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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

PERFIL DE RAIMUNDO FALCÃO DE OLIVEIRA

Raimundo Falcão de Oliveira
Nasceu, em Feira de Santana, no dia 24 de abril de 1930, e morreu em Salvador, no dia 17 de janeiro de 1966. Era filho do Sr. Arsênio de Oliveira e D. Leolinda Falcão de Oliveira. Estudou na Escola da Professora Margarida Brito. Muito tímido, devido aos cuidados exagerados dispensados por sua mãe, lá estava ele como sempre triste à margem das brincadeiras e jogos com seus colegas. Preferia a companhia de sua mãe e de uma vizinha que o levava às aulas de catecismo. Criado com mimo, filho único, ficava fascinado por pinturas em almofadas, em vidro, em alto relevo, que sua mãe fazia entre as prendas domésticas. Na Escola, descobriram as suas aptidões e o convidaram a desenhar cenas históricas.
Quando ginasiano, estimulado pela professora de desenho, D. Hermengarda, retratou o rosto dos professores e esses desenhos formaram, praticamente, a sua primeira exposição, num dos salões do Ginásio Santanópolis do saudoso orador Áureo Filho. Em 1950, expôs na Prefeitura Municipal de Feira de Santana. No ano seguinte, em outra exposição no hall da Prefeitura, segundo jornal da época, convidando jovens feirenses a participar da exposição de desenho “para com ela manifestar vocações artísticas” e, entre 16 e 26 de dezembro do mesmo ano, expôs no Salão Nobre do Ginásio Santanópolis. Sentiu-se já um artista, mas um artista de Deus, pois surgiu- lhe outra vocação: a vida religiosa. Sua tia D. Anália fez sua matrícula no Seminário de Santa Tereza, em Salvador, às escondidas do pai que não desejava a carreira sacerdotal para o filho.
Alguns anos depois, estourou um escândalo em Feira de Santana: Raimundo deixara a batina. Esse jovem que desde cedo, gostava de telas e pincéis matriculou-se na Escola de Belas Artes de Salvador, onde teve como amigos Mário Cravo, Jenner Augusto e Rubem Valentim.
Sua primeira fase artística consta de igrejas, paisagens, cenas de roça e de cabaré.
Em 1952, em homenagem à Escola Normal que completava 25 anos, organizou, com o saudoso intelectual Dival Pitombo, a primeira exposição de arte moderna em Feira de Santana, na qual figuraram trabalhos seus ao lado de Portinari, Pancetti, Volpi, Djanira e outros luminares da arte brasileira. A esse vernissage compareceram Mário Cravo e outros artistas baianos. E dela nasceu a primeira ideia de um museu nesta cidade, só mais tarde concretizado por Assis Chateaubriand.
Em 4 de junho de 1953, expôs no haIl da Prefeitura de Feira de Santana, apresentando cerca de sessenta obras, utilizando óleo, aquarela e guache, e, em 30 de setembro desse mesmo ano, na Galeria Oxumaré, inaugurou uma exposição onde obteve sucesso absoluto. Pintou com violência. Tudo era doloroso à sua volta, nas visões de azul e vermelho.
Antes de viajar para São Paulo, em 1954, para fazer um curso de pintura moderna com Cândido Portinari, fez alguns desenhos em nanquim para ilustração de um ensaio do poeta Eurico Boaventura.
Em 1956, expôs no Belveder da Sé, em Salvador.
Em 1957, expôs numa Galeria de Arte de Buenos Aires, na Argentina.
Em 1958, já radicado na capital paulista, alcançou sua completa consagração. Num apartamento da Vila Buarque, o feirense triste e sério trabalhou seus quadros. A sua exposição na Galeria “Folhas”, registrada por toda imprensa do Rio de Janeiro e São Paulo, foi largamente elogiada pela crítica especializada. A sua pintura trouxe uma série de imagens bíblicas as quais aparecem com nova forma, estilo pessoal, integrando o mundo das artes à religião.
Raimundo Oliveira realizou muitas exposições e várias cidades possuem trabalhos seus. No exterior, entre outros, o Museu Hermitagem. Participou de várias coletivas: III, V, VI Salão Baiano de Belas Artes (Divisão de Arte Moderna); II Salão Universitário Baiano de Belas Artes; II e V Salão Nacional de Arte Moderna de São Paulo; 1 Festival de Arte Moderna — Curitiba; 1 Exposição de Arte Sacra Contemporânea, em São Paulo; Exposição de Artistas da Bahia — Museu de Arte Moderna, de São Paulo; Exposição do Círculo dos Amigos da Arte — Porto Alegre; Exposições de 1962 e 1963 do Acervo da Casa do Artista Plástico, em São Paulo; Exposição — 47 artistas na Galeria Seta; 1 Bienal Internacional de Arte Sacra Contemporânea — 1958, em Buenos Aires; VII de São Paulo, em 1963; Galeria Bonino de Buenos Aires; Consulado Brasileiro, em Munique, Alemanha; Museu Nacional de Tel-Aviv — Israel — 1964; Museu de Arte Moderna — 1965, em Salvador.
Em 1966, fez uma exposição, no Rio de Janeiro, que foi um verdadeiro sucesso, viajou para São Paulo e, de lá, para Salvador. Ninguém sabia da sua presença na Bahia. Chegou no dia 13 de janeiro, hospedando-se no Hotel São Bento. Foi visto pela última vez no dia 16, domingo, na hora do almoço. Foi encontrado morto três dias depois. Tinha uma personalidade frágil e era solitário, no meio de muitos amigos. Maníaco-depressivo, andava sempre vestido de preto, por vergonha de exibir o próprio corpo. Um ano antes de morrer, Raimundo confessara aos amigos sua intenção de dedicar-se ao sacerdócio. A pintura e a religião foram as suas grandes vocações. Em sua obra; há o mesmo desespero que deixam transparecer as teias de Van Gogh. Ao lado de uma caixa vazia de comprimidos para dormir, deixou aos amigos um bilhete, alegando motivo financeiro, “pedindo desculpas pela descortesia de ter saído pela porta proibida”. Como sabemos, em sua última exposição na Galeria Bonino, no Rio de Janeiro, Raimundo teve uma média de cotação de um milhão e duzentos mil cruzeiros por quadro e, mesmo descontando impostos, marchands, etc, obteve uma bela soma.
Após a sua morte, verificou-se uma verdadeira correria para aquisição de suas obras, cujos preços, se já eram altos durante a vida do pintor, triplicaram então. Suas telas hoje valem fortuna e são raros os afortunados que as possuem. Há uma enorme curiosidade em torno da vida desse artista de tema bíblicos, tão prematuramente desaparecido (36 anos). Entretanto, na sua terra natal, onde alguns colecionadores foram inúmeras vezes agraciados com suas telas, nunca externaram o desejo de realizar uma retrospectiva como forma de homenageá-lo.
A revista SITIENTIBUS n. 1, que tem como editor o conceituado Prof. Raymundo Luiz de Oliveira Lopes, publicou o auto-retrato do seu xará, na contra-capa. Também a revista Veja, na edição n 1 
.489, para ilustrar a capa de duas reportagens sobre temas religiosos, escolheu quadros do nosso querido Raimundo de Oliveira. 
A ideia de uma retrospectiva está lançada. Que os amantes das artes possam concretizá-la, já que esse renomado feirense deixou-nos uma obra grandiosa e figura como um dos mais cotados da arte moderna brasileira e internacional.
Fonte: Cruz, Neide Almeida - Revista Instituto Histórico Geográfico de Feira de Santana, ano I, nº1 p. 157-159, 2014.
Comentário Crítico
A obra de Raimundo de Oliveira - desenho, guache, óleo e gravura - se desenrola no universo religioso, com santos, imagens e cenas bíblicas representados de diversas formas. Os críticos tendem a distinguir duas fases em sua produção em função das variações observadas no tratamento dado ao tema. Nas décadas de 1950 e 1960 predominam as composições com cores sombrias e caráter expressionista - as figuras marcadas por traços dolorosos e dramáticos, definidas com nanquim e contornos negros, como Cabeça de Cristo, 1957, Crucificado, s.d., e Moisés, 1960 - e algumas leituras mostram afinidades com a pintura de Georges Rouault. Em outro momento, as telas aproximam-se dos pequenos enredos, elaborados com o auxílio de figuras apequenadas (mais humorísticas que trágicas, pelas deformações e desproporções), que se repetem por causa das situações apresentadas. Estruturadas geometricamente, por um equilíbrio de planos horizontais e verticais, as novas telas possuem dinamismo particular, obtido pelos espaços construídos com base em círculos. A energia das cores vibrantes e o dinamismo da tela são as marcas salientes dessa fase, visto em O Sonho de Jacob, s.d. Além das influências simbolistas e da arte naif de Henri Rousseau, são perceptíveis, nessa fase, ecos da arte popular nordestina brasileira. O universo religioso é lido da ótica das festas e da religiosidade popular, misturando-se frequentemente ao mundo profano - procissões, bumba-meu-boi, altares domésticos etc. Os enredos e modos de figuração, por sua vez, remetem à arte dos gravadores e ceramistas do Nordeste. Elementos retirados da paisagem nacional, como árvores e animais tropicais, são outra forma de articular o erudito e o popular, o universal e o nacional - Jesus no Horto das Oliveiras, 1962, e Chegada em Jerusalém, 1964.
Comentário Crítico.  Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural


