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FOTO OFICIAL DO ENCONTRO

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quinta-feira, 8 de setembro de 2022

PERFIL DE JOAQUIM GOUVEIA GAMA

JOAQUIM GOUVEIA GAMA - Nasceu no dia 11 de novembro de 1924, no povoado de Sí­tio dos Remédios, município de Bezerros, em Pernambuco. Filho de Francisco Clementino da Gama e Laura Maria da Conceição.

Joaquim Gouveia é de origem camponesa. Começou a tra­balhar na roça nos canaviais de usinas de Pernambuco aos oito anos de idade. Depois em cultivo de mandioca, milho, feijão, ba­tata, algodão, frutas, verduras, etc. Não teve uma infância regu­lar como outra criança inclusive criou-se quase analfabeto, vindo praticamente estudar depois de adulto; de modo que não teve o curso primário, ingressando no ginásio, através do curso de ad­missão. Serviu ao Exército em 1945/1946, tendo sido promovido a Cabo.

Foi casado com a Profª Erenice Augusta Gouveia da Gama, tendo feito “Bodas de Ouro” (1949/1999), (falecida em 2010) com quem teve onze filhos: Suzana, Lóide, Raquel, Natanael, Levi, Israel, Paulo, Moisés, Daniel, Ruben e Jadiel. Tem 25 netos e 05 bisnetos.

Chegou a Feira de Santana em 29 de maio de 1949. Aqui se dedicou à atividade de camelô (vendedor ambulante de calçados). Depois, com barraca de calçados no Mercado Municipal (hoje Mercado de Arte Popular). Em seguida com lanchonete, quando se aposentou já no Centro de Abastecimento.

Fez o curso ginasial no Colégio Santanópolis (1ª e 2ª série) e no Colégio Estadual (3ª e 4ª série) e o curso Magistério, no IEGG (Instituto Gastão Guimarães).

Na vida pública foi administrador de bairro, chefe de Almoxarifado Geral e diretor do Departamento de Material e Património da Prefeitura Municipal, nos governos de Colbert Martins da Silva e José Raimundo Pereira de Azevêdo.

Joaquim Gouveia da Gama é atleta, poeta cordelista, escritor, pesquisador e memorialista. E membro da ACFS (Associação Cultural de Feira de Santana), da AFAC (Associação Feirense de Atletas Corredores), da ALAFS (Academia de Letras e Artes de Feira de Santana) e do IHGFS (Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana).

E possuidor de mais de 300 títulos (premiações) entre diplomas, taças, troféus, placas e medalhas, inclusive três honoríficos (oficiais): Comenda Maria Quitéria, outorgada pela Câmara Municipal de Feira de Santana; Placa conferida pelo prefeito José Raimundo Pereira de Azevêdo, um Diploma e um Troféu oferecidos pelo então Governador, Dr. João Durval Carneiro. Como atleta tomou parte cm mais de duas centenas de competições em diversos lugares, tanto na Bahia, como Feira de Santana, Salvador, Irará, Alagoinhas, Cachoeira, Amélia Rodrigues, Jacobina,

Juazeiro, Ilhéus, Santanópolis, quanto em outros estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Aracaju (Sergipe), etc.

Dedicou-se ao esporte e à pesquisa sobre a memória da Feira de Santana, assim como da sua geografia urbana. 

Fonte: Lélia Vitor Fernandes de Oliveira

terça-feira, 26 de outubro de 2021

INDÚSTRIA - PRIMEIRO PASSO PARA O DESENVOLVIMENTO DE FEIRA DE SANTANA - II

Lélia V. F. Oliveira
Santanopolitana
    LÉLIA VITOR FERNANDES OLIVEIRA (PERFIL)

     INDÚSTRIA - PRIMEIRO PASSO PARA O DESENVOLVIMENTO DE FEIRA DE SANTANA - I

    

    ... botas, jaleco, luvas, chapéus, etc. (Manoel Ribeiro de Macedo & Irmão -1877), outros materiais como: sabão, panelas de barro, moringas, potes, cestas de palha, sacos, tapetes, cordas de caroá, colchões, vassouras, utensílios de madeira, carvão vegetal.

Também se fabricava carros de boi, transporte usado nas fazendas, para carregar mercadorias e até passageiros, nas cidades onde a civilização ainda não tinha chegado. 

Surgiram os alambiques para fabricação de cachaça. Em 1877, já existia o Alambique do Vallado, onde havia tanoeiros encarregados de consertar as pipas e barris. Ainda nesta mesma data já se fazia propaganda da Padaria da Fé, com fabricos de pães, bolachas, broas, queijadinhas, bolos "Pão de Ló", etc. Já existia a Photographia Nacional de Pedro Gonçalves da Silva.

Em 1880, surgiu a indústria gráfica "Typographia do Motor" (ortografia da época), onde eram impressos convites, jornais, recibos, cartazes, avisos, cartas para convites, folhetos, cartão de visita, etc.; Typographia do Jornal da Feira (1884)



Em 1882, foram surgindo pequenas fabriquetas como a MEURON & C.- que fabricava o rapé Areia Preta, proveniente do fumo (O Progresso - 18 de agosto de 1882).

Pharmacia Costa (1882).

Café Moído de João Henrique d' Oliveira.

As fábricas de beneficiamento de fumo, com a Criação do Instituto Baiano de Fumo, instaladas na BR-116 e no distrito de Bonfim de Feira, onde exportava o fumo para a Europa, destacando-se a Alemanha.

Os Currais Modelo na Rua Geminiano Costa na década de 30.

