inicia-se, por esta causa, o seu próprio projeto de vida. Ele nada mais é que uma das formas da sua consciência sendo determinada pela compreensão do mundo que recebe como herança das suas circunstâncias étnicas, económicas e socioculturais.
A partir da observação de tudo isso, o seu mundo se constrói. Este ser gerundial, esta realidade cinemática, ordena a consciência e arquiteta a determinação. O espaço no qual se estende o domínio do imaginário é o seu próprio projeto que se finaliza, em cada demarcação, instalando-se entre a Cosmologia e Cosmogonia.
Os conceitos de cosmologia e cosmogonia têm campos semânticos de tamanho desigual, tendendo o primeiro desses termos a englobar o segundo. Com efeito, o antropólogo pode definir a cosmologia como um conjunto de crenças e de conhecimentos, como um saber compósito, que abrange o universo natural e humano; a cosmogonia (parte da cosmologia centrada na criação do mundo), por seu lado, expõe, sob a forma de mitos as origens do cosmos e o processo de constituição da sociedade. Assim, a cosmologia - pela qual nos interessamos de maneira prioritária - apresenta-se como uma exigência de síntese, como a pesquisa duma visão totalizante do mundo. Além duma função redutora, uma vez que isola e dá importância a certos elementos considerados como constitutivos do universo, tem também uma função explicativa, pois ordena e põe em relação o meio natural e os traços culturais do grupo que a produziu. (Lallemand, 1974:27)
A cosmologia, portanto, procura logicizar o tempo e o espaço a partir de uma reflexão científica, no sentido objetivo e sistemático, dentro de um cálculo abrangente de possibilidades. Já a cosmogonia vê o universo, indubitavelmente como criatura, logo, tem que haver o criador. Produz, dessa forma, um painel rico em símbolos e metáforas. Para as mentes que se pretendem lógicas e coerentes, o espaço é sempre uma manifestação de área, lugar, distância, local, fronteira, delimitação (total ou parcial). "Já para o homem religiosos, o espaço não é homogêneo: apresenta roturas, quebras; há porções de espaço qualitativamente diferente dos outros" (Eliade, 1967:35).
Acompanhado a espacialização social, notamos que as ambientações se diferenciam, inclusive hierarquicamente, porque impregnadas de sagrado. Assim, vemos que em uma das nossas praças brasileiras em que exista uma igreja, aquele logradouro é mais sagrado que outros, a igreja mais sagrada que o restante da área, dentro da igreja, as naves mais sagradas do que o portal, o altar mais sagrado do que as naves e o sacrário mais sagrado do que o altar.
Tal como o espaço, o tempo também não é, para o homem religiosos, nem homogêneo nem contínuo. Há, por um lado, os intervalos de tempo sagrado, o tempo das festas (na sua grande maioria, festas periódicas); por outro lado, há o tempo profano, a duração temporal ordinária na qual se inscrevem os actos privados de significação religiosa. Entre estas duas espécies de tempo existem, bem entendido, solução de continuidade mas, por meio dos ritos, o homem religiosos pode “passar” sem perigo, da duração temporal ordinária para o
tempo sagrado. (Eliade, 1967:81).
A socialização do tempo constrói anos santos, meses santos, semanas santas, dias santos e, até horas santas. Mesmo quando as sacralizações não se manifestam como santificações, existem atos e eventos que possuem o poder de marcar o momento sagrado, como, por exemplo: o momento da escolha, a consciência da vocação, o desígnio da missão ou da sina, a romaria, a viagem à Meca, a sétima volta em torno da Caaba.
A cosmogonia é o modelo exemplar de toda espécie de fazer. Não só por ser o Cosmo o arquétipo ideal ao mesmo tempo de toda a criação, mas por ser uma obra divina. O Cosmo é, então, santificado na sua própria estrutura. Por extensão, tudo o que é perfeito, pleno, harmonioso, fértil, em uma palavra, tudo o que é concebido como um cosmo, tudo o que se parece a um cosmo, é sagrado. Fazer bem feita qualquer coisa, obrar, construir, estruturar, dar forma, informar, formar, tudo isso se resume em dizer que se faz com que alguma coisa comece a existir, que se dá vida a alguma coisa e, em última instância, que se faz com que alguma coisa se assemelhe ao organismo por excelência, o Cosmo. Ora, o Cosmo, não custa repetir, é a obra exemplar dos deuses, é a sua obra-prima (Eliane, 1967: 68).
O ser humano para se sentir semente, raiz e árvore da existência e não fruto da história, além de pôr os deuses a seu serviço, posiciona-se como centro do universo e, em consequência, coloca o cosmo como uma existência para o homem. Ora, se a vida (qualquer uma - não apenas a humana) desaparecesse não faria falta alguma ao universo. Não ver isso é apenas instalar-se em um tempo e espaço religiosos.



sexta-feira, 12 de junho de 2020

PARA QUE?


Franklin Maxado é bacharel em Direito e em Jornalismo, poeta, ex-Presidente da AFL-Academia de Letras de Feira de Santana e também do IHGFS- Instituto Histórico e Geográfico, ex-diretor dos museus Regional de Arte e Casa do Sertão, além de ter trabalhado em vários jornais da Bahia e de São Paulo
para que cantar o passado
recordar coisas boas?

ou más?

para que a nostalgia,
deixando-nos sentir velhos
                                        impotentes?

                                           mas também por que cantar
                                           o futuro ou os sonhos
                                        irreais?

                                         tanto para o passado ido
                                          como para o porvir pensado,
                                            nada somos?

                                           apenas somos pontinhos opacos
                                          perdidos no infinito das coisas
                                          palpáveis!



Filme do Santanopolis dos anos 60