sábado, 22 de agosto de 2020

CENTRO CULTURAL AUREO FILHO - 1944



Nota do jornal "Folha do Norte", em sua edição de 27 de maio de 1944 comunicando a nova diretoria do "Centro Cultural Áureo Filho", Colégio Santanópolis. Abaixo descrição dos referidos eleitos e empossados:

Presidente: Milton Brandão de Oliveira;

Vice-Presidente Maria Cristina de Oliveira (Marinita) Vel: Perfil de Marinita;

2º Vice-Presidente: Pedro Gomes Bomfim


1º Secretário: Divaldo Pereira Franco. Ver: Perfil de Divaldo

2º Secretário: Noelia Soares Araujo;

Tesoureira: Thais Sidou Valente de Lima;

Oradores: José Baia e Raimundo Reis de Oliveira. Ver: Perfil de Raimundo Reis

Bibliotecários: Danton Araujo e Pedro Brual;
Diretores de Esportes: Reginaldo Araujo e Hudson Amaury e Izac Gomes;

Conselho Fiscal: Arnobio Mascarenhas, Alberto Oliveira, Janete Bacelar, Maria Luiza Bahia e Neide Martins;

Comissão de Festas: Laura Jacira Viana Caldas, Jodelina Vilas-Boas, Terezinha Silva, Zélia Fernandes, Lourdes Nogueira, Hamilton Lima e Asdrubal Boaventura;



Direção de Imprensa: Diretor Dival Pitombo ver: Perfil de Dival Pitombo    Diretor Secretário Divaldo Franco; Redator Chefe Milton Brandão de Oliveira; Redator Secretário José Baia.  




terça-feira, 26 de maio de 2020

PERFIL DE FERNANDO RAMOS


Fernando Sousa Ramos, nasceu em Feira de Santana em 25 de outubro 1931, filho de Hildebrando Ramos dos Santos e Celina de Souza Ramos.
Estudou o curso primário na Escola João Florêncio, no Colégio Santanópolis cursou os dois primeiros anos do curso de ginasial (1944-1945), advogado; jornalista, tinha uma coluna de crítica musical no jornal “Folha do Norte”; escritor, grande romancista premiado.
Os dois principais livros do escritor feirense Fernando Ramos, são os romances "Os Enforcados" e "O Lobisomem de Feira de Santana", edições de 1970 e 2002. As duas publicações têm capa do artista plástico Juraci Dórea (foto ao lado).
Em "O Lobisomem de Feira de Santana", o escritor Fernando Ramos coloca o povo de Feira de Santana como protagonista do romance, que se passa em 1945, sendo ele próprio um dos personagens, Fernando Espírio, assim como sua irmã, Hortênsia Ramos, a Hortencinha das Tranças.
No round (capítulo) 14, está contido: "Dizem que Fernando Espírito tem esse apelido dado pelo inquieto estudante João Macêdo (botador de apelido), porque o pai era espírita, acomodando pessoas numa sala, incluindo o coletor Maneca Ferreira, em sessões noturnas. O filho, com 13 anos, nem queria saber de sessões, mediunidades, tempestuosos perturbados. (...). Fernando recebeu o apelido de Raimundo Cordeiro, na Escola João Florêncio, do curso primário, que dizia ser ele "o Espírito de Will Eisner, espetacular desenho americano das histórias em quadrinhos".
Prêmio literário da Secretaria de Educação e Cultura do Estado da Bahia, Prêmio Jorge Amado, ano 1968, "Os Enforcados", foi editado em 1970. O escritor baiano (de Itajuípe) Adonias Filho (1915-1990), um dos participantes da comissão julgadora, considerou (como está na contra-capa do livro): "Este romance é de alta qualidade literária, e há muito tempo não vejo obra de tão grande valor".
Na apresentação de "Os Enforcados", o autor Fernando Ramos diz: "Este romance com protagonistas fictícios se passa em Santa Brígida e localidades circunvizinhas ao Nordeste da Bahia, onde cavalgaram Lampião e seus cangaceiros. A ação decorre de 2 de setembro a 7 de outubro de 1966 (Santa Brígida não tinha ainda luz elétrica), obedecendo a um tempo cronológico e a uma coincidência de fatos, na caatinga".
Ele finaliza a apresentação, afirmando: "Antes de tudo, é um romance dramático e irreal num ambiente real".
Tem verbetes inclusos no Dicionário Aurélio. Está registrado na "História Crítica da Literatura Brasileira: A Nova Literatura”, do romancista piauiense Assis Brasil, Companhia Editora Americana do Rio de Janeiro, 1970.
Em 1969, seu romance "O Demônio" recebeu o Prêmio Jorge Amado, do Governo da Bahia. Em 1996, lançou o romance "Uauá, Glória, Tramas e Pistoleiros", pela Editora BDA Bahia. Na revista "Sertão", em 1955, com seleção de Olney São Paulo, teve o conto "O Clunâmbulo de Monte Santo" publicado.
Em 1969, participou da antologia "Doze Contistas da Bahia", com seleção e introdução de Antônio Olinto, pela Editora Record. Em 1978, participou da antologia "Dezoito Contistas Baianos", edição da Prefeitura da Cidade do Salvador.
Fernando Ramos também foi ator - fez um "homem sinistro" - no primeiro filme feirense e do interior da Bahia, o curta-metragem "Um Crime na Rua", realizado em 1955, por Olney São Paulo. Também atuou como assistente de direção deste filme e de "Grito da Terra", em 1964, primeiro longa-metragem de Olney São Paulo.
Fernando Ramos foi ainda um dos fundadores da Associação Cultural Filinto Bastos, em 1956, junto com Olney, que contava que ele "saía se escondendo (das reuniões) para comer 'passarinha' com pimenta". Nessa época, ele chamava Olney para contar uma idéia de um romance, "O Chamado das Longínquas Caatingas", que mais tarde virou conto e que ele esperava virar filme. Tempo também em que se reuniam em noites de prosas, contando sonhos e projetos, em um bar em frente do prédio da Prefeitura.
Quando o jornalista Dimas Oliveira editava o jornal "Feira Hoje", entre 1992 e 1993, publicou capítulos do livro (ainda inédito) "Meu Nome É Vargas", escrito em 1982 em folhetim.
No capítulo 177 (publicado no "Feira Hoje" em 7 de fevereiro de 1993), o romancista trata sobre o Cine Santana e faz referência aos "cinéfilos Dimas Oliveira e José Elmano Portugal":
"(...) Relampeou que dávamos atenção a filme de segunda, ele (José Elmano) precipitava a visão para os de primeira, para a magia do claro-escuro: Otelo, O Gabinete do Dr. Caligari. Nada de Charlie Chan. Gostava do filmaço moderno 2001: Uma Odisséia no Espaço, e da atmosfera irreal da imagem conjugada com o monólogo interior: Hamlet. No entanto, Dimas Oliveira, grande entendido, se internava no Cidadão Kane de Welles, o maior filme, com que a montagem galopou bem".No capítulo 224 (publicado em 4 de abril de 1993) , outra referência a Dimas Oliveira:
"A luz cega-me os olhos, me magnetiza, quando tento decifrar palimpsesto da Idade Média, pertencente ao metteur-en-scène Dimas Oliveira, o maior conhecedor da sintaxe do filme de arte desta cidade. Execro luz forte, que atrai mariposas. Prefiro o abajur de luz fraca ao escrever, como este aqui. (...)".
Quando Fernando Lysesfrank Sousa Ramos ainda morava em Feira de Santana - estava residindo em Salvador -, tinha muito contato com ele, em encontros no casarão da família, na então praça da Matriz, hoje praça Monsenhor Renato de Andrade Galvão, para falar de Feira de Santana, literatura e cinema - gostava muito ("Não sei o que seria de minha infância se não fosse o Cine Santana. Ele foi tudo para mim. Eu não tinha para onde ir").
Fernando faleceu em falecido no dia 23 de março de 2008, com 76 anos.