No início do século 20 já se destacavam as seguintes fábricas, armazéns e indústrias de pequeno e médio porte:

® Café Aromático de Aguinaldo Soares, foto ao lado (1921);

Agnaldo Soares Boaventura
Foi prefeito de Feira de Santana

       Fábrica Trindade de vinhos e vinagre de Emygdio Chrisóstomo Trindade;

® Fábrica Floresta de Gabriel Correia Ramos de vinho e vinagres;

       Móveis Celta indústria e comércio de móveis;

       Fábrica Leão do Norte do químico Paulo Costa Lima, criador do Depurativo 43 e Vinho Jurubeba Composto, instalada em 1920, em Feira de Santana. Em 1927, recebeu o Diploma de Bronze, no Rio de Janeiro; o Diploma de Honra do Instituto Agrícola Brasileiro, no Rio de Janeiro. Transferiu-se para Simões Filho, como Indústria Leão do Norte (logo marca abaixo, que até hoje a família administra; 

Logomarca da Leão do Norte

® Os maiores comerciantes do fumo eram: Cel. Agostinho Fróes da Motta, Heráclito Dias de Carvalho, João Mamona. Exportadores e armazéns de fumo: Francisco Maia, Bartolomeu Santos, Alexandre Falcão Farias, Estefânio Souza, Zelito e Raimundo Maia, Adalberto Pereira; 

Heráclito Dias de Carvalho
(Seu Lolô)





Agostinho Froés da Motta 

       Usina de Algodão - 1938 - no Governo de Landulfo Alves. O maior plantio de algodão era em São José das Itapororocas, seu diretor era Dr. Asclepíades Negrito de Barros. Criou o Instituto do Fumo da Bahia e a Fazenda Mocó de raças bovinas.


Dr. Asclepíades Negrito
 de Barros
Foto- PorSimas
Na década de 50 surgiram muitas fabriquetas, indústrias de grande porte tais como:


       A extração e o tratamento de óleos vegetais. O preparo do óleo de dendê; óleo de oliva, óleo de rícino, óleo do caroço do algodão (1950); 


Usina de Algodão - foto do Jornal Grande Bahia

       Destilarias e alambiques. Eram mais de dez: Boa Esperança, Água Fria, São Pedro, Itamar, Alambique da Barrigada, Jurema Ibicaraí, Destilaria de Genésio Alves Moreira, Leolindo, Destilaria Rio Seco, Cachoeirinha e Cruzeiro: (continua na 3ª postagem).

Replicando: Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana nº 17

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

PERFIL DE JOSÉ FALCÃO DA SILVA

José Falcão da Silva Nasceu na Fazenda Cocão, distrito de Mercês, em São Gonçalo dos Campos, no dia 19 de agosto de 1930.

Filho de Tibúrcio Ferreira da Silva e Abdésia Falcão da Silva.

Aos 10 anos de idade ficou órfão de pai e passou a residir com seus tios: Antônio Eloi da Costa e Francisca Carolina da Costa, frequentando a escola primária, tendo como professoras as Sras. Auta Marques de Oliveira e Morgan Falcão de Freitas. Aos 12 anos ele veio residir em Feira de Santana, continuando seus estudos com as professoras Izabel Alexandrina de Carvalho e Cinira Campos. Em 1945, ingressou no Seminário Menor de São José, em Salvador, motivado pelo sentimento religioso, onde permaneceu até 1949.

Voltando para Feira de Santana continuou seus estudos no Colégio Santanópolis, onde concluiu os cursos Técnicos em Contabilidade e Magistério, no qual ensinou Latim, Francês e Português. Lecionou também no Ginásio Municipal Joselito Amorim as disciplinas: Educação Moral e Cívica, Economia Política e Contabilidade.

Sentindo necessidade de ganhar dinheiro, para ajudar na subsistência da família foi trabalhar na loja de sapatos, denominada “Mundo dos Calçados”, de propriedade de Antônio Alves Caribé.

Em 1952, submeteu-se a concurso no Banco do Brasil, onde permaneceu até sua aposentadoria em 1982.

Em 1956, após vestibular ingressou na Faculdade de Direito de Aracaju, transferindo-se posteriormente em 1959 para a Faculdade da UFBA, onde foi diplomado em 1960. Exerceu a profissão como advogado, nas áreas cível, trabalhista, comercial e penal, em Feira de Santana e cidades circunvizinhas. Foi um dos fundadores da subseção da OAB (Ordem dos Advogados da Bahia).

·       Na vida pública, José Falcão iniciou candidatando-se Deputado Federal, mas só conseguiu ficar na terceira suplência, em 1962. Exerceu seu primeiro mandato parlamentar na legislatura de 1967 a 1971, como vereador da Câmara Municipal de Feira de Santana (BA), eleito em novembro de 1966 pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. Nesta legislatura desempenhou as funções de vice-presidente da Câmara e liderou a bancada municipal de seu partido. Candidato a prefeito pelo MDB em 1971, foi derrotado por Newton da Costa Falcão. Empresário, professor e proprietário de uma emissora de rádio na região, elegeu-se em novembro de 1973 prefeito de Feira de Santana, ainda pelo MDB. Exerceu o mandato entre fevereiro de 1974 e janeiro de 1977 e voltou a ocupar a chefia do Executivo daquele município, sendo a criação do Centro de Abastecimento a obra que marcou a sua administração.  Entre 1983 e 1988, tendo sido eleito, desta vez, pelo Partido Democrático Social (PDS), agremiação que sucedeu a Aliança Renovadora Nacional (Arena) após o fim do bipartidarismo em novembro de 1979.

·       Ligado politicamente ao ex-governador Antônio Carlos Magalhães, líder baiano do Partido da Frente Liberal (PFL), José Falcão elegeu-se nesta legenda para a Câmara dos Deputados, em 1990. Participou dos trabalhos legislativos como titular da Comissão de Finanças e Tributação e suplente da Comissão de Constituição e Justiça e de Redação.

