Símbolos do Santanópolis

FOTO OFICIAL DO ENCONTRO

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quinta-feira, 10 de novembro de 2022

A DEMOCRACIA É UMA REALIDADE OU UM SONHO?

O conceito grego de democracia (“demos”, povo, e “kratos”, poder) foi proposto pelos pensadores modernos no século XVIII e tornou-se uma proposta generalizada no século XIX. Hoje é uma ideia universal, mas a prática tem-se mostrado muito mais complicada.

Para começar, levanta-se a questão do que quer dizer, realmente, democracia. E, para acabar, é interessante avaliar como o conceito evoluiu e quantos países cabem hoje dentro dessa classificação. Ou, pondo as coisas doutra maneira, a democracia é uma forma estável e definitiva de governação, ou apenas um “chavão” que está cada vez mais longe de se tornar universal?

 

Depois da expressão “democracia liberal” se ter tornado uma espécie de panaceia universal (o que foi acontecendo ao longo do século XX), a grande maioria dos regimes políticos faz tudo o que pode para serem considerados democracias. No entanto, um estudo actual, feito pela “Intelligence Unit” da revista “The Economist”, considera que 37,1% dos regimes são autoritários, 17,2% “híbridos”, 39% “democracias defeituosas”, e apenas 6,4% democracias completas.

 

Esta classificação, como todas as classificações, é arbitrária e talvez exigente demais, mas, mesmo considerando, as classificações “defeituosas” e “completas” juntas, não temos mais do que 45,4 regimes realmente democráticos — isto é, em que os órgãos dirigentes são escolhidos pelo povo, directa ou indirectamente, e existe liberdade de expressão e auto-regulação. É muito pouco, para uma ideia considerada tão boa — “A pior que existe, com excepção de todas as outras”, na famigerada definição de Churchil que se tornou um lugar-comum sempre que se fala da democracia.

 

Uma prova de que o conceito de democracia não é tão científico como se poderia supor — depende dos índices escolhidos, como “liberdade de expressão”, ou “percentagem de eleitores”, entre muitos outros — é que uma organização tão independente como o Pew Research Center, do Fórum Económico Mundial, afirma que há mais democracias plenas em 2016 do que havia em 1976. Este índice considera que na última data, tanto a Federação Russa como a Turquia e o Egipto são do modelo “misto”, o que obviamente não é verdade.

Aliás, se a Federação Russa não pode ser considerada uma democracia — nem sequer tem um mecanismo constitucional de sucessão — a Turquia e o Egipto são dois exemplos de outro tipo de desvio, a que podemos chamar de “falsa democracia” e onde podemos incluir a Hungria e a Venezuela, por exemplo. Nestes casos, há constituições democráticas e até eleições, mas os condicionamentos e até mesmo as ilegalidades encapotadas e descaradas fazem com que o regime no poder seja inamovível.

Outros casos duvidosos são aqueles países em que a democracia existe mas está em sério perigo de ser menos democrática. Veja-se o discurso do Presidente Biden, ainda esta semana: “A própria democracia está em disputa na próxima eleição (intercalar de Novembro) Nada está garantido na democracia americana. Todas as gerações têm de a defender, proteger e optar por ela. Porque a democracia é isso: uma escolha.” Que o presidente tenha de fazer uma afirmação destas, é um péssimo sinal. Aliás, nos últimos anos o mundo descobriu que afinal de contas a famosa democracia norte-americana, a primeira consagrada numa Constituição (1788) está repleta de falhas, omissões e nebulosidades. O próprio sistema, que consagra eleições indirectas através de colégios eleitorais, é perigoso; até à data há minorias prejudicadas no direito ao voto; e o sistema bi-cameral não é verdadeiramente representativo do peso dos Estados.

O caso dos Estados Unidos, ameaçado pelo extremismo do Partido Republicano, que até nega a validade de eleições transparentes, traz à pedra outro problema: a subida exponencial dos partidos radicais, cujos programas ameaçam várias vertentes do sistema democrático. É o que se verifica em França, e o que acaba de se ver nas eleições em Itália. É também o que está a acontecer naquela que é considerada a mais antiga democracia ocidental, no Reino Unido, onde os dois últimos primeiros-ministros foram escolhidos por uma ínfima minoria dos seus próprios partidos. Há também os casos, generalizados, em que um partido usa legalmente o sistema para se manter no poder por um tempo demasiado longo, canibalizando a saudável alternância, como é o caso de Portugal.

O caso briãnico levanta ainda outra questão: o domínio de uma classe previlegiada sobre o sistema. Essa classe, educada à partida para governar, acaba por excluir os mais desafortunados da possibilidade de escolher iqualitáriamente os seus representantes. E um outro senão, concomitante, é o domínio do poder económico sobre o poder político. Os grandes detentores do capital, os “mercados financeiros” e outras entidades ou pessoas com grande poder económico têm mais possibilidades de escolher os eleitos, ou de ser eleitos, que os cidadãos comuns.

Esta é talvez a questão mais perversa do sistema: sem igualdade económica é difícil haver igualdade política.