Fonte: a principal parte deste perfil, foi publicado no "Blog Demais", 23 de junho de 2017, Dimas Oliveira, 


sexta-feira, 21 de agosto de 2020

NOVENTA ANOS CULTIVANDO AMIZADES, ARTE E CULTURA

Gil Mário de Oliveira Menezes - Santanopolitano, foi professor titular B da Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS de 1976 a 2012, artista plástico, membro do Instituto Histórico e Geográfico e da Academia de Letras e Artes de Feira de Santana. 

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A festejada crítica de arte Matilde Matos e a Professora Maria Cristina Menezes “Marinita”, tem em comum o hábito de cultivar amizades. O que fazem prazerosamente há 90 anos.
À esquerda Matilde Matos
 e à diretita Marinita 
Matilde Augusta de Matos nasceu em 1927, na cidade de Caicó, Rio Grande do Norte. Veio a fixar residência em 1933, no Estado da Bahia, inicialmente em Serrinha e posteriormente na cidade de Feira de Santana, estudando no Colégio Santanópolis onde conheceu Marinita (minha mãe).
Na comemoração do aniversario de 90 anos de Marinita, constatei a presença de amigos do tempo das férias em Itaberaba, na residência de meus bisavós. Ainda solteiras e jovens fizeram amizades duradouras com Margarida Mendo Mendonça, Lelita Vaz de Queiroz, Noelia Sincurar de Andrade, Nilda Mascarenhas de Castro, Evoá Ferreira e Antônia de Loreto entre outros.
As amizades continuaram em Feira de Santana, época que o Sr. Mendo, pai de Margarida, gerenciava o único correio e telégrafo da cidade, funcionando em frente a nossa casa, nas imediações da Prefeitura Municipal. Quanto a Matilde, considerada de inteligência diferenciada, liderava as atividades esportivas do Santonópolis e não faltavam passeios ao Parque Bernardino Bahia, na época área de lazer e amizades. Em 1968, Matilde transferiu sua residência para a capital, Salvador, assumindo uma coluna no Jornal da Bahia onde abordava atividades culturais e artísticas da cidade e regiões. Sempre requisitada para criar e coordenar grandes eventos nesta área. Fui também beneficiado por suas ações com o registro no livro “50 anos de Arte na Bahia”, obra que todo artista gostaria de ser citado.

Representante da ABCA – Associação Brasileira de Críticos de Arte e da AICA -  Associação Internacional de Críticos de Arte, coordenou o I Salão de Artes Plásticas do Museu Regional de Feira de Santana, em 1980, e o II Salão em 1984. Nestas datas a grande feira livre da cidade já estava confinada no Centro de Abastecimento desde janeiro de 1977, mais Feira continuou produzindo cultura e artes plásticas através de seus artistas. Matilde é personagem incentivadora desta produção.
Acredito que a longevidade esteja relacionada à regularidade da vida, amigos e trabalhos constantes, talvez contribuam para este sucesso.
Existe uma teoria divulgada por Sidarta Gautama (Buda) transformada na condensação de suas leis que diz: “o sofrimento surge do desejo”; “a única forma de se livrar totalmente do sofrimento é se livrar totalmente do desejo”. Certamente essas pessoas alcançaram essa máxima, vivendo a felicidade que Deus deu.
O Colégio Santanópolis, desde 1933 já pensava em promover arte e cultura, além da educação formal seu objetivo alvo. Com isto, promoveu em 1951 a primeira exposição de Raimundo de Oliveira, atualmente festejado artista visual brasileiro e imortalizado em suas obras. Para historiar sobre o colégio que vivenciei na minha adolescência, começo pelos meus avós o Deputado Áureo Filho e Palmira Sampaio de Oliveira, família de educadores que elevou o nível intelectual e quebrou a monotonia educacional da cidade, inovou no ensino e estimulou a cultura. Com essa máxima e propósito, minha mãe Marinita, estudou e ensinou no colégio. Em seguida frequentou a Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia e pós-graduação em Biologia na Universidade de São Paulo, também é Licenciada em História Natural pela Faculdade de Filosofia da UFBA, além de extenso currículo. Desta forma, habilitou-se para dirigir em Salvador, o Colégio Carlos Santana e de volta a Feira de Santana, assumiu a direção geral do Colégio Assis Chateaubriand. No governo de Luiz Viana Filho, tendo como Secretário de Educação professor Edvaldo Boaventura, juntamente com o médico Geraldo Leite e alguns deputados da terra, participaram das primeiras reuniões para a criação da Universidade em Feira de Santana culminando na atual UEFS. Com a inauguração, em 1976, tornou-se professora Titular da Cadeira que exerceu até sua aposentadoria como Conselheira. Minha mãe casou-se com Gilberto Torres de Menezes (falecido) e teve cinco filhos, Gil Mário, Maria Lina, Jamile, Gilberto e Betânia.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