·       Em maio de 1992 envolveu-se numa briga na Câmara, quando foi agredido pelo deputado Geddel Vieira Lima, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), depois que este ofendeu Antônio Carlos Magalhães, então governador da Bahia.

·       Na sessão da Câmara dos Deputados de 29 de setembro de 1992 Falcão votou a favor da abertura do processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial Paulo César Farias. Afastado da presidência logo após a votação na Câmara, Collor renunciou ao mandato em 19 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado Federal, sendo efetivado na presidência da República o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo o cargo interinamente desde 2 de outubro.

·       Nas principais matérias constitucionais apresentadas na Câmara dos Deputados ao longo da legislatura 1991-1995, Falcão votou contra a criação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), imposto de 0,25% sobre transações bancárias criado como fonte complementar de recursos para a saúde, e a favor da criação do Fundo Social de Emergência (FSE), que permitia ao governo retirar recursos de áreas como saúde e educação para ter maior liberdade de administração das verbas, e do fim do voto obrigatório.

·       Concorrendo à reeleição nas eleições de 1994, pela legenda do PFL, obteve apenas a quarta suplência. Deixou a Câmara em janeiro do ano seguinte, ao final da legislatura. Rompendo politicamente com o PFL de Antônio Carlos Magalhães, em 1996 Falcão candidatou-se à prefeitura de Feira de Santana, pela legenda do Partido Progressista Brasileiro (PPB). Durante a campanha, acusou o grupo ligado ao senador baiano de montar “um acampamento de terror na cidade”, “exercendo um clima de pressão com inauguração de pequenas obras eleitoreiras”. José Falcão acabou derrotando no segundo turno o candidato do PFL, Josué Melo. Assumiu o mandato na chefia do Executivo municipal em janeiro de 1997. Mas faleceu em agosto 1997.

Antes de casar-se criou um grande número de pessoas, ao lado da professora Maria Antônia da Costa. Aos cinquenta anos casou-se com Maria da Purificação Falcão da Silva, não tiveram filhos, mas adotaram filhos pelo coração, entre eles: José Raimundo e Roberto Tourinho da Silva e muitos outros.

Foi Presidente da Sociedade Filarmônica Euterpe Feirense.

 

 

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

PERFIL DE OLNEY SÃO PAULO

Olney Alberto São Paulo nasceu em Riachão de Jacuipe, 7 de agosto de 1936) foi um cineasta brasileiro. Casado com a também cineasta Maria Augusta, era pai dos atores Ilya e Irving, do poeta e músico Olney São Paulo Junior e de Maria Pilar. Filho de Joel São Paulo Rios e Rosália (Zali) Oliveira São Paulo, Olney fez os primeiros estudos em sua cidade natal. Perdeu o pai Joel aos sete anos de idade, e foi morar com seu avô, o tabelião Augusto Asclepíades de Oliveira, em Riachão do Jacuípe.

Em 1948, o avô levou Olney, sua mãe, Dona Zali, e seus irmãos Valnei, Valdenei e Walneie, para morar em Feira de Santana que, neste período, já era o entreposto comercial mais importante do sertão baiano. Ali o menino continuou seus estudos no Colégio Santanópolis.

Algum tempo depois, D. Zali se casou novamente, e Olney ganhou mais três irmãos - Carlos Antônio, Colbert Francisco e Alberto Ulysses. Olney se destacou no colégio, participando do grêmio, fez parte da equipe campeã do Colégio Santanópolis das olimpíadas de qualidade técnicas dos Cursos de Contabilidade do Estado da Bahia, promovida pelo MEC-CAEC, escrevendo sobre a cinema no jornal do colégio e foi escolhido orador da turma do ginásio.

A paixão pelo cinema nasceu com a chegada a Feira de Santana da equipe do diretor Alex Viany, em 1954, para filmar o episódio “Ana” do filme Rosa dos Ventos (Die Windrose), com roteiro de Alberto Cavalcante e Trigueirinho Neto. Olney engajou-se na equipe durante todo o tempo em que esteve em Feira de Santana, e acompanhou as filmagens e atuou como figurante em algumas cenas. Em carta escrita a Alex Viany, em 5 de novembro de 1955, escreveu: “Eu sou um jovem que tem inclinação invulgar para o cinema. Porém, como neste mundo aquilo que desejamos nos foge sempre da mão, eu luto com incríveis dificuldades para alcançar o meu objetivo”. Em 1955 foi redator do jornal "O Coruja"[1] Sob o pseudônimo de Conde D'Evey[2] escreveu sátiras e críticas ao colunismo social de Feira de Santana, na coluna Causerie, para desgosto da burguesia local[3]. Escreveu também sobre literatura e artes. Também criou e dirigiu o programa “Cinerama” na Rádio Cultura de Feira de Santana, onde comentava filmes em exibição e novidades da produção mundial. Lecionou contabilidade pública organização técnica comercial no Colégio Santanópolis. No mesmo ano, foi aprovado no concurso do Banco do Brasil. No ano seguinte, leitores ofendidos forçaram Olney a encerrar a coluna Causerie[4]. O programa de rádio também chegou ao fim.

Na impossibilidade de realizar produções cinematográficas, escreveu sobre casos e fatos - alguns verídicos, outros imaginários - transformando-os em telenovelas e contos escritos em estilo cinematográfico, abordando temas nordestinos - o  nome do colégio, a magia do seu povo, personagens e histórias do sertão reconstruídas em narrativa linear, encadeadas à moda do cancioneiro popular -, registrando o linguajar regional do catingueiro.

