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Evandro J.S. Oliveira |
Por causa dos incêndios na Amazônia, gerando um clima de histeria, provocado principalmente pelo governo brasileiro, dando lugar a vários palpites, a maioria em completo desconhecimento da região, resolvemos coletar o beabá , sobre o assunto.
Durante cinco séculos a Amazônia sofre ataques do
“civilizadores/destruidores”, com poucas ajudas nessa luta.
A Amazônia sempre foi uma
incógnita e fonte de fábulas e projetos mirabolantes.
A grandiosidade da Amazônia, criou ambiente ideal para ficção e
megalomanias, raramente com conhecimento científico. Dezenas de livros com
imaginários da selva, desde tribos de mulheres: O nome Amazonas, que batiza o
maior Estado do Brasil e um dos maiores rios do mundo, tem sua origem em uma
lenda grega que veio parar em terras brasileiras, quando expedicionários
europeus, liderados pelo espanhol Francisco Orellana, chegaram à região que
hoje pertence à Amazônia, em 12 de fevereiro de 1542, encontraram um grupo de
índias guerreiras. Segundo os relatos, elas lutavam nuas e viviam em tribos
isoladas, sem homens. Eram chamadas pelos índios de icamiabas. Por seus
costumes, elas lembravam as lendárias amazonas da mitologia grega, que viviam
na Ásia Menor, e logo foi feita a associação entre elas[1].
Até o grande escritor peruano, Mário Vargas Llosa, em seu livro hilário
de ficção, “Pantaleão e as visitadoras”, descreve um projeto do militares do
Peru, em que Pantaleão era chefe de um grupo de prostitutas levadas
para os quarteis da floresta amazônica com o objetivo de diminuir os hormônios dos
soldados, evitando ataques às mocinhas das aldeias.
Mas entrando nos problemas mais sérios, de ameaças a o
territórios nacionais, iremos citar alguns episódios para melhor entendimento
da Amazônia.
ALGUNS FATOS OFICIAIS DA
COBIÇA POR PAÍSES ESTRANGEIROS.
Não é segredo para ninguém: a região amazônica brasileira é a
última fronteira natural com alto potencial econômico a ser explorada no mundo.
A biodiversidade, o conhecimento dos povos nativos sobre o uso
farmacológico da flora, a diversidade da fauna, a capacidade florestal de
contribuir para a estabilização do clima e o regime natural de regulação de
precipitações hídricas no planeta, são bens de interesse mundial.
...França tentou se apropriar de parte do território do Amapá,
para anexá-la à Guiana Francesa – visando justamente as jazidas minerais ali
existentes. O conflito se estendeu até 1895 quando se deu a arbitragem sobre a
questão, tendo por árbitro inquisidor o Conselho Federal Suíço. A sentença
favorável ao Brasil foi proferida pelo Presidente Walter Hauser e confirmada
pelo Rei da Bélgica, Leopoldo II.
Em 1904, porém, a Corôa Britânica decidiu apropriar-se da região do
Pirara, no território de Roraima, usando como subterfúgio um conflito muito
similar ao que foi observado há pouco pelo Supremo Tribunal Federal, na vizinha
Raposa Serra do Sol. Esse conflito, com clara conotação minerária, já vinha se
arrastando desde o final do período do Vice-Reino de Portugal, em 1810, quando,
soldados ingleses iniciaram uma incursão na região, sendo impedidos pelas
forças portuguesas aquarteladas no magnífico e já bicentenário Forte de Macapá.
Posteriormente, em 1835, o explorador Robert Schomburgk fez uma incursão
“científica” à região, a pretexto de compreender a geografia física da Guiana.
Schomburgk desenhou um mapa abrangendo a região do Tacutu, do Mau e do Surumu –
segundo ele ocupada por “tribos independentes”.
A opinião pública europeia “aplaudiu” o relatório, e a Corôa Britânica
decidiu relativizar a soberania do Brasil na região.
A relativização foi ainda incentivada pelo missionário protestante
Thomas Yound, encarregado de “catequizar” os índios, ensinando-lhes o idioma
inglês e hasteando a bandeira da Inglaterra na região do Pirara – terra
brasileira. A disputa pelas terras prosseguiu até que se decidiu optar pela via
diplomática, em 1898.
A Inglaterra, por óbvio, nunca objetivou garantir direitos indígenas na
superfície ou atraí-los para o cristianismo. Sempre quis se apropriar dos
minerais estratégicos contidos no subsolo daquela região.
Arbitrado o conflito pelo rei da Itália, Vitório Emanuel II, o
Brasil perdeu o território para a Corôa Britânica, que o anexou à Guiana
Inglesa, ganhando, assim, um acesso à Bacia Amazônica – que até então não
tinha.
Esse impressionante fato histórico permanece ignorado solenemente por
quem deveria sabê-lo de cor e salteado – dentro e fora do Estado Brasileiro.
Porém, a história da cobiça inglesa ainda não terminou.
A estratégia da obstrução à exploração minerária
O episódio de 1904 constituiu o pano de fundo da visita ao Brasil do
Príncipe Charles, herdeiro do trono da Inglaterra, e do Primeiro Ministro
Gordon Brown, acompanhados do economista da Coroa (e prócer eurocêntrico da
política de mudança do clima), Nicholas Stern, não coincidentemente duas
semanas antes da “histórica” decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o
caso da Raposa Serra do Sol.
A Raposa Serra do Sol é vizinha do território de 30 km retirado do
Brasil pela Corôa Britânica, no século passado, e por ela ainda cobiçada.