PERFIL DE DIVAL DA SILVA PITOMBO

Dival da Silva Pitombo


Filho de Joaquim Inácio Pitombo e Julieta da Silva Pitombo. nasceu no dia 7 de julho de 1915, em Feira de Santana, e faleceu na mesma cidade, em 1989. Fez o curso primário com as professoras Joana Paiva e Ubaldina Regis. Cursou o ginasial no Colégio Cameiro Ribeiro, em Salvador. Ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia onde realizou o curso de Odontologia. Em sua terra natal, durante algum tempo, exerceu a clínica com sucesso.
Dedicando-se ao magistério, às letras e às artes, teve apreciável desempenho. Professor catedrático de História do Colégio Santanópolis e do Instituto Educacional Gastão Guirnarães (do qual foi, durante muitos anos, Diretor), fundou e dirigiu o Museu Regional de Feira de Santana e a Associação Feirense de Arte. Membro do Conselho Estadual de Cultura, sócio do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, da Associação Baiana de Imprensa, do Centro de Artes Plásticas do Nordeste, da Academia de Letras de Feira de Santana (da qual foi Presidente) e de outras instituições. Dedicou sua vida ao ensino e a:
desenvolvimento de Feira de Santana.
Dival da Silva Pitombo promoveu e incentivou os principair eventos artísticos e culturais que ocorreram na terra que lhe serviu de berço. Ao lado de Odorico Tavares, fundou o Museu Regional de Feira de Santana, contando com o decisivo apoio do jornalista Assis Chateaubriand. Acompanhou todas as fases do Museu, desde a doação do espaço fisico, pelo prefeito Joselito Amorim até a formação do acervo que recebeu importantes doações, como o Salão dos Pintores Ingleses, da parte da Rainha da Inglaterra.
Na área da educação, revelou-se um operário incansávei. Dirigiu o Instituto de Educação Gastão Guirnarães anos seguidos, com invulgar dedicação e excepcional carinho, pelo que mereceu o reconhecimento de alunos e professores, bem como da sociedade feirense. Dali, daquele educandário que era o seu grande amor, sua verdadeira paixão, consegui
 ao cabo de inúmeras tentativas  levá-lo para a recém-criada Universidade Estadual de Feira de Santana, a fim de implantar e dirigir a Diretoria de Vida Universitária. Em seu posto na UEFS, demonstrou rara competência. A ele devemos o início das atividades de extensão e o excelente relacionamento entre os corpos docente, discente e administrativo, relacionamento que permitiu a implantação, sem tropeços, daquela casa de ensino. Membro do Conselho Diretor da Fundação Universidade de Feira, representou a UEFS em várias oportunidades, inclusive em reuniões de âmbito nacional. No início de 1979, membros do Conselho Federal de Educação, professores da Fundação Getúlio Vargas, membros do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, professores e diretores de Faculdades de todo o Brasil, educadores e intelectuais de vários estados da federação, decidiram prestar significativa homenagem ao Prof. Newton Sucupira, autor de dezenas de processos de relevância para o ensino superior, envolvendo a autorização para funcionamento de várias faculdades e universidades, inclusive da UEFS. Não podendo comparecer, solicitei ao Prof. Dival Pitombo que, na qualidade de Pró-Reitor, representasse a Universidade Estadual de Feira de Santana na solenidade, a ser realizada nos salões do Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro. Dival, ao chegar ao Museu, se sentiu como uma ave no próprio ninho. A mais fina flor da intelectualidade brasileira estava presente. Em dado momento, surgiu seu amigo e conterrâneo, Eduardo Matos Portela, indicado para ocupar o cargo de Ministro da Educação. Eduardo Portela, homem de letras, crítico literário, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, escritor de grande conceito, conferencista de fama internacional, membro da Academia Brasileira de Letras, ao ver Dival Pitombo, apresentou nosso Pró-Reitor aos confrades da Academia e à maioria dos intelectuais presentes, tecendo os elogios que ele merecia. Em seguida, cumprimentou o Prof. Newton Sucupira e se retirou, a fim de atender compromisso anteriormente assumido. Para surpresa de Dival, o representante feirense, durante os momentos que precederam o banquete, foi indicado para falar em nome das faculdades e universidades cujos processos de funcionamento tiveram homenageado como relator. Dival Pitombo, portador de fulgurante ínteligência e rara simplicidade, de estilo poético e encantador, usou da palavra e, em belo improviso, mereceu entusiásticos aplausos. Algum tempo depois, indo a Brasilia, ouvi de uma das pessoas presentes ao ágape, o seguinte comentário: “Reitor, que homem extraordinário o senhor enviou ao Rio de Janeiro“ .  Era assim o Prof. Dival Pitombo, joia preciosa que hoje não vemos com a mesma facilidade de outrora. Diz Hugo Navarro que “Dival Pitombo tinha aplomb britânico. Tratava, a todos, com superior elegância e discreto requinte. Nunca levantava a voz, mantendo leve sorriso de superioridade diante da patuleia ignara. Não ria abertamente. Duas vezes apenas, pelo que consta, teve ataques de riso desbragadamente solto, que o levaram a sair do recinto para não suscetibilizar pessoas. Uma foi no Cine Íris, quando Gilberto Costa, ator do renovado grupo teatral “Taborda”, no papel de conde, a pique de perder a filha, tuberculosa, pisou inadvertida e pesadamente numa tábua solta do palco com grande estrondo e quase queda. A plateia caiu na gargalhada. A segunda ocorreu durante solenidade em escola. Homenagem a prefeito. O orador oficial, diretor da casa, de repente, mal iniciado o discurso, foi atacado por terrível, violento e interminável acesso de tosse, transformando em comédia o que era solene.”
No âmbito da música erudita, foi amante inveterado, patrocinando inúmeros recitais, apresentações e concertos. A propósito, é oportuno transcrever o relato que o Dr Volney Pitombo, famoso cirurgião plástico do Rio de Janeiro, filho de Dival, me enviou. Na íntegra, é o seguinte: “As pessoas, o ambiente, tudo estava, enfim, preparado: os sócios legalizados, a imprensa noticiando. fora dada a partida! Cada concerto transformava-se num evento cultural e social marcante para a época. Era um acontecimento!
Feira iniciava sua frase erudita e estava conectada aos grandes centros culturais do mundo. Dessa forma, artistas como Lili Kraus, uma virtuosa pianista austríaca, Alexander Jenner, Rosana Martins, criança prodígio de apenas 13 anos que já havia sido vencedora do prêmio Chopin de Varsóvia, o Oscar da época, o Corpo de Ballet do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Procópio Ferreira, André Villon, entre outros, trouxeram sua arte para Feira de Santana. Os pequenos problemas e adversidades eram contornados pela dedicação e entusiasmo de Dival. Lembro-me de uma divertida curiosidade: Feira de Santana estava recebendo Joy Kim, uma renomada cantora lírica japonesa que, como toda Prima Donna, era afetadíssima. Estava hospedada no Hotel Euterpe, um dos mais requintados da época.