Ainda em 1955, com o fotógrafo Elídio Azevedo, produziu seu primeiro curta-metragem- “Um crime na feira”. Com uma filmadora 16mm Kodak antiga e, coletando dinheiro entre os amigos, comprou os negativos. Filmou o roteiro em sequência linear, efetuando os cortes com as paradas na própria câmera, já que não dispunha de moviola. Finalizado entre 1956 e 1957, com dez minutos de duração, o filme foi exibido em clubes de Feira de Santana e outras cidades do interior da Bahia, acompanhando espetáculos teatrais que o próprio Olney organizava, pela Associação Cultural Filinto Bastos. Nessa época, Olney criou a Sociedade Cultural e Artística de Feira de Santana (SCAFS) e o Teatro de Amadores de Feira de Santana (TAFS).

Em maio de 1956 conquistou a menção honrosa do concurso de contos da revista “A cigarra”, do Rio de Janeiro, com o conto “Festim à meia-noite”. Em outubro do mesmo ano, conquistou outra menção honrosa, desta vez com o conto “A última História”.

 

Começou a se interessar pela obra de Jorge Amado. Escreveu-lhe algumas cartas entre 1956 e 1957, pedindo informações sobre o andamento das filmagens de algumas de suas obras.

Em 1958, Olney foi baleado pelas costas pelo amigo Luiz Navarro. Ambos disputavam a jovem Maria Augusta. Navarro disse que foi acidental. O ferimento perfurou seu pulmão esquerdo.

Em 1959, durante uma viagem a Maceió, no estado de Alagoas, adquiriu uma câmera Bell & Howell. Escreveu o roteiro do documentário “O Bandido Negro”, sobre um personagem da literatura popular, Lucas de Feira (1804-1849), chefe de um bando terrível, que assolou a região de Feira de Santana, realizando saques e assaltos e também lutou pela abolição da escravatura na Bahia. Escreveu também o roteiro do “O vaqueiro das caatingas”, ambos os roteiros não concretizados por falta de recursos.

Encontro com o Cinema Novo

Em 1961, o diretor Nelson Pereira dos Santos foi a Feira de Santana com a intenção de realizar as filmagens de Vidas Secas, baseado no romance homônimo de Graciliano Ramos. Os planos foram modificados em razão das chuvas torrenciais que atingiram a região, e o diretor foi obrigado a improvisar um outro roteiro, que resultaria no filme Mandacaru Vermelho, rodado em Juazeiro, na Bahia. Nesse filme, o jovem Olney atuou como continuísta da produção, assistente de direção e produção, além de também compor o elenco. Terminada a filmagem, que se prolongou por Feira de Santana, Olney e Nelson tornaram-se grandes amigos. A experiência de Mandacaru Vermelho marcou de fato a integração de Olney ao grupo pioneiro de cineastas do Cinema Novo.

Na véspera do natal de 1961, casou-se com Maria Augusta Matos Santana. Ainda naquele ano, começou a escrever e dirigir a revista literária, "Sertão" (1061 - 1963).

Em janeiro de 1962 nasceu seu primeiro filho, Olney São Paulo Junior. No mesmo ano, Olney participou como assistente de direção de O caipora, de Oscar Santana, rodado em Riachão do Jacuípe, nas Zonas de Pé-de-Serra, Chapada e Beira do Rio. Também na mesma época, em Salvador, estabelece contato com a geração liderada por Glauber Rocha.

A formação cinematográfica de Olney foi influenciada pelo neo-liberalismo, e por filmes de guerra e western americanos. Seus principais inspiradores foram John Ford, Vttorio de Sica, Roberto Rosselini, Giuseppe De Santis, Augusto Genina e Pietro Germi. Estudou também as ideias de Vsevolod Pudoykin, sobre montagem cinematográfica, e foi leitor dos escritos de Georges Sadoul, sobre a história do cinema.

Realizou seu primeiro longa-metragem, O Grito da Terra, em 1964, abordando a realidade do nordeste brasileiro. Entre a pré-produção do filme e o início das filmagens, nasceu seu segundo filho Ilya Flayert. Nelson Pereira do Santos e Laurita dos Santos foram os padrinhos do menino. As filmagens iniciaram-se em novembro de 1963. Para compor a cenografia do filme, Olney contou com colaboração dos comerciantes de Feira de Santana, que emprestaram móveis, roupas de cama, utensílios e adereços. O figurino era constituído por roupas dos próprios atores ou emprestado por amigos. A pré-estreia do filme ocorreu no dia 27 de novembro de 1964, com apresentação do o cineasta Orlando Senna. Entre 1965 e 1967, o Grito-da-Terra foi exibido no Rio de Janeiro, Salvador, Aracaju e Recife. Participou do I Festival Internacional do Filme de Guanabara, do Festival do Cinema Baiano, em Fortaleza, e da Noite do Cinema Brasileiro, organizada pela embaixada dos Estados Unidos, em dezembro de 1965. No entanto, sofreu cortes pela Censura Federal, pois um personagem faz menção à volta do Cavaleiro da Esperança, Luiz Carlos Prestes, membro do Partido Comunista Brasileiro. Por conta do corte, o produtor Ciro de Carvalho, convidado pelo Itamarati, não aceitou que o filme representasse o Brasil em festivais internacionais. Os produtores receberam prêmio do governo de Carlos Lacerda, o que lhes possibilitou saldar dívidas bancárias e confeccionar uma nova cópia do filme, sem cortes, e exibi-la nos principais cinemas do nordeste.

"Manhã Cinzenta" foi realizado entre 1968 e 1969. Junto com Ternando Coni Campos, Olney decidiu registrar alguns acontecimentos da época, com sua câmera 16mm, a partir do seu conto homônimo, escrito em 1966, e da documentação feita por José Carlos Avellar, sobre protestos de rua. Para driblar a censura, confeccionou várias cópias do filme, enviando-as para cinematecas de outros países e para os festivais de Viña del Mar (Chile), Pesaro, Cannes e Mannheim.