A solução “marxista” (para reduzir diversas variantes numa palavra) também já se provou que não funciona, uma vez que o poder popular — ou seja, de cidadãos todos economicamente próximos — leva à criação de uma classe dominante, a chamada “nomenklatura” que se coopta e se instala no poder, sem que os cidadãos tenham outra opção. E o capitalismo, sempre associado aos males da desigualdade, não desaparece, porque não é possível uma economia sem capital; apenas passa dos grupos privados para o aparelho de Estado, que não é um patrão menos predador.

Há um estudo muito interessante do filósofo japonês Kõkin Karatani, “Isonomia e as origens da filosofia”, que, entre outros assuntos, trata da possibilidade de uma verdadeira democracia e dá vários exemplos históricos. Atenas, como sabemos, não é um deles. Nessa primeira democracia, a mãe de todas as outras, segundo a percepção comum, só participavam os cidadãos adultos, com excepção dos escravos, dos servos e das mulheres. Katani considera que a dimensão da sociedade é um elemento essencial para uma democracia plena. Ou seja, em algumas cidades-estado do Renascimento, como Veneza, ou Amesterdão no século XVII, ou na Ionia grega, era possível uma igualdade democrática. O pequeno território impedia que a posse da terra fosse um factor de poder, logo excluía uma classe terratenente hereditária; o comércio era a norma e havia uma igualdade entre os comerciantes independentes. Mesmo assim, havia sempre famílias dominantes, só que esse domínio não era tão forte que as obrigasse a desrespeitar a vontade comum. Embora as práticas democráticas variem entre estas entidades — no caso de Veneza, limitadas por uma oligarquia, no caso da Holanda, complicadas por surtos de conflitos religiosos - ainda assim o clima geral era bastante igualitário. Katani faz ainda uma afirmação interessante: o grande benefício da política não é mobilizar todos os que pensam da mesma maneira; é permitir que pessoas com ideias diferentes consigam viver em harmonia.

Somando tudo isto, e muito mais que se poderia dizer (a política é uma questão sempre em aberto e não existe o “fim da História”), chegamos à conclusão de que a Democracia é mais um ideal do que uma prática e que a sua prática não lhe garante permanência. 

Há épocas em que parece que a democracia está a crescer e a aperfeiçoar-se; há outras em que temos a desagradável percepção de que está a encolher e ser subvertida por desvios perigos. Vivemos num destes momentos. O único consolo é que a História não é linear, antes circular. E a única esperança é que ainda apanhemos a próxima volta do círculo.

 Transcrito de SAPO24 

A opinião de José Couto Nogueira

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

INAUGURAÇÃO DO COLÉGIO ESTADUAL DE TEMPO INTEGRAL ÁUREO FILHO, IPACAETÁ-BA

A fachada do novo
Colégio Estadual
Áureo Filho

Em 1976, foi inaugurado o Colégio Estadual Áureo Filho - CEAF na cidade de Ipacaetá-Ba. O nome é em homenagem a Áureo de Oliveira Filho em reconhecimento ter contribuído, como Deputado Estadual, a criação desse estabelecimento. Seis meses após a inauguração Áureo faleceu sem ter conhecido essa instituição educacional.

Em 2019 estivemos em Ipecaetá como descendentes do homenageado, a convite do COLÉGIO ESTADUAL ÁUREO FILHO - CEAF, capitaneado pela Diretora Simone Oliveira, ao evento do XI FESTIVAL DE TALENTOS.

Retornamos anteontem, 17/10/2022, à bonita cidade de Ipecaetá, novamente convidados pela mesma Diretora, Simone Oliveira, agora para inauguração do novo Colégio Estadual Áureo Filho – o Estado construiu doze estabelecimento com padrão de excelência.

A frase de Áureo Filho que está escrita atrás Alberto Oliveira
Filho é a seguinte "Não se faz política com educação;
 Se faz política da Educação; para se obter Educação Política"

Já nesta época quando fomos ao evento de 2019, vimos como os ipecaetences se integram a essa entidade de educação, notamos o quanto  se constata a liderança da Professora Simone Oliveira.


Fotos do momento da inauguração

Ressalte-se que quando da construção dos doze colégios com os novos padrões estruturais, as comunidades educacionais foram comunicadas pelo Secretário de Educação do Estado, 2020-2022, a possibilidade de mudar de patrono, só o Colégio Estadual Áureo Filho, optou-se por manter o nome ante o argumento de estar enraizado na cidade a nomenclatura Colégio Estadual Áureo Filho, em Ipacaetá. Obviamente deixam os descendentes de Áureo de Filho duplamente devedores de Ipacaetá. 
Dois dos três netos de Áureo Filho, Alberto
Oliveira Filho e Gil Mário Oliveira, ladeando
Evandro Oliveira, o outro neto presente na 
solenide Evandro Filho foi que tirou a foto

Ao fundo vemos parte do Parque Esportivo do Colégio Estadual Áureo Filho constando de: três campos de futebol sendo um de grama e dois de areia; uma quadra poliesportiva, coberta; piscina semiolímpica, de 50 metros. 



As duas fotos acima são da sala de informática






Fotos de sete salas de aula, valorizando baianos notáveis com partes de textos que notabilizaram no mundo.