Às 11:00h. da noite, ela ligou para a nossa casa aos brados dizendo que iria embora e que se recusava a fazer a apresentação do dia seguinte porque havia uma barata em seu quarto, motivo pelo qual ela não conseguia dormir. Meu pai, que estava dormindo, se levantou e foi buscá-la de mala e cuia, levando-a para se hospedar em nossa casa, que não havia outro hotel na cidade. Depois desse episódio, isso virou um hábito: todos os-artistas que vinham se apresentar em Feira de Santana passaram a se hospedar em nossa casa. A programação artística tinha encontrado em Feira todo o ambiente favorável para o seu desenvolvimento. Tudo parecia estar em perfeita sintonia com o projeto cultural, exceto quando foi incluído na temporada daquele ano o professor alemão Dr. Gerard Kliber, que trazia uma nova experiência científica da psiquiatria, utilizava a hipnose como recurso para o auto- conhecimento, algo inédito até então. O professor já havia palestrado no Rio de Janeiro e em Salvador, e sua parada seguinte seria em Feira de Santana. Dentre outras exigências, ele havia solicitado um amplo espaço para demonstrar os efeitos da hipnose em um grupo de pessoas selecionadas entre os expectadores. Era um processo moderno, em que o paciente fazia regressão mental e interagia com a plateia. Assim, o salão nobre não seria adequado. Tampouco, o cinema Íris. Depois de muito pensar em uma solução, Dival concluiu que o Feira Tênis Clube, além de ser o principal clube da cidade, seria o local ideal, pois possuía um salão perfeitamente adequado para a apresentação do professor alemão. Dival entrou, então, em contato com o presidente do clube e expôs sua ideia. O presidente ouviu atentamente e concluiu dizendo: “Dival, esse professor que você está querendo trazer para se apresentar em nosso clube parece coisa circense, não fica bem e tampouco adequado um clube do nosso gabarito servir de espaço para esse tipo de apresentação.” Inconformado, Dival tentou de todas as formas convencer o presidente do clube de que se tratava de um evento sério, cultural e científico. Não obtendo sucesso, ele argumentou: “Presidente, o professor Gerard Kliber, médico, psiquiatra alemão, pertence à Universidade de Berlim, possui vários títulos, inclusive Doutorado em Viena”. Permanecendo o presidente irredutível, Dival, desesperado, quase desistindo lançou mão de seu último argumento: “Presidente, este professor foi aluno de Freud! ! !“ Ao ouvir tal afirmação, o presidente do clube, que jamais ouvira falar sobre o pai da Psicanálise e entendera que o professor alemão tinha sido aluno de Fróes (o Coronel Fróes da Mota, chefe político da região), para espanto de Dival, abriu um largo sorriso e emendou: “Ora Dival, por que você não me disse isso antes, meu amigo? Se o homem é amigo de Fróes, o clube é dele!!! Pode fazer a apresentação que quiser!” Dival percebendo o mal entendido e avaliando bem a situação, preferiu deixar as coisas como estavam. Se era Freud ou Fróes, isso não fazia a menor diferença. Ele havia conseguido o clube. E foi assim que aconteceu a primeira demonstração de hipnose em Feira de Santana”.
Dival da Silva Pitombo, além de empreender entidades artísticas e culturais, incentivou novos talentos, quer nas letras, quer nas artes. Sirvam de exemplos Raimundo de Oliveira, Juraci Dórea, Carlos Barbosa e muitos outros. Como poeta, teve algumas de suas composições reunidas em LITANIA PARA O TEMPO E A ESPERANÇA, publicado em 1984 e lançado, com sucesso, no Rio de Janeiro, Salvador e Feira de Santana. A propósito desse livro, recebeu Dival a seguinte carta, enviada de Milão (Itália), por uma de suas admiradoras: “Senhor Dival Pitombo, Feira de Santana, Bahia, Brasil. Prezado Senhor Pitombo: Embora não tenha a honra de conhecê-lo pessoalmente, tive a oportunidade de ler suas poesias por intermédio de um de meus amigos em Milão que me emprestou seu livro LITANIA PARA O TEMPO E A ESPERANÇA. Queria simplesmente lhe testemunhar toda a minha admiração por essas belíssimas poesias que tocam profundamente a alma e fazem reviver esta esperança escondida no fundo de todo ser humano e que permanece o grande segredo de nossa vida e de nossa sobrevivência. O que mais me tocou foi essa sensibilidade que o senhor testemunha em favor da mulher e que descreve como uma criatura divina, merecedora de um tão grande calor humano. Com efeito, nesse mundo normalmente material em que muitas vezes a mulher se sente como objeto, a leitura desses versos tão marcantes e comovedores dá de novo a alegria de viver. Lamento não compreender perfeitamente o português mas o pouco de espanhol que eu conheço me permitiu assim mesmo compreender e captar o sentido de sua poesia. Se algum dia o seu livro for traduzido em francês (e eu lhe aconselho faze-lo, pois certamente o seu sucesso
estaria garantido) gostaria muito receber um exemplar com sua dedicatória pessoal. Terei talvez a oportunidade de conhecê-lo e nessa expectativa peço-lhe receber, prezado senhor, a expressão de meus melhores sentimentos. N.B.: Conheci Gianni Fiorino que é um de seus grandíssimos admiradores. Assina, Luca Mazzitelli Manfé”.
Dival Pitombo,além de membro do Conselho Diretor da Fundação Universidade de Feira de Santana e Diretor da Diretoria de Vida Universitária, fez parte do Conselho Editorial da revista da UEFS, “Sitientibus” a qual ilustrou com poesias e contos de alto valor. Como romancista; concluiu o romance, ainda inédito, BECO DO MOCO, no qual retrata um dos mais tradicionais logradouros de Feira de Santana, hoje transformado em calçadão (Ibidem). Na sociedade em que viveu, portou-se como verdadeiro cavalheiro, pelo que desfrutou da amizade pessoal de vultos como Jorge Amado, Jean Paul Sartre, Simone Beauvoir, Manuel Bandeira, Eduardo Portela, Jorge Calmon e Liii Kraus, além de outros. A convite do Ministro das Relações Exteriores de Israel, visitou aquele país e, em Tel Aviv, aperfeiçoou seus conhecimentos artísticos e literários, ocasião em que, mesmo ausente do Brasil, foi eleito, por unanimidade, Presidente da Academia de Letras de Feira de Santana. Consegui levar Divai Pitombo para a Universidade Estadual de Feira de Santana, mas Dival nunca esqueceu sua antiga paixão, isto é, o Instituto de Educação Gastão Guimarães. Para a referida instituição, ele escreveu, nas horas vagas, com muito amor, o HINO AO GASTÃO GUIMARÃES, cuja música ficou a cargo de Anacleto Carvalho. Graças à gentileza da historiadora Lélia Femandes, outra figura luminosa das letras e das artes de Feira de Santana, transcrevo a letra da referida composição:
No planalto de luz coroado,
Onde vive este povo feliz.
Por Santana sempre abençoado
Aqui tem a sua diretriz.
Coro
Esta escola por nós adorada/Abrigou nossos pais, nossas mães!
Será sempre por nós lembrada, / O Instituto Gastão Guimarães.
É um tempo que nós veneramos
Nossa escola que é fonte de luz,
Lar querido onde nos preparamos
Para a luta que à vida conduz.
Da cidade e do campo chegamos
A procura do sol do saber.
Nesta casa afinal encontramos
A cultura que faz renascer.
De mãos dadas em santa aliança
Construímos o nobre perfil
Da infância-clarão de esperança
No futuro do nosso Brasil
Hugo Navarro, na crônica antcriormente citada, diz que Dival Pitombo, “um incentivador das artes e operário da cultura, foi na conduta, no porte e no culto à inteligência, um verdadeiro cavalheiro inglês”.
Faleceu o “Cavalheiro Inglês”, em agosto de 1989, sendo seu corpo sepultado no Cemitério Piedade, em Feira de Santana, com grande acompanhamento popular e a presença de inúmeros intelectuais, educadores, autoridades e pessoas diversas. A Universidade Estadual de Feira de Santana, o Instituto de Educação Gastão Guimarães, a Câmara Municipal, o Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana, a Academia Feirense de Letras e Artes e várias outras instituições culturais e de ensino prestaram ao grande feirense as mais justas e sentidas homenagens.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. ALMEIDA, OSCAR DAMIÃO DE Dicionário da Feira de Santana.
Feira de Santana, 2006.
2. LEITE, GERALDO
Reminiscências, Universidade Estadual de Feira
de Santana, 2007.
3. Jornal A Tarde, edição de 3 de agosto de 1989.
4. NAVARRO, HUGO
Um Cavalheiro Inglês - Jornal Feira do Norte.
edição de 26 de outubro de 2007.
5. OLIVEIRA, LELIA VICTOR FERNANI)ES DE - Homens que
fizeram História. Feira de Santana, 2004.
6.PITOMBO, WOLNEY- Relato pessoal, a pedido do Autor Rio de
Janeiro, 2007.
7. Recortes de jornais locais, gentilmente cedidos pela escritora Lélia
Victor Femandes de Oliveira. Feira de Santana, 2007.
Fala proferida pelo Acadêmico Geraldo Leite sobre seu Patrono da Academia de Educação de Feira de Santana Dival Pitombo e publicado na "Revista da Academia de Educação de Feira de Santana".