Prisão e censura

Na manhã do dia 8 de outubro de 1969 ocorreu o primeiro sequestro de um avião brasileiro, por membros da organização MR-8. O avião foi desviado para Cuba. Um dos sequestradores era membro da diretoria da Federação Carioca de Cineclubistas, presidida na época por Silvio Tendler. "Manhã Cinzenta" foi exibido a bordo. Olney foi vinculado pelas autoridades brasileiras ao sequestro, sendo detido e levado para local ignorado, ficando incomunicável por doze dias. Liberado, em 5 de dezembro foi internado com suspeita de pneumonia dupla. Em 25 de dezembro, muito debilitado psíquica e fisicamente, passou alguns dias com a família e foi internado novamente.

Os negativos e cópias de "Manhã Cinzenta" foram confiscados, mas, uma das cópias do filme foi salva por Cosme Alves Neto, então diretor da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e ficou por vinte cinco anos escondida na Cinemateca do MAM. Assim, embora proibido no país pela Censura Federal, o filme foi exibido na Itália, no Festival de Pesaro, no Festival Internacional de Cinema de Viña de Mar, na Quinzena de Realizadores do Festival de Cannes, em 1970. Participou também da XIX Semana Internacional de Mannheim, conquistando o prêmio de melhor média-metragem, e foi premiado no Festival de Oberhausen, na Alemanha, em 1972.

Olney realizou ainda, em 1970, o documentário O profeta de Feira de Santana, sobre o artista plástico Raimundo de Oliveira. A equipe era formada pelo produtor Júlio Romiti e Tuna Espinheiro, como assistente de direção.

Em 11 de maio de 1971, nasceu a filha de Olney São Paulo, Maria Pilar.

Em 13 de janeiro de 1972, o Superior Tribunal Militar absolveu definitivamente o cineasta das acusações de subversão da ordem, relacionadas ao filme Manhã Cinzenta.

Apesar da saúde debilitada, ainda realizou "O Forte", baseado no romance de Adonias Filho, longa-metragem no qual se destaca a paisagem de Salvador, tendo como um dos protagonistas o sambista e ator Monsueto Menezes, que morreu durante a filmagem. O filme teve inúmeros problemas e as filmagens sofreram várias interrupções, que prejudicaram bastante a qualidade do resultado final. Com o filme "Pinto Vem Aí", sobre o ex-deputado Francisco Pinto, ganhou o prêmio Jornal do Brasil, em 1976.

Olney São Paulo morreu cedo, vítima de câncer do pulmão, aos 41 anos.

Sobre o cinema de Olney São Paulo 

De Glauber Rocha, em seu livro Revolução do Cinema Novo (Rio de Janeiro. Alambra/Embrafilme: 1981, p. 364):

"Olney é a Metáfora de uma Alegorya. Retirante dos sertões para o litoral – o cineasta foi perseguido, preso e torturado. A Embrafilme não o ajudou, transformando-o no símbolo do censurado e reprimido. "Manhã Cinzenta" é o grande filme explosão de 1968 e supera incontestavelmente os delírios pequeno-burgueses dos histéricos udigrudistas (...) Panfleto bárbaro e sofisticado, revolucionário a ponto de provocar prisão, tortura e iniciativa mortal no corpo do Artysta.

De Nelson Pereira dos Santos:

A imagem que guardo do meu compadre é uma síntese daquele documentário que ele fez sobre os sábios do tempo, os velhos sertanejos que dominam sistemas ancestrais de medição meteorológica [Sob o ditame do rude Almajesto: sinais de chuva (1976)]. Vejo-o de chapéu de couro, no raso da caatinga, conversando com os ventos, para saber de onde vêm e para onde vão.

Filmografia

Curtas

·         Um crime na rua (1955), 16 mm, 10 minutos,p&b, roteiro, direção e ator.

·         O profeta de Feira de Santana (1970), 35 mm, 8 minutos, cor, roteiro, montagem, diretor e co-produtor.

·         Cachoeira: documento da História (1973), 35 mm, 9 minutos, cor e p&b, roteiro, montagem, diretor e co-produtor.

·         Como nasce uma cidade (1973), 35 mm, 10 minutos, cor e p&b, roteiro, direção e produção.

·         Teatro brasileiro I : origem e mudanças (1975), 35 mm, 12 minutos, cor, roteiro e direção.

·         Teatro brasileiro II: novas tendências (1975), 35 mm, 11 minutos, cor, roteiro e direção.

·         Sob o ditame do rude Almajesto: sinais de chuva (1976),16 mm, 13 minutos, cor, roteiro e direção. Argumento: inspirado na crônica de Eurico Alves Boaventura. Câmera de Edgar Moura.

·         A última feira livre (1976), 16 mm, cor, direção. Roteiro de Hermínio Lemos. Câmera de Edgar Moura.

Médias

·         Manhã cinzenta (1969), 35 mm, p&b, 21 minutos, roteiro, direção e produção. Câmera de José Carlos Avellar.

·         Pinto vem aí (1976), p&b, 25 minutos, roteiro e direção. Câmera de Edgar Moura.

·         Dia de Erê (1978), 16 mm, 30 minutos, cor, roteiro e direção. Câmeras de Ronaldo Foster e Walter Carvalho.

Longas

·         Grito da terra (1964), 35mm, 80 minutos,p&b. roteiro e direção. Argumento: romance homônimo de Ciro de Carvalho Leite. Câmera de Leonardo Bartucci. Trilha Sonora de Fernando Lona.

·         O forte (1974), 35 mm, 90 minutos, cor, roteiro e direção. Argumento: romance homônimo de Adonias Filho.

·         Ciganos do nordeste (1976), 16 mm, 70 minutos, cor, roteiro, direção e produção. Câmera de Edgar Moura. O filme foi concluído em 1978, depois da morte do cineasta, pelos amigos Orlando Senna e Manfredo Caldas, seguindo as orientações deixadas por Olney São Paulo.