Foto do excelente restaurante do Colégio Áureo Filho

Laboratório de Ciências, Física, Química e Biologia

Alberto Oliveira ao lado de Simone Oliveira, a
 diretora do CEAF; o corpo docente/administrativo;
 Cleoilda Oliveira (Profª Baby) e Evandro Oliveira
Presente da Diretora Simone Oliveira
retrato de Áureo Filho feito por um aluno
Da esquerda para a direita: Simone
 Oliveira; Cleoilda e Evandro Oliveira
 e Edson Paggio que é  ipecaetence


Alberto, Simone Cleoilda e Evandro

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

PESQUISADORES DA UEFS LANÇAM LIVROS SOBRE LETRAMENTO E VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

 


Pesquisadores vinculados ao Programa de Pós-graduação em Estudos Linguísticos (PPGEL) da UEFS lançam, nesta segunda-feira (22), os livros “Convergências: Letramento(s), texto(s) e ensino” e “Variação e mudança na língua portuguesa”. As obras, que levam o selo Pontes Editores, são resultados de pesquisas de professores e estudantes da pós-graduação de universidades brasileiras, apresentadas em evento da Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN). A cerimônia de lançamento será realizado nesta segunda-feira (22) às 16h na sala de defesas do prédio da Pós-Graduação em Letras e Educação, no campus da UEFS. Os livros discutem temas atuais e relevantes sobre a Educação Linguística, com ênfase aos estudos sobre práticas de leitura, escrita e oralidade de estudantes da Educação Básica, Análise do Discurso e questões sobre a variação e a história da Língua Portuguesa.

Deu no Blog da Feira

sexta-feira, 10 de junho de 2022

UEFS - "EU ESTAVA LÁ".

Luciano Ribeiro
Santanopolitano

A UEFS completa, neste ano de 2022, 46 anos de exis­tência. Acompanhei alguns passos dessa trajetória que, com essa crónica, deixarei como uma homenagem a essa Instituição.

Certa feita, fui tocado pela notícia de que estava em esboço a criação de uma Faculdade em Feira de Santana, chamada de Faculdade de Educação.

Eu participava do Movimento Estudantil e o professor Raimundo Gama convidou-me para, entre outros estudantes, integrarmos uma comitiva que iria a Salvador entregar, ao então Governador Luís Viana Filho, a reivindicação da criação da Faculdade agora, creio eu, já com um projeto pronto.

Recordo-me que junto ao Governador, os pronunciamentos foram os mais diversos, sendo o último do então Deputado Áureo Filho. E aqui cabe um parêntese nesta história. O deputado fez um excelente pronunciamento, o melhor de todos! Falava sempre de improviso e, disseram-me que, como sempre ficava para falar no final, tinha a capacidade de, ouvindo outros oradores, formar ali, com grande maestria, seu pronunciamento. Foi isto o que fez e foi muito aplaudido.

Autorizado o funcionamento da referida Faculdade, veio o primeiro vestibular, as matrículas e a primeira turma, salvo engano, com quarenta alunos. Eu fui o 4º aluno matriculado naquela Instituição.

Quem vê o Campus da UEFS hoje, não pode imaginar que tudo começou numa única sala de aula, emprestada pelo Colégio Municipal. O Prof. José Maria Nunes Marques foi o primeiro Diretor e a Prof.

Joselice Macedo, de Salvador, como a grande orientadora e mestra de todos nós.

A minha militância estudantil, de caráter esquerdista, impulsionou-me a fundar logo o primeiro Diretório Acadêmico, com ares de oposição ao sistema ditatorial, então vigente no Brasil.

Recordo-me que, aos primeiros anúncios da criação do Diretório, fui chamado por uma professora que tentou-me demover daquela ideia. E, guardo, até hoje, suas palavras:

- Luciano, a situação no país hoje é muito difícil. Diretórios de Universidades famosas estão sendo fechados, imagine o daqui. Este diretório, como está sendo organizado, e definido em suas metas, pode prejudicar até a existência da própria Faculdade. Ouvi tudo o que me foi dito, prometi “moderar nas tintas”, mas não mudei nada do planejado. E o Diretório foi criado, e o Diretório existe até hoje.

Acompanhei o crescimento da UEFS, então Faculdade, na sua mudança para a antiga Escola Normal. Sair de uma simples sala de um colégio municipal para a grandiosidade do atual CUCA era um passo fenomenal.

E a Faculdade cresceu, tornou-se adulta, tornou-se uma Universidade. Universidade esta que é um marco, não só para Feira de Santana, não só para Bahia, não só para o Brasil, mas marcando posição a nível Internacional.

Parabéns UEFS! Parabéns todos aqueles que fizeram e fazem com que nos orgulhemos de seu nome: Universidade Estadual de Feira de Santana.

Transcrito do "Jornal NoiteDia", edição de 03 a 06 de 2022, de propriedade de José Carlos Pedreira (Zé Coió), Santanopolitano.