 

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

PERFIL DE JOAQUIM GOUVEIA GAMA

JOAQUIM GOUVEIA GAMA - Nasceu no dia 11 de novembro de 1924, no povoado de Sí­tio dos Remédios, município de Bezerros, em Pernambuco. Filho de Francisco Clementino da Gama e Laura Maria da Conceição.

Joaquim Gouveia é de origem camponesa. Começou a tra­balhar na roça nos canaviais de usinas de Pernambuco aos oito anos de idade. Depois em cultivo de mandioca, milho, feijão, ba­tata, algodão, frutas, verduras, etc. Não teve uma infância regu­lar como outra criança inclusive criou-se quase analfabeto, vindo praticamente estudar depois de adulto; de modo que não teve o curso primário, ingressando no ginásio, através do curso de ad­missão. Serviu ao Exército em 1945/1946, tendo sido promovido a Cabo.

Foi casado com a Profª Erenice Augusta Gouveia da Gama, tendo feito “Bodas de Ouro” (1949/1999), (falecida em 2010) com quem teve onze filhos: Suzana, Lóide, Raquel, Natanael, Levi, Israel, Paulo, Moisés, Daniel, Ruben e Jadiel. Tem 25 netos e 05 bisnetos.

Chegou a Feira de Santana em 29 de maio de 1949. Aqui se dedicou à atividade de camelô (vendedor ambulante de calçados). Depois, com barraca de calçados no Mercado Municipal (hoje Mercado de Arte Popular). Em seguida com lanchonete, quando se aposentou já no Centro de Abastecimento.

Fez o curso ginasial no Colégio Santanópolis (1ª e 2ª série) e no Colégio Estadual (3ª e 4ª série) e o curso Magistério, no IEGG (Instituto Gastão Guimarães).

Na vida pública foi administrador de bairro, chefe de Almoxarifado Geral e diretor do Departamento de Material e Património da Prefeitura Municipal, nos governos de Colbert Martins da Silva e José Raimundo Pereira de Azevêdo.

Joaquim Gouveia da Gama é atleta, poeta cordelista, escritor, pesquisador e memorialista. E membro da ACFS (Associação Cultural de Feira de Santana), da AFAC (Associação Feirense de Atletas Corredores), da ALAFS (Academia de Letras e Artes de Feira de Santana) e do IHGFS (Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana).

E possuidor de mais de 300 títulos (premiações) entre diplomas, taças, troféus, placas e medalhas, inclusive três honoríficos (oficiais): Comenda Maria Quitéria, outorgada pela Câmara Municipal de Feira de Santana; Placa conferida pelo prefeito José Raimundo Pereira de Azevêdo, um Diploma e um Troféu oferecidos pelo então Governador, Dr. João Durval Carneiro. Como atleta tomou parte cm mais de duas centenas de competições em diversos lugares, tanto na Bahia, como Feira de Santana, Salvador, Irará, Alagoinhas, Cachoeira, Amélia Rodrigues, Jacobina,

Juazeiro, Ilhéus, Santanópolis, quanto em outros estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Aracaju (Sergipe), etc.

Dedicou-se ao esporte e à pesquisa sobre a memória da Feira de Santana, assim como da sua geografia urbana. 

Fonte: Lélia Vitor Fernandes de Oliveira

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

PERFIL DE OLNEY SÃO PAULO

Olney Alberto São Paulo nasceu em Riachão de Jacuipe, 7 de agosto de 1936) foi um cineasta brasileiro. Casado com a também cineasta Maria Augusta, era pai dos atores Ilya e Irving, do poeta e músico Olney São Paulo Junior e de Maria Pilar. Filho de Joel São Paulo Rios e Rosália (Zali) Oliveira São Paulo, Olney fez os primeiros estudos em sua cidade natal. Perdeu o pai Joel aos sete anos de idade, e foi morar com seu avô, o tabelião Augusto Asclepíades de Oliveira, em Riachão do Jacuípe.

Em 1948, o avô levou Olney, sua mãe, Dona Zali, e seus irmãos Valnei, Valdenei e Walneie, para morar em Feira de Santana que, neste período, já era o entreposto comercial mais importante do sertão baiano. Ali o menino continuou seus estudos no Colégio Santanópolis.

Algum tempo depois, D. Zali se casou novamente, e Olney ganhou mais três irmãos - Carlos Antônio, Colbert Francisco e Alberto Ulysses. Olney se destacou no colégio, participando do grêmio, fez parte da equipe campeã do Colégio Santanópolis das olimpíadas de qualidade técnicas dos Cursos de Contabilidade do Estado da Bahia, promovida pelo MEC-CAEC, escrevendo sobre a cinema no jornal do colégio e foi escolhido orador da turma do ginásio.

A paixão pelo cinema nasceu com a chegada a Feira de Santana da equipe do diretor Alex Viany, em 1954, para filmar o episódio “Ana” do filme Rosa dos Ventos (Die Windrose), com roteiro de Alberto Cavalcante e Trigueirinho Neto. Olney engajou-se na equipe durante todo o tempo em que esteve em Feira de Santana, e acompanhou as filmagens e atuou como figurante em algumas cenas. Em carta escrita a Alex Viany, em 5 de novembro de 1955, escreveu: “Eu sou um jovem que tem inclinação invulgar para o cinema. Porém, como neste mundo aquilo que desejamos nos foge sempre da mão, eu luto com incríveis dificuldades para alcançar o meu objetivo”. Em 1955 foi redator do jornal "O Coruja"[1] Sob o pseudônimo de Conde D'Evey[2] escreveu sátiras e críticas ao colunismo social de Feira de Santana, na coluna Causerie, para desgosto da burguesia local[3]. Escreveu também sobre literatura e artes. Também criou e dirigiu o programa “Cinerama” na Rádio Cultura de Feira de Santana, onde comentava filmes em exibição e novidades da produção mundial. Lecionou contabilidade pública organização técnica comercial no Colégio Santanópolis. No mesmo ano, foi aprovado no concurso do Banco do Brasil. No ano seguinte, leitores ofendidos forçaram Olney a encerrar a coluna Causerie[4]. O programa de rádio também chegou ao fim.