·         O Amuleto de Ogum (1974)

Fonte: Wikipédia



[1] Inicialmente criamos (eu, Evandro Oliveira, era fundador e secretário do jornal) o “Santanópolis”, nome do Colégio. Depois para ficarmos independentes mudamos para “O Coruja”.

 

[2] Ajudava Olney nesta coluna, tanto que o pseudônimo CONDE D’EVEY, era a junção das duas primeiras letras minhas, Evandro e as duas últimas de Oley. Como fazíamos sátiras e gozações, alguns não gostavam, mas nada sério.

[3] Não é certo. “O Coruja” nunca foi censurado, muito menos Olney com suas duas colunas uma a já citada acima e Causerie, só sobre cinema. As duas vezes que suscitaram uma maior reclamação foram 1ª o nosso colega , o editor chefe Luiz Navarro, fez uma crítica ao desfile de 7 setembro, o Conde D’Evey fez um trocadilho, “muito mal entendido pelo índio Navajo (pronuncia Navarro)”, ele quis cortar esta referência, mas perdeu na votação, ele sabia que o trocadilho foi ideia minha não de Olney. 2ª o cronista social Eme Pê fez uma grande festa no FTC para homenagear as “Dez senhoras mais elegantes da sociedade”.  O Conde D’Evey em um título “AS DEZELEGANTES”.. só uma fazia jus ao título elegante, por não ter ido à festa. O cronista andou se queixando.

Só uma vez, tivemos na justiça, matéria policial local, como denunciante. Foi o ápice do jornal, durante semanas vendemos mais que a “Folha do Norte” e ganhamos a questão. Republicarei neste Blog toda esta história. 

[4] Não houve isso, mesma razão da nota anterior.




 

sábado, 22 de agosto de 2020

CENTRO CULTURAL AUREO FILHO - 1944



Nota do jornal "Folha do Norte", em sua edição de 27 de maio de 1944 comunicando a nova diretoria do "Centro Cultural Áureo Filho", Colégio Santanópolis. Abaixo descrição dos referidos eleitos e empossados:

Presidente: Milton Brandão de Oliveira;

Vice-Presidente Maria Cristina de Oliveira (Marinita) Vel: Perfil de Marinita;

2º Vice-Presidente: Pedro Gomes Bomfim


1º Secretário: Divaldo Pereira Franco. Ver: Perfil de Divaldo

2º Secretário: Noelia Soares Araujo;

Tesoureira: Thais Sidou Valente de Lima;

Oradores: José Baia e Raimundo Reis de Oliveira. Ver: Perfil de Raimundo Reis

Bibliotecários: Danton Araujo e Pedro Brual;
Diretores de Esportes: Reginaldo Araujo e Hudson Amaury e Izac Gomes;

Conselho Fiscal: Arnobio Mascarenhas, Alberto Oliveira, Janete Bacelar, Maria Luiza Bahia e Neide Martins;

Comissão de Festas: Laura Jacira Viana Caldas, Jodelina Vilas-Boas, Terezinha Silva, Zélia Fernandes, Lourdes Nogueira, Hamilton Lima e Asdrubal Boaventura;



Direção de Imprensa: Diretor Dival Pitombo ver: Perfil de Dival Pitombo    Diretor Secretário Divaldo Franco; Redator Chefe Milton Brandão de Oliveira; Redator Secretário José Baia.  




sexta-feira, 21 de agosto de 2020

NOVENTA ANOS CULTIVANDO AMIZADES, ARTE E CULTURA

Gil Mário de Oliveira Menezes - Santanopolitano, foi professor titular B da Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS de 1976 a 2012, artista plástico, membro do Instituto Histórico e Geográfico e da Academia de Letras e Artes de Feira de Santana. 

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A festejada crítica de arte Matilde Matos e a Professora Maria Cristina Menezes “Marinita”, tem em comum o hábito de cultivar amizades. O que fazem prazerosamente há 90 anos.
À esquerda Matilde Matos
 e à diretita Marinita 
Matilde Augusta de Matos nasceu em 1927, na cidade de Caicó, Rio Grande do Norte. Veio a fixar residência em 1933, no Estado da Bahia, inicialmente em Serrinha e posteriormente na cidade de Feira de Santana, estudando no Colégio Santanópolis onde conheceu Marinita (minha mãe).
Na comemoração do aniversario de 90 anos de Marinita, constatei a presença de amigos do tempo das férias em Itaberaba, na residência de meus bisavós. Ainda solteiras e jovens fizeram amizades duradouras com Margarida Mendo Mendonça, Lelita Vaz de Queiroz, Noelia Sincurar de Andrade, Nilda Mascarenhas de Castro, Evoá Ferreira e Antônia de Loreto entre outros.
As amizades continuaram em Feira de Santana, época que o Sr. Mendo, pai de Margarida, gerenciava o único correio e telégrafo da cidade, funcionando em frente a nossa casa, nas imediações da Prefeitura Municipal. Quanto a Matilde, considerada de inteligência diferenciada, liderava as atividades esportivas do Santonópolis e não faltavam passeios ao Parque Bernardino Bahia, na época área de lazer e amizades. Em 1968, Matilde transferiu sua residência para a capital, Salvador, assumindo uma coluna no Jornal da Bahia onde abordava atividades culturais e artísticas da cidade e regiões. Sempre requisitada para criar e coordenar grandes eventos nesta área. Fui também beneficiado por suas ações com o registro no livro “50 anos de Arte na Bahia”, obra que todo artista gostaria de ser citado.