 

quinta-feira, 9 de junho de 2022

PALESTRA E MESA REDONDA - PPGM UEFS EDUCAÇÃO AMBIENTEL


Tema: Educação Ambiental na rede básica: desafios das políticas institucionais e das práticas pedagógicas escolares. Participantes: Drª Ludmila Cavalcante, Santanopolitana (DEDU/EEA-UEFS); Msc. Geroneusa Cerqueira do Espírito Santo (EEA-UEFS)

quarta-feira, 25 de maio de 2022

O PROBLEMA DOS 35 CAMELOS - O HOMEM QUE CALCULAVA.


O total de 35 camelos, de acordo com o enunciado da história, deve ser repartido, pelos três

herdeiros, do seguinte modo:

− O mais velho deveria receber a metade da herança, isto é, 17 camelos e meio.

− O segundo deveria receber um terço da herança, isto é, 11 camelos e dois terços.

− O terceiro, mais moço, deveria receber um nono da herança, isto é, 3 camelos e oito nonos.

Feita a partilha, de acordo com as determinações do testador, haveria uma sobra.

Observe que a soma das três partes não é igual a 35, mas sim a 33 e 1/18.

Há, portanto, uma sobra que seria de um camelo e 17/18 de camelo.

A fração 17/18 exprime a soma 1/2 + 1/3 + 1/9, frações que representam pequenas sobras.

Aumentando­se de 1/2 a parte do primeiro herdeiro, este passaria a receber a conta certa de 18

camelos; aumentando­se de 1/3 a parte do segundo, este passaria a receber um número exato de 12

aumentando­se de 1/9 a parte do terceiro herdeiro, este receberia exatos quatro camelos. Observe

porém que consumidas com esse aumento as três pequenas sobras, ainda há um camelo fora da

partilha.

Como fazer esse aumento das partes de cada herdeiro?

Esse aumento foi feito admitindo­se que o total de camelos não era 356, mas 36 camelos (com o

acréscimo de 1 ao dividendo).

Mas, sendo o dividendo 36, a sobra passaria a ser de dois camelos.

Tudo resultou, em resumo, do fato seguinte:

Houve um erro do testador.

A metade de um todo, mais a terça parte desse todo, mais um nono desse todo, não é igual ao todo.

Vejam:

1/2 + 1/3 + 1/9 = 17/18

Para completar o todo, falta, ainda, 1/18 desse todo.

O todo, no caso, é a herança dos 35 camelos.

1/18 de 35, é igual a 35/18.

 

A fração 35/18 é igual a 1 e 17/18

Conclusão feita a partilha, de acordo com o testador, ainda haveria uma sobra de 1 e 17/18.

Beremiz, com o artifício empregado, distribuiu os 17/18 pelos três herdeiros (aumentando a parte de

cada um) e ficou com a parte inteira da fração excedente


quarta-feira, 27 de abril de 2022

ÁUREO DE OLIVEIRA FILHO

JOSELITO FALCÃO AMORIM - IN MEMÓRIA

Como dever: Finca no teu chão uma semente e procedes para que os frutos, além de sadios, sejam úteis ao teu povo

     Atendendo prazerosamente à solicitação do recém criado Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana, que solicita um pronunciamento a respeito de prof. Áureo de Oliveira Filho, o faço com um misto de orgulho e satisfação. Vários são os motivos que me deixam feliz. Primeiro por se tratar de um dos feirenses mais ilustres e com maior parcela de serviços prestados a sua comunidade. Em segundo lugar, por constatar que, a nossa Terra, sem jamais relegar sua vocação comercial - um dos nossos orgulhos e a razão do seu ser, ampliada ainda pela nova e indispensável vocação industrial e, mais ainda pela recente vocação cultural - que nos parece - seja em futuro o seu maior polo de desenvolvimento, já não pensa apenas no vil metal.

Áureo de Oliveira Filho

    Que poderei dizer além do que já foi dito a seu respeito por amigos, admiradores e ex-alunos, em livro editado por ocasião do centenário do seu nascimento - 2002? A sua obra educacional, primeiro ginásio oficializado do interior do Estado, tornou-se não um fato histórico, porém um fato de grande repercussão, não só para a cidade, projetando-a, como de grande utilidade para a juventude interiorana, que não tinha outra alternativa, a não ser a capital do Estado.

Foram milhares e milhares de jovens que para aqui acorreram em busca do saber. E que resultado! Quantos médicos, advogados, dentistas, engenheiros, agrónomos, comerciantes, industriais, governadores, ministros, deputados, etc. Quanta gente boa!

Áureo não foi só o dono do colégio, foi acima de tudo um grande mestre, um sonhador, um idealista, um grande educador. Presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino da Bahia e Sergipe por longos anos, Áureo vivia os problemas de sua cidade. Estudava-os. Debatia-os e lançava-se à luta. A batalha pela energia, que era deficientíssima. A luta pela água encanada. A luta pelo asfaltamento da rodovia Feira-Salvador. A luta pelo telefone. A luta pelo Aeroclube de Feira, do qual foi presidente.

A lula pelo Frigorífico de Feira, tão mal equacionado. Em todas elas, ele estava na linha de batalha. Feira ressentia-se da falta de um hotel, Áureo o construiu. Feira não tinha um auditório, Áureo o fez. Quantos e quantos jovens pobres foram amparados pelo seu colégio. Enquanto muitos enriqueceram com o ensino, Áureo, mesmo sendo o pioneiro, morreu pobre.