Na impossibilidade de realizar produções cinematográficas, escreveu sobre casos e fatos - alguns verídicos, outros imaginários - transformando-os em telenovelas e contos escritos em estilo cinematográfico, abordando temas nordestinos - o  nome do colégio, a magia do seu povo, personagens e histórias do sertão reconstruídas em narrativa linear, encadeadas à moda do cancioneiro popular -, registrando o linguajar regional do catingueiro.

Ainda em 1955, com o fotógrafo Elídio Azevedo, produziu seu primeiro curta-metragem- “Um crime na feira”. Com uma filmadora 16mm Kodak antiga e, coletando dinheiro entre os amigos, comprou os negativos. Filmou o roteiro em sequência linear, efetuando os cortes com as paradas na própria câmera, já que não dispunha de moviola. Finalizado entre 1956 e 1957, com dez minutos de duração, o filme foi exibido em clubes de Feira de Santana e outras cidades do interior da Bahia, acompanhando espetáculos teatrais que o próprio Olney organizava, pela Associação Cultural Filinto Bastos. Nessa época, Olney criou a Sociedade Cultural e Artística de Feira de Santana (SCAFS) e o Teatro de Amadores de Feira de Santana (TAFS).

Em maio de 1956 conquistou a menção honrosa do concurso de contos da revista “A cigarra”, do Rio de Janeiro, com o conto “Festim à meia-noite”. Em outubro do mesmo ano, conquistou outra menção honrosa, desta vez com o conto “A última História”.

 

Começou a se interessar pela obra de Jorge Amado. Escreveu-lhe algumas cartas entre 1956 e 1957, pedindo informações sobre o andamento das filmagens de algumas de suas obras.

Em 1958, Olney foi baleado pelas costas pelo amigo Luiz Navarro. Ambos disputavam a jovem Maria Augusta. Navarro disse que foi acidental. O ferimento perfurou seu pulmão esquerdo.

Em 1959, durante uma viagem a Maceió, no estado de Alagoas, adquiriu uma câmera Bell & Howell. Escreveu o roteiro do documentário “O Bandido Negro”, sobre um personagem da literatura popular, Lucas de Feira (1804-1849), chefe de um bando terrível, que assolou a região de Feira de Santana, realizando saques e assaltos e também lutou pela abolição da escravatura na Bahia. Escreveu também o roteiro do “O vaqueiro das caatingas”, ambos os roteiros não concretizados por falta de recursos.

Encontro com o Cinema Novo

Em 1961, o diretor Nelson Pereira dos Santos foi a Feira de Santana com a intenção de realizar as filmagens de Vidas Secas, baseado no romance homônimo de Graciliano Ramos. Os planos foram modificados em razão das chuvas torrenciais que atingiram a região, e o diretor foi obrigado a improvisar um outro roteiro, que resultaria no filme Mandacaru Vermelho, rodado em Juazeiro, na Bahia. Nesse filme, o jovem Olney atuou como continuísta da produção, assistente de direção e produção, além de também compor o elenco. Terminada a filmagem, que se prolongou por Feira de Santana, Olney e Nelson tornaram-se grandes amigos. A experiência de Mandacaru Vermelho marcou de fato a integração de Olney ao grupo pioneiro de cineastas do Cinema Novo.

Na véspera do natal de 1961, casou-se com Maria Augusta Matos Santana. Ainda naquele ano, começou a escrever e dirigir a revista literária, "Sertão" (1061 - 1963).

Em janeiro de 1962 nasceu seu primeiro filho, Olney São Paulo Junior. No mesmo ano, Olney participou como assistente de direção de O caipora, de Oscar Santana, rodado em Riachão do Jacuípe, nas Zonas de Pé-de-Serra, Chapada e Beira do Rio. Também na mesma época, em Salvador, estabelece contato com a geração liderada por Glauber Rocha.

A formação cinematográfica de Olney foi influenciada pelo neo-liberalismo, e por filmes de guerra e western americanos. Seus principais inspiradores foram John Ford, Vttorio de Sica, Roberto Rosselini, Giuseppe De Santis, Augusto Genina e Pietro Germi. Estudou também as ideias de Vsevolod Pudoykin, sobre montagem cinematográfica, e foi leitor dos escritos de Georges Sadoul, sobre a história do cinema.

Realizou seu primeiro longa-metragem, O Grito da Terra, em 1964, abordando a realidade do nordeste brasileiro. Entre a pré-produção do filme e o início das filmagens, nasceu seu segundo filho Ilya Flayert. Nelson Pereira do Santos e Laurita dos Santos foram os padrinhos do menino. As filmagens iniciaram-se em novembro de 1963. Para compor a cenografia do filme, Olney contou com colaboração dos comerciantes de Feira de Santana, que emprestaram móveis, roupas de cama, utensílios e adereços. O figurino era constituído por roupas dos próprios atores ou emprestado por amigos. A pré-estreia do filme ocorreu no dia 27 de novembro de 1964, com apresentação do o cineasta Orlando Senna. Entre 1965 e 1967, o Grito-da-Terra foi exibido no Rio de Janeiro, Salvador, Aracaju e Recife. Participou do I Festival Internacional do Filme de Guanabara, do Festival do Cinema Baiano, em Fortaleza, e da Noite do Cinema Brasileiro, organizada pela embaixada dos Estados Unidos, em dezembro de 1965. No entanto, sofreu cortes pela Censura Federal, pois um personagem faz menção à volta do Cavaleiro da Esperança, Luiz Carlos Prestes, membro do Partido Comunista Brasileiro. Por conta do corte, o produtor Ciro de Carvalho, convidado pelo Itamarati, não aceitou que o filme representasse o Brasil em festivais internacionais. Os produtores receberam prêmio do governo de Carlos Lacerda, o que lhes possibilitou saldar dívidas bancárias e confeccionar uma nova cópia do filme, sem cortes, e exibi-la nos principais cinemas do nordeste.

"Manhã Cinzenta" foi realizado entre 1968 e 1969. Junto com Ternando Coni Campos, Olney decidiu registrar alguns acontecimentos da época, com sua câmera 16mm, a partir do seu conto homônimo, escrito em 1966, e da documentação feita por José Carlos Avellar, sobre protestos de rua. Para driblar a censura, confeccionou várias cópias do filme, enviando-as para cinematecas de outros países e para os festivais de Viña del Mar (Chile), Pesaro, Cannes e Mannheim.