Afinal, a Corôa Britânica planeja estrategicamente, projetando intervalos de
cinquenta e cem anos (ela não tem pressa…).
A “liberação” da Raposa Serra do Sol para os “povos indígenas”, foi
decidida pelo Presidente Lula e avalizada por decisão do STF. (*1)
OS MEGALÔMANOS
PROJETOS FRACASSADOS
FERROVIA MADEIRA/MAMORÉ
A primeira tentativa de fato, se deu em 1872,
através do empresário norte americano George Church, que contrata uma
empreiteira inglesa com concessão para a construção da ferrovia.
“Mas não dá certo, eles não tem a mínima ideia do que vão
encontrar aqui, vêm despreparados”, comenta o historiador.
Depois, em 1878, novamente Church faz uma tentativa, convida
para Rondônia uma empreiteira norte americana.
“Também não dá certo, eles passam por muitos percalços principalmente
relacionados às doenças tropicais, complementa, Dante.
Em 1905, o governo faz uma nova proposta de concessão para
construção e quem ganha é um empresário brasileiro, o engenheiro Joaquim
Catrambi, que logo depois vende para o norte americano Percival Farquhar. Esse
compra a concessão em 1907 e começa a construir a ferrovia.

Histórias inéditas da Ferrovia do Diabo
O livro "Trilhos
na Selva" mostra que a construção da Madeira-Mamoré foi um faroeste com
doenças, levantes e jogos de pôquer

Editado completamente em inglês, o
“Marconigram” tinha a função de entreter uma mão de obra envolvida com perigos
maiores que um mero tamanduá de patada certeira. Vítimas de malária, febre
amarela, beribéri, febre hemorrágica e outros males tropicais, metade dessas
pessoas vindas de diversas partes do mundo morria na selva, criando-se a lenda
de que, debaixo de cada dormente da estrada de 360 quilômetros, escondia-se uma
alma. Ao todo, dez mil trabalhadores perderam a vida e estão sepultados ao
longo do rio Madeira. O dia a dia nas clareiras não era fácil. O uso do álcool
era proibido. A prática religiosa, banida.
À noite, os trabalhadores ficavam
aterrados com os uivos dos animais e muitos deles passavam a ter transtornos
psicológicos.
O livro narra um episódio envolvendo o responsável pelo registro das horas de trabalho J.E. James que sentiu-se mal na mata e, com medo de pernoitar no local, começou a delirar. Baseado em outra edição do “Marconigram”, fica-se sabendo de um levante comandado por uma centena de alemães, em dezembro de 1910. Eles haviam sido contratados para trabalhar na construção, mas não imaginavam o “mico” em que iriam se meter. “Nas várias paradas feitas no rio Amazonas, a desilusão foi aumentando: quando chegaram a Porto Velho, recusaram-se a desembarcar”, lê-se no jornal. O que se segue é a formação de um pequeno exército rebelde ameaçando deflagrar uma “guerra civil na selva”. Atendidos, saíram em debandada. Nove homens que partiram numa jangada improvisada nunca mais foram vistos: mais tarde as cabeças de cinco deles foram encontradas flutuando no rio.
O livro narra um episódio envolvendo o responsável pelo registro das horas de trabalho J.E. James que sentiu-se mal na mata e, com medo de pernoitar no local, começou a delirar. Baseado em outra edição do “Marconigram”, fica-se sabendo de um levante comandado por uma centena de alemães, em dezembro de 1910. Eles haviam sido contratados para trabalhar na construção, mas não imaginavam o “mico” em que iriam se meter. “Nas várias paradas feitas no rio Amazonas, a desilusão foi aumentando: quando chegaram a Porto Velho, recusaram-se a desembarcar”, lê-se no jornal. O que se segue é a formação de um pequeno exército rebelde ameaçando deflagrar uma “guerra civil na selva”. Atendidos, saíram em debandada. Nove homens que partiram numa jangada improvisada nunca mais foram vistos: mais tarde as cabeças de cinco deles foram encontradas flutuando no rio.
Segundo os Neeleman, a região era
habitada pelos hostis índios paintintins e cangas-piranhas. Nem todos os
nativos, contudo, eram perigosos. Os caripunas, de barriga avantajada por se
alimentar unicamente de amido, aparecem em fotos de Merrill. O cacique veste um
pijama que o fotógrafo havia comprado de um navio holandês de suprimentos: o
trocou por flechas e algumas poses vaidosas. Em outra imagem, vê-se um caripuna
de cabelo encaracolado, o que deveria ser uma moda local. Acompanhando a
distância a chegada do progresso, as tribos indígenas ficavam admiradas ao ver
uma locomotiva testando os trilhos. Se o bicho metálico parava de andar,
viravam as costas, indiferentes.
Apesar de a construção da “Ferrovia
do Diabo” ter sido uma façanha da engenharia (tinha até hospital completo), os
trabalhadores narram esses episódios em tom de faroeste e até uma prática da
corrida do ouro nos EUA é reproduzida no que eles chamavam de “zona ardente”: o
pôquer. O jogo de cartas era praticado no dia seguinte ao pagamento e quem
ganhasse deveria abandonar o emprego e retornar aos EUA. Alguns perdiam tudo,
cerca de US$ 150, uma boa soma para a época. Voltar para o lar era, aliás, o sentimento
geral, expresso inclusive em versos. O poeta mais frequente no “Marconigram”,
R.S. Stout, não poupava o Brasil: o pintava como “a terra da febre sombria”.
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