Constatando serem limitados os horizontes da cidade, na qual foi vereador, torna-se deputado estadual, para melhor servir a sua comunidade. E o faz de modo brilhante. Orador oficial do Poder Legislativo, líder do Governo, defensor e reivindicador de melhoria para seu povo. Defensor da criação da Universidade, do parque industrial, de mais escolas para a juventude, de casas populares para o povo e de tantas e tantas outras justas reivindicações.

Conheci o Dr. Áureo Filho quando, após concluir a quinta série primária, trabalhava no Ginásio Donato de Souza, recém criado, para poder custear meus estudos na escola de comércio do Prof. Donato, à noite. O prof. Áureo ensinava Ciências Físicas e Naturais, jovem brilhante, entusiasta, voz de timbre firme e vibrante, como que a vender esperança.

Não tendo êxito o Ginásio Donato de Souza, por falta de registro no Ministério da Educação e Cultura, o Dr. Áureo aproveita, ou melhor, faz com que a semente plantada pelo Prof. Manoel Donato de Souza passe a germinar no Ginásio Santanópolis, que surge devidamente reconhecido pelo MC, em 1933. Cinquenta alunos na sua primeira turma, da qual tive a oportunidade e o prazer de participar.

Áureo teve a felicidade de formar um corpo docente de primeira linha, recrutando o que de melhor havia na cidade: Gastão Guimarães, Honorato Bonfim, Pedro Américo, Mons. Amilcar Marques, Renato Santos Silva, Prof. Antônio Matos, Profa. Edelvira Oliveira, Hermengarda Oliveira, Ten. Abdon Souza, Isabel Alexandrina de Carvalho, José Joaquim Lopes de Brito. Mais tarde com o reforço de Geraldo Leite, Osvaldo Requião, José Maria Nunes Marques, Lourdes Brito, José Soares, Edelvito Campelo de Araújo e de tantos e tantos outros mestres que os sucederam com as mesmas qualificações. Primeiro corpo docente, que mesmo sem formação pedagógica, nada ficou a desejar. A faculdade de filosofia que se incumbia da formação de professores para o ensino médio, surgiu alguns anos depois, por volta de 1940, por iniciativa de outro grande educador, que foi o Prof. Isaías Alves de Almeida.

O Santanópolis cresce a passos agigantados. Ginásio, Colégio (segundo grau), Escola de Comércio. A sua eficiência comprova-se pela classificação nos certames de cunho cultural, de âmbito estadual e nacional. Áureo não media esforços para que seu colégio participasse, fazia todas as despesas. O ingresso dos seus alunos nas Universidades, na maioria das vezes sem os, hoje, afamados cursinhos para vestibular. Além disso, quantos e quantos jovens tiveram oportunidades de desempenhar funções importantes, graças à formação recebida.

Áureo defendia uma educação integral; Física - Moral e Intelectual o assim a praticava no sou colégio. O Regimento Interno com deveres e direitos dos corpos docente, discente e administrativo, era a cartilha de todos os dias, de todos os momentos. Pena que, hoje em dia, a escola cuide apenas da parte intelectual, olhe lá! A formação ética foi relegada a plano secundário. Que falta está a fazer... Os dirigentes que o digam... Pobre País!

No momento em que o ensino público, se já não se encontra sucateado, porém em marcha célere e, quando se alega falta de recursos para reformá-lo, ou melhor, ressuscitá-lo, acho que o primeiro passo não requer grande dispêndios. Basta competência e boa vontade. Direções eficientes: Implantação e execução dos regimentos internos em todos os estabelecimentos de ensino, nos quais se estabeleça direitos e deveres de professores, alunos e funcionários. Cartilha de ética. Acompanhamento para que os programas curriculares sejam ministrados na íntegra. A melhoria e ampliação do seu quadro físico e funcional viria em seguida. Encontrando todos aptos e com disposição para desempenharem seus deveres funcionais.

Ao constatar o surgimento espontâneo de mais uma entidade de cunho cultural o Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana - o que muito nos alegra - fico a pensar na nossa pequenina Feira, na sua origem. - Uma fazenda - hospedaria, dos seus fundadores: Domingos Barbosa de Araújo o Ana Brandoa, a quem rendemos homenagem.

Hospedaria - Cidade residência, assim foi Feira por longos anos. A sua feira livre, o seu comércio a transformaram em Cidade Comercial, da qual muito nos orgulhamos, e, tornou a razão do seu ser. O seu crescimento, a necessidade de ampliar o mercado de trabalho para os jovens, a fizeram também um grande polo industrial. Maravilhoso. Polo económico!

Feira clama pelo ensino superior. Toda sua população mobiliza-se. Surge a Universidade, que em poucos anos torna-se uma das mais eficientes do Estado. Surgem novas Faculdades, Academias de Letras e Artes, jornais diários, rádios, televisão e tantas e tantas outras entidades de cunho cultural. Volto a pensar: será que a nossa Feira ainda não se encontrou? Cidade residencial, comercial, industrial e já agora para mais uma alegria. Cidade Universitária.

