Evandro J.S. Oliveira |
O Santanopolitano, colaborador deste Blog, Ismael Bastos, lembrou de Alteração.
Tinha feito um texto para "Jornal Noite&Dia", de propriedade de outro Santanopolitano, Zé Coió, aí vai abaixo.
Segundo Peleteiro, feirense, baiano e brasileiro que
nasceu sem querer na Espanha, é um homem dos mais valentes, corajoso capaz de
desafiar a torcida adversária com a polícia na cidade deles, é só prejudicarem
o seu Fluminense. Homem "brabo" está ali, não tem medo de nada, nada?
Bem não é assim também, tem um medo terrível de alma do outro mundo, e sabem
como é, basta ter medo para elas aparecerem. Uma certa feita estava ele indo
para casa de madrugada montado numa bicicleta, ouviu uma voz dizer Seguuundo,
não teve outra, largou a bicicleta correu desabaladamente até sua casa, acordou
a mulher e mandou ela ir buscar o seu transporte abandonado. De outra vez,
depois da meia noite, hora horrível para o aparecimento destes fenômenos, andando
pela praça da Bandeira, nervoso balançando a mão com a chave do carro, sem
querer bateu esta naqueles grandes tanques de coleta de lixo, saltando daí um
cachorrão negro que estava à procura de alimento, ninguém sabe quem ficou mais
assustado ele ou cachorrão, mas com certeza se estivessem nas olimpíadas, ele e
o cão, teriam trazido medalhas de ouro em corrida para nosso país.
Contudo o
caso mais estranho aconteceu com ele e Alteração, como
era conhecido um ótimo lavador/polidor de carro. Alteração é o que se pode
chamar de horroroso, baixinho, corcunda, um nariz enorme tomando toda sua face
pequena, com os dois olhos tão juntos e vesgos que pareciam ser um só,
totalmente careca. Tenho certeza que Spielberg o conheceu e se inspirou nele
para criar o personagem ET, só que deu um toque doce que Alteração não tinha.
Alteração
tinha ótimos clientes e sabia quando eles paravam o carro e iam demorar, aí ele
limpava, polia e depois cobrava, às vezes até no fim do mês, Segundo Peleteiro era
um destes clientes. Certa vez parando sua Rural Willis na porta da “25 de
março” para se distrair, Peleteiro como de costume, não trancou a porta do
veículo – naquele tempo não tinha roubo de veículos – para que Alteração,
fizesse o serviço. Já passava das seis horas da noite, ele então pensou, vou
fazer meu último trabalho do dia, bem caprichado para o “espanhol” abrir a mão
na gorjeta, trabalhou com afinco, lá pelas vinte horas, tinha terminado estava
cansado, acordou às sete e este era o oitavo carro do dia, recostou no banco
traseiro fazendo as contas da féria, adormeceu.
Segundo terminou de jogar às 15 para a meia-noite, e
como era certo não descia aquelas escadas sozinho, ainda mais quando olhava
aquele mundo de retratos dos ex-presidentes já falecidos, que ficavam expostos
na parede, quando doze e meia Jorge resolveu também ir embora, Peleteiro pegou
a carona na descida da escada que rangia e ele achava fantasmagórica. Já na
rua, Jorge entrou no seu Landau e Segundo na sua Rural, ligou a máquina e
arrastou, dobrou a esquina subiu as praças João Pedreira e da Bandeira seguindo
a avenida Getúlio Vargas com destino à Kalilândia onde residia, quando fez a
curva para sair da Getúlio, a Rural balançou e Alteração acordou botou a cabeça
pavorosa para cima e gritou “Ei que é isso?” Segundo o valente, olhou pelo
retrovisor, que distorcia ainda mais o rosto horrendo, clamando por todos os
santos e vociferando “vade retro Satanás” saltou da Wilis Overland, correndo
como um louco, só parando quando chegou em casa aí demorou cerca de meia hora
para recuperar o fôlego e poder contar o que estava acontecendo à sua esposa e
enquanto isso o pobre carro, sem motorista, conduzindo o assustado Alteração, subia
o meio-fio, batendo de raspão no poste.
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