Representante da ABCA – Associação Brasileira de Críticos de Arte e da AICA -  Associação Internacional de Críticos de Arte, coordenou o I Salão de Artes Plásticas do Museu Regional de Feira de Santana, em 1980, e o II Salão em 1984. Nestas datas a grande feira livre da cidade já estava confinada no Centro de Abastecimento desde janeiro de 1977, mais Feira continuou produzindo cultura e artes plásticas através de seus artistas. Matilde é personagem incentivadora desta produção.
Acredito que a longevidade esteja relacionada à regularidade da vida, amigos e trabalhos constantes, talvez contribuam para este sucesso.
Existe uma teoria divulgada por Sidarta Gautama (Buda) transformada na condensação de suas leis que diz: “o sofrimento surge do desejo”; “a única forma de se livrar totalmente do sofrimento é se livrar totalmente do desejo”. Certamente essas pessoas alcançaram essa máxima, vivendo a felicidade que Deus deu.
O Colégio Santanópolis, desde 1933 já pensava em promover arte e cultura, além da educação formal seu objetivo alvo. Com isto, promoveu em 1951 a primeira exposição de Raimundo de Oliveira, atualmente festejado artista visual brasileiro e imortalizado em suas obras. Para historiar sobre o colégio que vivenciei na minha adolescência, começo pelos meus avós o Deputado Áureo Filho e Palmira Sampaio de Oliveira, família de educadores que elevou o nível intelectual e quebrou a monotonia educacional da cidade, inovou no ensino e estimulou a cultura. Com essa máxima e propósito, minha mãe Marinita, estudou e ensinou no colégio. Em seguida frequentou a Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia e pós-graduação em Biologia na Universidade de São Paulo, também é Licenciada em História Natural pela Faculdade de Filosofia da UFBA, além de extenso currículo. Desta forma, habilitou-se para dirigir em Salvador, o Colégio Carlos Santana e de volta a Feira de Santana, assumiu a direção geral do Colégio Assis Chateaubriand. No governo de Luiz Viana Filho, tendo como Secretário de Educação professor Edvaldo Boaventura, juntamente com o médico Geraldo Leite e alguns deputados da terra, participaram das primeiras reuniões para a criação da Universidade em Feira de Santana culminando na atual UEFS. Com a inauguração, em 1976, tornou-se professora Titular da Cadeira que exerceu até sua aposentadoria como Conselheira. Minha mãe casou-se com Gilberto Torres de Menezes (falecido) e teve cinco filhos, Gil Mário, Maria Lina, Jamile, Gilberto e Betânia.

terça-feira, 26 de maio de 2020

PERFIL DE FERNANDO RAMOS


Fernando Sousa Ramos, nasceu em Feira de Santana em 25 de outubro 1931, filho de Hildebrando Ramos dos Santos e Celina de Souza Ramos.
Estudou o curso primário na Escola João Florêncio, no Colégio Santanópolis cursou os dois primeiros anos do curso de ginasial (1944-1945), advogado; jornalista, tinha uma coluna de crítica musical no jornal “Folha do Norte”; escritor, grande romancista premiado.
Os dois principais livros do escritor feirense Fernando Ramos, são os romances "Os Enforcados" e "O Lobisomem de Feira de Santana", edições de 1970 e 2002. As duas publicações têm capa do artista plástico Juraci Dórea (foto ao lado).
Em "O Lobisomem de Feira de Santana", o escritor Fernando Ramos coloca o povo de Feira de Santana como protagonista do romance, que se passa em 1945, sendo ele próprio um dos personagens, Fernando Espírio, assim como sua irmã, Hortênsia Ramos, a Hortencinha das Tranças.
No round (capítulo) 14, está contido: "Dizem que Fernando Espírito tem esse apelido dado pelo inquieto estudante João Macêdo (botador de apelido), porque o pai era espírita, acomodando pessoas numa sala, incluindo o coletor Maneca Ferreira, em sessões noturnas. O filho, com 13 anos, nem queria saber de sessões, mediunidades, tempestuosos perturbados. (...). Fernando recebeu o apelido de Raimundo Cordeiro, na Escola João Florêncio, do curso primário, que dizia ser ele "o Espírito de Will Eisner, espetacular desenho americano das histórias em quadrinhos".
Prêmio literário da Secretaria de Educação e Cultura do Estado da Bahia, Prêmio Jorge Amado, ano 1968, "Os Enforcados", foi editado em 1970. O escritor baiano (de Itajuípe) Adonias Filho (1915-1990), um dos participantes da comissão julgadora, considerou (como está na contra-capa do livro): "Este romance é de alta qualidade literária, e há muito tempo não vejo obra de tão grande valor".
Na apresentação de "Os Enforcados", o autor Fernando Ramos diz: "Este romance com protagonistas fictícios se passa em Santa Brígida e localidades circunvizinhas ao Nordeste da Bahia, onde cavalgaram Lampião e seus cangaceiros. A ação decorre de 2 de setembro a 7 de outubro de 1966 (Santa Brígida não tinha ainda luz elétrica), obedecendo a um tempo cronológico e a uma coincidência de fatos, na caatinga".
Ele finaliza a apresentação, afirmando: "Antes de tudo, é um romance dramático e irreal num ambiente real".
Tem verbetes inclusos no Dicionário Aurélio. Está registrado na "História Crítica da Literatura Brasileira: A Nova Literatura”, do romancista piauiense Assis Brasil, Companhia Editora Americana do Rio de Janeiro, 1970.
Em 1969, seu romance "O Demônio" recebeu o Prêmio Jorge Amado, do Governo da Bahia. Em 1996, lançou o romance "Uauá, Glória, Tramas e Pistoleiros", pela Editora BDA Bahia. Na revista "Sertão", em 1955, com seleção de Olney São Paulo, teve o conto "O Clunâmbulo de Monte Santo" publicado.
Em 1969, participou da antologia "Doze Contistas da Bahia", com seleção e introdução de Antônio Olinto, pela Editora Record. Em 1978, participou da antologia "Dezoito Contistas Baianos", edição da Prefeitura da Cidade do Salvador.
Fernando Ramos também foi ator - fez um "homem sinistro" - no primeiro filme feirense e do interior da Bahia, o curta-metragem "Um Crime na Rua", realizado em 1955, por Olney São Paulo. Também atuou como assistente de direção deste filme e de "Grito da Terra", em 1964, primeiro longa-metragem de Olney São Paulo.
Fernando Ramos foi ainda um dos fundadores da Associação Cultural Filinto Bastos, em 1956, junto com Olney, que contava que ele "saía se escondendo (das reuniões) para comer 'passarinha' com pimenta". Nessa época, ele chamava Olney para contar uma idéia de um romance, "O Chamado das Longínquas Caatingas", que mais tarde virou conto e que ele esperava virar filme. Tempo também em que se reuniam em noites de prosas, contando sonhos e projetos, em um bar em frente do prédio da Prefeitura.
Quando o jornalista Dimas Oliveira editava o jornal "Feira Hoje", entre 1992 e 1993, publicou capítulos do livro (ainda inédito) "Meu Nome É Vargas", escrito em 1982 em folhetim.
No capítulo 177 (publicado no "Feira Hoje" em 7 de fevereiro de 1993), o romancista trata sobre o Cine Santana e faz referência aos "cinéfilos Dimas Oliveira e José Elmano Portugal":
"(...) Relampeou que dávamos atenção a filme de segunda, ele (José Elmano) precipitava a visão para os de primeira, para a magia do claro-escuro: Otelo, O Gabinete do Dr. Caligari. Nada de Charlie Chan. Gostava do filmaço moderno 2001: Uma Odisséia no Espaço, e da atmosfera irreal da imagem conjugada com o monólogo interior: Hamlet. No entanto, Dimas Oliveira, grande entendido, se internava no Cidadão Kane de Welles, o maior filme, com que a montagem galopou bem".No capítulo 224 (publicado em 4 de abril de 1993) , outra referência a Dimas Oliveira:
"A luz cega-me os olhos, me magnetiza, quando tento decifrar palimpsesto da Idade Média, pertencente ao metteur-en-scène Dimas Oliveira, o maior conhecedor da sintaxe do filme de arte desta cidade. Execro luz forte, que atrai mariposas. Prefiro o abajur de luz fraca ao escrever, como este aqui. (...)".
Quando Fernando Lysesfrank Sousa Ramos ainda morava em Feira de Santana - estava residindo em Salvador -, tinha muito contato com ele, em encontros no casarão da família, na então praça da Matriz, hoje praça Monsenhor Renato de Andrade Galvão, para falar de Feira de Santana, literatura e cinema - gostava muito ("Não sei o que seria de minha infância se não fosse o Cine Santana. Ele foi tudo para mim. Eu não tinha para onde ir").
Fernando faleceu em falecido no dia 23 de março de 2008, com 76 anos.