Feira, pelas facilidades que apresenta: cidade ampla, plana, sistema viário de primeira, cidade ordeira e pacata, com toda infraestrutura, material humano de qualidade e disponível, próximo da Capital, tem tudo para se transformar num grande centro educacional. Assim vemos Feira de Santana, em marcha célere, em busca de novos horizontes, tentando redefinir sua vocação. CIDADE UNIVERSITÁRIA[1]. Construir-se-ia, em futuro próximo, junto à Universidade, em  Maria Quitéria, uma vila universitária, com 4 ou 5 mil unidades, alojamentos para alunos e professores, quadras esportivas, biblioteca, teatro, piscina olímpica, etc. Seria a maneira mais fácil e útil de iniciarmos o resgate da dívida imensa, que temos com a célula Mater. Sonho de Áureo Filho.

Revista Inst. Hist. Geogr. de Feira de Santana, a I, n. 1, p. 123-126, 2004



[1] Nota do Blog – Sobre este assunto, sempre achei que o Município (doando terreno), UEFS e entidades federais de financiamento, deveriam projetar uma vila universitária para financiar residências para professores, nos moldes que fizeram com moradias para policiais militares, na área doada pelo o Estado junto a Delegacia e Ciretran. A UEFS mantem, a um enorme custo, transporte de ônibus Feira a Salvador, só justificado nos primeiros anos, para atrair os necessários Lentes.  Também a falta de apoio de vários governos municipais de nossa cidade à UFRB - Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

sexta-feira, 1 de abril de 2022

LÍNGUA PORTUGUESA

 

Repeteco publicado na AFL, pelo acadêmico Alberto Peixoto

LÍNGUA PORTUGUESA

    (Eduardo Afonso).


Volta e meia alguém olha atravessado quando escrevo “leiaute”, “becape” ou “apigreide” – possivelmente uma pessoa que não se avexa de escrever “futebol”, “nocaute” e “sanduíche”. 


Deve se achar um craque no idioma, me esnobando sem saber que “craque” se escrevia “crack” no tempo em que “gol” era “goal”, “beque” era “back” e “pênalti” era “penalty”. E possivelmente ignorando que esnobar venha de “snob”. 


Quem é contra a invasão das palavras estrangeiras (ou do seu aportuguesamento) parece desconsiderar que todas as línguas do mundo se tocam, como se falar fosse um enorme beijo planetário. 


As palavras saltam de uma língua para outra, gotículas de saliva circulando em beijos mais ou menos ardentes, dependendo da afinidade entre os falantes. E o português é uma língua que beija bem.


Quando falamos “azul”, estamos falando árabe. E quando folheamos um almanaque, procuramos um alfaiate, subimos uma alvenaria, colocamos um fio de azeite, espetamos um alfinete na almofada, anotamos um algarismo. 


Falamos francês quando vamos ao balé usando um paletó marrom, quando fazemos um croqui ou uma maquete com vidro fumê; quando comemos uma omelete ou pedimos na boate um champanhe ao garçom; quando nos sentamos no bidê, viajamos na maionese, ou quando um sutiã (sob o edredom) provoca uma gafe - ou um frisson.


Falamos tupi ao pedir um açaí, um suco de abacaxi ou de pitanga; quando vemos um urubu ou um sabiá, ficamos de tocaia, votamos no Tiririca, botamos o braço na tipoia, armamos um sururu, comemos mandioca (ou aipim), regamos uma samambaia, deixamos a peteca cair. Quando comemos moqueca capixaba, tocamos cuíca, cantamos a Garota de Ipanema.


Dá pra imaginar a Bahia sem a capoeira, o acarajé, o dendê, o vatapá, o axé, o afoxé, os orixás, o agogô, os atabaques, os abadás, os babalorixás, as mandingas, os balangandãs? Tudo isso veio no coração dos infames “navios negreiros”.


As palavras estrangeiras sempre entraram sem pedir licença, feito uma tsunami. E muitas vezes nos pegando de surpresa, como numa blitz.


Posso estar falando grego, e estou mesmo. Sou ateu, apoio a eutanásia, gosto de metáforas, adoro bibliotecas, detesto conversar ao telefone, já passei por várias cirurgias. E não consigo imaginar que palavras usaríamos para a pizza, a lasanha, o risoto, se a máfia da língua italiana não tivesse contrabandeado esse vocabulário junto com a sua culinária.


Há, claro, os exageros. Ninguém precisa de um “delivery” se pode fazer uma “entrega”, ou anunciar uma “sale” se se trata de uma “liquidação”. Pra quê sair pra night de bike, se dava tranquilamente pra sair pra noite de bicicleta? 


Mas a língua portuguesa também se insinua dentro das bocas falantes de outros idiomas. Os japoneses chamam capitão de “kapitan”, copo de “koppu”, pão de “pan”, sabão de “shabon”. Tudo culpa nossa. Como o café, que deixou de ser apenas o grão e a bebida, para ser também o lugar onde é bebido. E a banana, tão fácil de pronunciar quanto de descascar, e que por isso foi incorporada tal e qual a um sem-fim de idiomas. E o caju, que virou “cashew” em inglês (eles nunca iam acertar a pronúncia mesmo).