Prisão e censura

Na manhã do dia 8 de outubro de 1969 ocorreu o primeiro sequestro de um avião brasileiro, por membros da organização MR-8. O avião foi desviado para Cuba. Um dos sequestradores era membro da diretoria da Federação Carioca de Cineclubistas, presidida na época por Silvio Tendler. "Manhã Cinzenta" foi exibido a bordo. Olney foi vinculado pelas autoridades brasileiras ao sequestro, sendo detido e levado para local ignorado, ficando incomunicável por doze dias. Liberado, em 5 de dezembro foi internado com suspeita de pneumonia dupla. Em 25 de dezembro, muito debilitado psíquica e fisicamente, passou alguns dias com a família e foi internado novamente.

Os negativos e cópias de "Manhã Cinzenta" foram confiscados, mas, uma das cópias do filme foi salva por Cosme Alves Neto, então diretor da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e ficou por vinte cinco anos escondida na Cinemateca do MAM. Assim, embora proibido no país pela Censura Federal, o filme foi exibido na Itália, no Festival de Pesaro, no Festival Internacional de Cinema de Viña de Mar, na Quinzena de Realizadores do Festival de Cannes, em 1970. Participou também da XIX Semana Internacional de Mannheim, conquistando o prêmio de melhor média-metragem, e foi premiado no Festival de Oberhausen, na Alemanha, em 1972.

Olney realizou ainda, em 1970, o documentário O profeta de Feira de Santana, sobre o artista plástico Raimundo de Oliveira. A equipe era formada pelo produtor Júlio Romiti e Tuna Espinheiro, como assistente de direção.

Em 11 de maio de 1971, nasceu a filha de Olney São Paulo, Maria Pilar.

Em 13 de janeiro de 1972, o Superior Tribunal Militar absolveu definitivamente o cineasta das acusações de subversão da ordem, relacionadas ao filme Manhã Cinzenta.

Apesar da saúde debilitada, ainda realizou "O Forte", baseado no romance de Adonias Filho, longa-metragem no qual se destaca a paisagem de Salvador, tendo como um dos protagonistas o sambista e ator Monsueto Menezes, que morreu durante a filmagem. O filme teve inúmeros problemas e as filmagens sofreram várias interrupções, que prejudicaram bastante a qualidade do resultado final. Com o filme "Pinto Vem Aí", sobre o ex-deputado Francisco Pinto, ganhou o prêmio Jornal do Brasil, em 1976.

Olney São Paulo morreu cedo, vítima de câncer do pulmão, aos 41 anos.

Sobre o cinema de Olney São Paulo 

De Glauber Rocha, em seu livro Revolução do Cinema Novo (Rio de Janeiro. Alambra/Embrafilme: 1981, p. 364):

"Olney é a Metáfora de uma Alegorya. Retirante dos sertões para o litoral – o cineasta foi perseguido, preso e torturado. A Embrafilme não o ajudou, transformando-o no símbolo do censurado e reprimido. "Manhã Cinzenta" é o grande filme explosão de 1968 e supera incontestavelmente os delírios pequeno-burgueses dos histéricos udigrudistas (...) Panfleto bárbaro e sofisticado, revolucionário a ponto de provocar prisão, tortura e iniciativa mortal no corpo do Artysta.

De Nelson Pereira dos Santos:

A imagem que guardo do meu compadre é uma síntese daquele documentário que ele fez sobre os sábios do tempo, os velhos sertanejos que dominam sistemas ancestrais de medição meteorológica [Sob o ditame do rude Almajesto: sinais de chuva (1976)]. Vejo-o de chapéu de couro, no raso da caatinga, conversando com os ventos, para saber de onde vêm e para onde vão.

Filmografia

Curtas

·         Um crime na rua (1955), 16 mm, 10 minutos,p&b, roteiro, direção e ator.

·         O profeta de Feira de Santana (1970), 35 mm, 8 minutos, cor, roteiro, montagem, diretor e co-produtor.

·         Cachoeira: documento da História (1973), 35 mm, 9 minutos, cor e p&b, roteiro, montagem, diretor e co-produtor.

·         Como nasce uma cidade (1973), 35 mm, 10 minutos, cor e p&b, roteiro, direção e produção.

·         Teatro brasileiro I : origem e mudanças (1975), 35 mm, 12 minutos, cor, roteiro e direção.

·         Teatro brasileiro II: novas tendências (1975), 35 mm, 11 minutos, cor, roteiro e direção.

·         Sob o ditame do rude Almajesto: sinais de chuva (1976),16 mm, 13 minutos, cor, roteiro e direção. Argumento: inspirado na crônica de Eurico Alves Boaventura. Câmera de Edgar Moura.

·         A última feira livre (1976), 16 mm, cor, direção. Roteiro de Hermínio Lemos. Câmera de Edgar Moura.

Médias

·         Manhã cinzenta (1969), 35 mm, p&b, 21 minutos, roteiro, direção e produção. Câmera de José Carlos Avellar.

·         Pinto vem aí (1976), p&b, 25 minutos, roteiro e direção. Câmera de Edgar Moura.

·         Dia de Erê (1978), 16 mm, 30 minutos, cor, roteiro e direção. Câmeras de Ronaldo Foster e Walter Carvalho.

Longas

·         Grito da terra (1964), 35mm, 80 minutos,p&b. roteiro e direção. Argumento: romance homônimo de Ciro de Carvalho Leite. Câmera de Leonardo Bartucci. Trilha Sonora de Fernando Lona.

·         O forte (1974), 35 mm, 90 minutos, cor, roteiro e direção. Argumento: romance homônimo de Adonias Filho.

·         Ciganos do nordeste (1976), 16 mm, 70 minutos, cor, roteiro, direção e produção. Câmera de Edgar Moura. O filme foi concluído em 1978, depois da morte do cineasta, pelos amigos Orlando Senna e Manfredo Caldas, seguindo as orientações deixadas por Olney São Paulo.

·         O Amuleto de Ogum (1974)

Fonte: Wikipédia



[1] Inicialmente criamos (eu, Evandro Oliveira, era fundador e secretário do jornal) o “Santanópolis”, nome do Colégio. Depois para ficarmos independentes mudamos para “O Coruja”.

 

[2] Ajudava Olney nesta coluna, tanto que o pseudônimo CONDE D’EVEY, era a junção das duas primeiras letras minhas, Evandro e as duas últimas de Oley. Como fazíamos sátiras e gozações, alguns não gostavam, mas nada sério.

[3] Não é certo. “O Coruja” nunca foi censurado, muito menos Olney com suas duas colunas uma a já citada acima e Causerie, só sobre cinema. As duas vezes que suscitaram uma maior reclamação foram 1ª o nosso colega , o editor chefe Luiz Navarro, fez uma crítica ao desfile de 7 setembro, o Conde D’Evey fez um trocadilho, “muito mal entendido pelo índio Navajo (pronuncia Navarro)”, ele quis cortar esta referência, mas perdeu na votação, ele sabia que o trocadilho foi ideia minha não de Olney. 2ª o cronista social Eme Pê fez uma grande festa no FTC para homenagear as “Dez senhoras mais elegantes da sociedade”.  O Conde D’Evey em um título “AS DEZELEGANTES”.. só uma fazia jus ao título elegante, por não ter ido à festa. O cronista andou se queixando.

Só uma vez, tivemos na justiça, matéria policial local, como denunciante. Foi o ápice do jornal, durante semanas vendemos mais que a “Folha do Norte” e ganhamos a questão. Republicarei neste Blog toda esta história. 

[4] Não houve isso, mesma razão da nota anterior.




 

Filme do Santanopolis dos anos 60