Fonte: a principal parte deste perfil, foi publicado no "Blog Demais", 23 de junho de 2017, Dimas Oliveira, 


quarta-feira, 13 de maio de 2020

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

PERFIL DE ADALGISA NADY ARAS DE MACÊDO


ADALGISA NADY ARAS DE MACÊDO - Nasceu em Euclides da Cunha/BA no dia 14 de junho de 1930. Filha de José Soares Ferreira Aras e Maria Benevides Aras.
Estudou as primeiras letras e o Curso Fundamental no Colé­gio Nossa Senhora Auxiliadora e no Ginásio D. Bosco, em Petroli- na/PE e o Curso Científico, no Colégio Santanópolis, em Feira de Santana. Cursou o Io ano de Farmácia na UFBA, depois se subme­teu ao vestibular em Odontologia, terminando o curso em 1957, já tendo comemorado o seu jubileu de ouro. Fez estágios na Base Aé­rea de Salvador, no Posto Odontológico do estado, em São Gonçalo da Federação e no Sindicato dos Bancários.
Clinicou em Salvador até 1959, dali seguindo para São Paulo, onde estudou durante três anos na USP, fazendo Pós-Graduação em Ortodontia, além de vários cursos na área. Foi assistente voluntária da Clínica de Odontopediatria e Ortodontia do Prof. Paulo Dantas, da Faculdade da USP. Trabalhou como dentista na Prefeitura Paulistana, retomando a Salvador, onde se instalou com consultório, no Edifício Castro Alves, na Rua Carlos Gomes, até 1966.

Ao final daquele ano, casou-se com o conterrâneo Walther Ferreira de Macedo, indo residir na cidade de Euclides da Cunha, sendo a primeira filha da terra a cursar universidade. Do seu casa­mento nasceram três filhos: Yuri Walther Aras de Macedo (admi­nistrador de empresas); Yafa Kadhija Aras de Macedo (odontóloga) e Ydma Illeana Aras de Macedo (odontóloga) e tem os netos: Matheus Henrique Aras de Macedo, Pedro de Oliveira Aras e João de Oliveira Aras.
Em Euclides da Cunha, montou consultório odontológico e enquanto atendia seus pacientes, aproveitava as horas disponíveis para ensinar aos alunos do Ensino Médio, do Educandário Oliveira Britto, disciplinas que os professores não assumiriam, como sejam: Inglês, Francês, Espanhol, Psicologia da Aprendizagem, História da Educação, Cultura Religiosa, Higiene e Puericultura, Educação Artística, Física, Química, Filosofia e Biologia.
Aposentada, dedica-se às letras, organizando os escritos dei­xados por seu pai - o escritor e poeta autodidata José Aras.
É membro da Academia de Letras e Artes de Feira de Santa­na, ocupando a Cadeira n° 39, cujo patrono é José Raimundo Aras.


Filme do Santanopolis dos anos 60