“Fetish” vem do nosso fetiche, e não o contrário. “Mandarim”, seja o idioma, seja o funcionário que manda, vem do portuguesíssimo verbo “mandar”. O americano chama melaço de “molasses”, mosquito de “mosquito” e piranha, de “piranha” – não chega a ser a conquista da América, mas é um começo. 


Tudo isso é a propósito do 5 de maio, Dia da Língua Portuguesa, cada vez mais inculta e nem por isso menos bela. Uma língua viva, vibrante, maleável, promíscua – vai de boca em boca, bebendo de todas as fontes, lambendo o que vê pela frente.


Mais de oitocentos anos, e com um tesão de vinte e poucos.

sexta-feira, 11 de março de 2022

AS SANTANOPOLITANAS EDUCADORAS DE GERAÇÕES


Duas santanopolitana marcantes ex-professoras do Colégio Santanópolis e de vários outros estabelecimentos: Elza Macêdo e Maria Cristina de Oliveira Menezes (Marinita).

 

terça-feira, 8 de março de 2022

MATEMÁTICA AS CONTENDAS DE NOVAES

CARLOS PEREIRA DE NOVAES

 Professor de Hidráulica, e hidrologia do Departamento de Tecnologia da Universidade Estadual de Feira de Santana - Ba Mestre em Hidráulica e Saneamento pelo Departamento de Hidráulica  e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos - USP


 



terça-feira, 30 de novembro de 2021

DESPEDIDA DO TREMA

 


"Estou indo embora. Não há mais lugar para mim.

 

Eu sou o trema. Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali, na Anhangüera, nos aqüíferos, nas lingüiças e seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüenta anos.

Mas os tempos mudaram.

 

Inventaram uma tal de reforma ortográfica e eu simplesmente tô fora. Fui expulso pra sempre do dicionário. Seus ingratos! Isso é uma delinqüência de lingüistas grandiloqüentes!...

 

O resto dos pontos e o alfabeto não me deram o menor apoio...

 

A letra U se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela. Os dois pontos disse que seu sou um preguiçoso que trabalha deitado enquanto ele fica em pé. Até o cedilha foi a favor da minha expulsão, aquele C cagão que fica se passando por S e nunca tem coragem de iniciar uma palavra. E também tem aquele obeso do O e o anoréxico do I.

 

Desesperado, tentei chamar o ponto final pra trabalharmos juntos, fazendo um bico de reticências, mas ele negou, sempre encerrando logo todas as discussões. Será que se deixar um topete moicano posso me passar por aspas?...

 

A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são os estrangeiros, é o K e o W, "Kkk" pra cá, "www" pra lá.

 

Até o jogo da velha, que ninguém nunca ligou, virou celebridade nesse tal de Twitter, que aliás, deveria se chamar TÜITER.

 

Chega de argüição, mas estejam certos, seus moderninhos: haverá conseqüências! Chega de piadinhas dizendo que estou "tremendo" de medo.

 

Tudo bem, vou-me embora da língua portuguesa. Foi bom enquanto durou. Vou para o alemão, lá eles adoram os tremas. E um dia vocês sentirão saudades. E não vão agüentar!...

  

Nós nos veremos nos livros antigos. Saio da língua para entrar na história.

 Adeus,


Trema."

Recebi de Marcondes, Autor desconhecido.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

PORTUGUÊS NÃO É PARA AMADOR

 Um poeta escreveu:

"Entre doidos e doídos, prefiro não acentuar".

Às vezes, não acentuar parece mesmo a solução.

Eu, por exemplo, prefiro a carne ao carnê.

Assim como, obviamente, prefiro o coco ao cocô.

No entanto, nem sempre a ausência do acento é favorável...

Pense no cágado, por exemplo, o ser vivo mais afetado quando alguém pensa que o acento é mera decoração.

E há outros casos, claro!

Eu não me medico, eu vou ao médico.

Quem baba não é a babá.

Você precisa ir à secretaria para falar com a secretária.

Será que a romã é de Roma?

Seus pais vêm do mesmo país?

A diferença na palavra é um acento; assento não tem acento.

Assento é embaixo, acento é em cima.

Embaixo é junto e em cima separado.

Seria maio o mês mais apropriado para colocar um maiô?

Quem sabe mais entre a sábia e o sabiá?

O que tem a pele do Pelé?

O que há em comum entre o camelo e o camelô?

O que será que a fábrica fabrica?

E tudo que se musica vira música?

Será melhor lidar com as adversidades da conjunção ”mas” ou com as más pessoas?

Será que tudo que eu valido se torna válido?

E entre o amem e o amém, que tal os dois?

Na sexta comprei uma cesta logo após a sesta.

É a primeira vez que tu não o vês.

Vão tachar de ladrão se taxar muito alto a taxa da tacha.

Asso um cervo na panela de aço que será servido pelo servo.

Por tanto nevoeiro, portanto, a cerração impediu a serração.

Para começar o concerto tiveram que fazer um conserto.

Ao empossar, permitiu-se à esposa empoçar o palanque de lágrimas.

Uma mulher vivida é sempre mais vívida, profetiza a profetisa.

Calça, você bota; bota, você calça.

Oxítona é proparoxítona.

Na dúvida, com um pouquinho de contexto, garanto que o público entenda aquilo que publico.


E paro por aqui, pois esta lista já está longa.


Realmente, português não é para amador!


Se você foi capaz de ENTENDER TUDO, parabéns!!! Seu português está muito bom!


(Desconheço a autoria)


Excelente texto para trabalhar a importância da acentuação, parônimos e homônimos.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

FEIRA DE SANTANA RECEBE INESTIMÁVEL PRESENTE

Carlos A. Brito
Santanopolitano
     
A Fundação Senhor dos Passos, através do Núcleo de Preservação da Memória Feirense, recebe presente.

Abaixo descrição.











 

terça-feira, 27 de julho de 2021

"PORTUGUÊS" É O ÚNICO IDIOMA EM QUE SE PODE ESCREVER UM TEXTO SÓ COM A LETRA "P".

PODEMOS PARTIR? 

Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir. Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas.

Pálido, porém perseverante, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris. Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas. Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se. Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal. Povo previdente! Pensava Pedro Paulo… "Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses".

Passando pela principal praça parisiense, partindo para Portugal, pediu para pintar pequenos pássaros pretos. Pintou, prostrou perante políticos, populares, pobres, pedintes. - "Paris! Paris!" Proferiu Pedro Paulo. -"Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir".

Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas. Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu: -Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Porque pintas porcarias? -Papai, proferiu Pedro Paulo, pinto porque permitiste, porém preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal. Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando. Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus. Partindo pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro.


Publicação:

António Jorge - Português

Paranhos - Porto - Portugal


sábado, 10 de julho de 2021

FÉ EM MATEMÁTICA FAZ MAL


CARLOS PEREIRA DE NOVAES

 Professor de Hidráulica, e hidrologia do Departamento de Tecnologia da Universidade Estadual de Feira de Santana - Ba Mestre em Hidráulica e Saneamento pelo Departamento de Hidráulica  e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos - USP



Vamos analisar uma equação conhecida, que os colegas matemáticos dizem que, quando x tende a zero, tende a "e”, a equação 1.

Y = lim (1+x)(1/X) = e Será????       (1)

X ® 0


Gráfico da equação (1) nas cercanias de x igual a zero.

Primeiramente vamos examiná-la para X igual à zero.

Y = (1+0)(1/0) = 1 = indeterminado       (2)

Vejam, para x igual a zero, o valor de Y, que também é o limite da equação 1 é indeterminado e quem diz isto é a matemática, não sou eu, é a matemática.

Assim, para x igual a zero, é impossível Y ser igual a "e”. Logo, conclui-se que o limite requerido pela equação 1, com x tendendo a zero, é indeterminado.

Portanto o tal do "e” só pode ocorrer para valores muito pequenos de X, que chamaremos de n, infinitesimais, e não para X igual a zero.

Mas para valores pequenos de X, n, ocorrem duas aproximações à zero, uma é a aproximação no domínio positivo e a outra é no domínio negativo, que resultam em dois valores de Y, ambos próximos a "e”, obviamente, mas ambos diferentes entre si, de forma que os valores de Y negativo serão sempre infinitesimalmente maiores que os valores de Y positivos. Por exemplo, para X igual a -1E-10, Y é 2,71828205351 e para X igual a 1E-10, Y é igual a 2,71828205323. Ou seja, a matemática afirma uma coisa e quer provar outra.

Este limite, como requer a equação 1 tem dois limites quando X tendem a zero, ou melhor, para valores de X pequenos, um ligeiramente diferente do outro. Qual dos dois é o "e”? Foi o que eu sempre quis saber baseado num questionamento coerente.

Mas não, só por que alguém, vai saber quem foi, disse que este limite era "e”, começou a aparecer demonstrações "horrorosas” desta pseudo verdade.

Eu nunca disse que ele não era "e”, eu só acho este limite esdrúxulo.

Como é que um número é indeterminado, por uma teoria, pode ser igual a "e”

por outra teoria? Como é que 1¥ , que, em minha opinião, é igual a 1*1*1*.................................................................................... *1 ou 1,

pode ser igual a "e”? Como 1¥ é igual a 1+ 1/1!+1/2!+1/3!... ?? Que coisa estranha.

Só que tem fé em matemática acredita, sem pensar, nesta hipótese bizarra.

Provem, mas, por favor, me mandem uma demonstração coerente.

Fiz este artiguinho, para relembrar, em parte, a minha discórdia.

Outra coisa, demonstrar o limite estatisticamente, através de possíveis ajustes, é apelação. O verdadeiro limite é indeterminado, pela matemática, ela é quem afirma.

Eu sei que à hora não é conveniente, por causa desta pandemia, mas escrevo mais este artigo para não morrer de covid19 e com fama de burro. Pega mal. Hum!!!

Isto é fé em matemática. Façam demonstrações, coerentes que eu me calo.

Leiam o livro "Memórias de um matematiqueiro, uma nova proposta de análise de limites matemáticos”. O número "e” só pode ocorrer para valores de X pequenos maiores ou menores que zero. Para X igual à zero é impossível, é milagre.





Filme do Santanopolis dos anos 60